EcoViagem apóia o III Encontro de Ecoturismo do Senac

Por: Nathalia Lopes - Portal EcoViagem O Portal EcoViagem esteve presente nesta última sexta feira, dia 29 de Abril, no III Encontro de Ecoturismo do Senac, que aconteceu no Sesc da Avenida Paulista, apoiando a divulgação do Evento e realizando a cober

  
  

Por: Nathalia Lopes - Portal EcoViagem

O Portal EcoViagem esteve presente nesta última sexta feira, dia 29 de Abril, no III Encontro de Ecoturismo do Senac, que aconteceu no Sesc da Avenida Paulista, apoiando a divulgação do Evento e realizando a cobertura sobre o que foi discutido.

O Tema abordado foi “O Profissionalismo na Prática - O Ecoturismo como atividade empresarial lucrativa”. Estavam presentes como palestrantes Israel Walligora da Ambiental Expedições, Jota Marincek da Venturas e Aventuras e João Allievi, presidente do IEB - Instituto de Ecoturismo do Brasil.

O objetivo do Evento era discutir maneiras de viabilizar o negócio em Ecoturismo, causando o mínimo impacto possível nos ambientes naturais e nas culturas locais, ou seja, viabilidade econômica e sustentável ao mesmo tempo.

O primeiro palestrante, Jota Marincek, abordou questões práticas para viabilizar o negócio, enfatizando que não se deve perder a essência do Ecoturismo. Quando começou a trabalhar com Ecoturismo há 13 anos, enxergou uma oportunidade de negócio mediante o que sempre gostou de fazer; mas no começo ele e os sócios tinham muita vontade de agir mas pouca visão empreendedora - ao longo dos anos foram se profissionalizando.

Jota diz que o Ecoturismo possui maneiras diferentes de trabalho do modo tradicional de Turismo: dispondo de qualidade da informação, oferecendo descrição e cronograma detalhados dos roteiros, prestando atendimento personalizado, agregando valores aos produtos, sendo especialista no que faz.

De uns três anos para cá, as grandes empresas de Turismo tradicional passaram a oferecer também roteiros de Ecoturismo - o que gerou uma maior competição entre o mercado; mas Jota ressalta que as verdadeiras empresas de Ecoturismo trabalham de forma responsável, investem em capacitação para formação de agentes de viagens especializados em Ecoturismo, geram oportunidades de emprego nas comunidades locais, valorizam suas culturas, investem na preservação do meio ambiente... enfim, oferecem um produto de qualidade no mercado em que atuam.
Jota alega que para o turista é muito mais interessante ter toda essa logística e organização para que não perca tempo e tenha uma viagem tranqüila, segura, de qualidade e muito proveitosa, além de poder ter experiências únicas de convivência com comunidades tradicionais e conscientização ambiental.

A Venturas e Aventuras desde 1996 começou a trabalhar na Chapada Diamantina; já em 2001, toda semana tinham grupos para este destino. As famílias tradicionais que vivem no Vale do Pati sobreviviam na época da pesca, caça, agricultura de subsistência, extração de recursos naturais.
Atualmente algumas famílias têm outras alternativas de sustento, como o Ecoturismo, oferecendo suas casas para hospedagem dos turistas, que têm oportunidade de vivenciar os costumes dessa comunidade e saborear uma comida caseira. A idéia deu certo, e de uma forma ou outra foi se fechando parcerias com outras famílias, tanto para hospedagem, quanto para alimentação.
Hoje o projeto se consolidou, mas Jota diz que não foi nada fácil essa conquista. A partir daí, era preciso monitorar as famílias, garantindo a qualidade dos serviços para seus clientes.
Outro exemplo de sucesso é o projeto `Velhinho é a mãe`, que investe no Ecoturismo para a Terceira Idade, também é desenvolvido pela empresa Venturas e Aventuras.

“O fundamental está na ética das pessoas que trabalham por trás disso tudo”, diz Jota. Fica a lição e a experiência da Venturas e Aventuras que busca a excelência em seus serviços.
Jota acredita que esses espaços, como na Chapada Diamantina, devem ser ocupados pelo Ecoturismo, que contribui para o desenvolvimento sustentável, mas ocupado por profissionais, porque senão alguém vai acabar ocupando de outra forma, que não a mais adequada.

O Segundo palestrante foi Israel Walligora, da Ambiental Expedições, e faou sobre a Visão do Turismo Sustentável pelas Agências de Ecoturismo. Israel é Geólogo, e foi um dos lutadores para a preservação do PETAR (Parque Estadual Turístico Alto Riberira) um dos conjuntos de cavernas mais importantes do país. Na época - há uns 18 anos atrás -, trabalhou firme para tirar as mineradoras da região, e ajudou a mostrar que o Ecoturismo poderia ser uma alternativa de desenvolvimento sustentável, mesmo sendo ainda um assunto pouco conhecido por todos, começou a criar-se um movimento de Ecoturismo em torno do Petar, da Ilha do Cardoso, Serra do Mar, enfim, até hoje somos gratos por esse movimento.

