Fórum no Rio de Janeiro defendeu turismo com identidade brasileira

Para o turista, a cabana de um pescador pode ser mais aconchegante do que um hotel de luxo. A frase, proferida pelo ator e secretário da identidade e da diversidade cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberte, deu o tom da discussão que aconteceu n

  
  

Para o turista, a cabana de um pescador pode ser mais aconchegante do que um hotel de luxo. A frase, proferida pelo ator e secretário da identidade e da diversidade cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberte, deu o tom da discussão que aconteceu na terça-feira (25/10), durante o Fórum Mundial de Turismo, no Rio de Janeiro.

Mamberte destacou o quanto a diversidade cultural encanta o mundo e permite a troca de experiências. Por isso, na sua visão, um turista pode se interessar muito mais por essa troca, independentemente se o destino é confortável.

O presidente do fórum, Sérgio Foguel, lembrou a importância da pesquisa `Cara Brasileira`, realizada pelo Sebrae em 2002, que analisou os produtos e serviços brasileiros sob a ótica cultural.

O estudo frisou a cordialidade do povo brasileiro, cujo conceito havia sido criado pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, como um valor agregado ao nosso turismo, junto com o caráter hospitaleiro da população do Brasil.

`Este tema merece ser trabalhado com foco no turismo e na cultura`, afirma.

Já o secretário nacional de políticas do Ministério do Turismo, Milton Zuanazzi, abordou a necessidade de se oferecer ao turista serviços que facilitem o acesso à cultura e as paisagens.

`Todo mundo vai para Buenos Aires aprender a dançar tango. Há várias ofertas ao visitante estrangeiro neste sentido no país vizinho, enquanto aqui no Rio, por exemplo, não se divulgam nem se oferecem cursos de samba aos turistas com a mesma competência de divulgação e regularidade em todas as épocas do ano, como acontece com o país vizinho. Aqui no Rio, a exceção são as festas de carnaval`, comparou.

Em seguida, o gerente de atendimento coletivo do Sebrae Nacional, Vinícius Lages, citou a frase de Sérgio Mamberte para lembrar que pesquisas recentes do Ministério do Turismo indicam que, na hospedagem, muitos visitantes querem interagir com quem o acolhe.

`Não querem apenas a situação passiva de se hospedar no sistema tradicional, sem calor humano`.

Durante o Fórum Mundial, Lages também mediou um painel sobre `Cultura Brasileira da Hospitalidade`, com a participação de empresários e intelectuais. O diretor-presidente da Costa do Sauípe Resort, Alexandre Zubaran, elogiou bastante o debate, afirmando que o Brasil está agindo corretamente quando deixa de lado o velho esquema de vender o turismo brasileiro como sol e mar.

`Nosso principal negócio é mesmo a diversidade cultural. Ao contrário de outros países, que embora apresente diversidade, mas as culturas ficam de alguma maneira separadas, no Brasil existem várias misturas de culturas distintas`.

Zubaran também deu exemplos de como o mundo caminha cada vez mais para a sinceridade e para tudo o que se aproxime do natural.

`Quando inauguramos o conjunto de cinco hotéis e seis pousadas em Costa do Sauípe, em 2000, foi um sucesso porque a taxa de ocupação foi de 41%. E vale dizer que temos 1,6 mil apartamentos. O problema é que nos anos seguintes o índice permaneceu o mesmo`.

Para mudar o quadro, Zubaran e sua equipe iniciaram no final de 2003 um processo de mudar vários elementos da decoração.

Nos tetos, trocaram o plástico pelo sapê e a piaçava e realçaram determinadas cores que traduzissem o imaginário da Bahia. A mudança incluiu ofertas de cursos e eventos que traduzissem a baianidade.

`Passamos a oferecer para nossos hóspedes cursos de capoeira, aulas de confecção de instrumentos musicais, mudamos a programação cultural. Conclusão: aumentamos nossa taxa de ocupação para 57%, com perspectivas para atingir 60% até o final do ano`, contabiliza.

Vinicius Lages finalizou a discussão propondo uma reflexão para encontrar estratégias de competitividade no setor turístico.

`As áreas de serviços e comércio, que estão intimamente ligadas ao turismo, não têm qualquer incentivo, nem tributação diferenciada ou investimentos, como acontece com os setores de indústria e agricultura, que contam com políticas industriais e entidades como a Embrapa. Um hotel, por exemplo, exige um tempo médio de 25 anos para amortizar o investimento.

Um empresário do setor que precisa comprar um eletrodoméstico para equipar sua pousada tem as mesmas ofertas que o consumidor doméstico. São questões dessa natureza que precisam ser levantadas numa agenda de competitividade`, sugeriu.

Fonte: Sebrae

  
  

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