Israel diz que é muito sério trabalhar com pessoas em ambientes naturais, deve haver muito profissionalismo e responsabilidade da parte de quem está oferecendo os serviços, monitorando constantemente o turista que muitas vezes não está acostumado com aquele ambiente. Cita ainda o exemplo do problema do transporte que enfrentavam na época em que começaram a operar Ecoturismo: era preciso levar um grupo de no mínimo 25 pessoas para que a viagem acontecesse. Mas ao longo do tempo conseguiram enxergar maneiras de viabilizar o negócio, foram superando esses obstáculos e muitos outros, e começaram a procurar outros públicos potenciais como as escolas, estrangeiros e viagens personalizadas, que custam mais, mas são especiais; e ainda realizam parcerias com outras agências de viagens, oferecendo atualmente roteiros personalizados que levam até 01 pessoa com toda a infra-estrutura de logística necessária para que ela faça uma viagem confortável, segura, e bem assistida por profissionais locais.

O que diferencia Ecoturismo de Turismo?
A sustentabilidade: A natureza passou a ser um produto de luxo, pela escassez cada vez maior de seus recursos, a partir daí surge o Ecoturismo. O Ecoturismo é naturalmente sustentável, se não for, não é Ecoturismo. Zela pela natureza e pela preservação ambiental. O desafio é entender que o Ecoturismo não suporta multidões, é preciso fazer um estudo de capacidade de carga, para analisar o quanto aquele local ou atrativo pode suportar para que não haja sua degradação. Não há uma fórmula específica para saber o quanto o ambiente agüenta, mas há monitoramentos que auxiliam nesse estudo, de acordo com as características de cada ambiente. Israel enfatiza que é necessário se criar Diretrizes/Parâmetros para controle de visitação em ambientes naturais.

Outro fator importante que Israel destaca é a Responsabilidade Social das empresas de Ecoturismo. É importantíssimo trabalhar a auto-estima da comunidade local - caso contrário, a tendência é a pasteurização de tudo, ou seja, perda de identidade do destino. Também é preciso ensinar alternativas para a sustentabilidade econômica dessa comunidade, “Se não houver alternativas sustentáveis, o caboclo vai continuar extraindo o palmito da Mata Atlântica, desmatando e não preservando“, afirma Israel.

Como experiência de Israel da Ambiental Expedições, que atua há 19 anos com o Ecoturismo: O Ecoturismo não deixa ninguém rico, já as grandes empresas de Turismo podem deixar, mas não com tanta qualidade e valores em seus serviços. O Resultado do Ecoturismo é a satisfação, o belo trabalho que o Ecoturismo faz pelo país, pelas comunidades, pela natureza e pelas pessoas. Não é uma atividade que acumula capital, mas acumula experiências, valores e conhecimentos, que não tem preço. O Ecoturismo contribui para a distribuição de renda, exige trabalho humano, diferentemente das atividades industriais, valoriza o ser humano e o meio ambiente, contribui ainda para limitar o crescimento desordenado de uma região, é responsável pela natureza e pelas pessoas que convivem com ela.

A Ambiental Expedições apóia projetos e capacitação, reciclagem de lixo de uma Cooperativa em Bonito-MS, Projeto Criação de Abelhas com tecnologia indígena no interior do Estado do Amazonas, Projeto de Sinalização da Ilha do Cardoso, valoriza artesanato local e a qualidade de vida das populações, entre outros projetos.

Por fim, João Allievi do IEB, Instituto de Ecoturismo do Brasil, encerra o Evento com seus comentários e sua experiência: “Grandes empresas não gostam de vender Ecoturismo porque dá muito trabalho, dizem, `as pessoas ligam e perguntam muitas coisas, querem saber muitos detalhes`, que o Ecoturismo está acostumado a proporcionar”. João diz que deve haver um equlíbrio, fornecendo um atendimento ágil, sem perder tempo, mas com todas as informações necessárias ao turista.

João ainda levanta a questão dos problemas do desenvolviemnto do Turismo no Brasil, pela falta de capacitação para receber os turistas, falta de apoio governamental, concorrência desleal entre pequenas e grandes empresas, entre outros fatores.

Concluindo, pode-se dizer que o Ecoturismo busca pessoas que possuem sensibilidade, respeito e admiração pela natureza e cultura. Não é uma atividade de elite como muitos pensam, mesmo que os locais mais distantes e mais exóticos, serão mais caros por natureza, ainda há uma carência de acesso a natureza para as pessoas com menor poder aquisitivo. A tendência é buscar esse acesso, para que todos que tenham interesse possam compartilhar e colaborar de alguma forma com a preservação do patrimônio brasileiro, para isso, é preciso inicialmente um maior investimento nos parques brasileiros, apoio do governo para o desenvolvimento da atividade e contribuição da sociedade como um todo, cada um fazendo a sua parte.

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