Mario Mantovani: `O Turismo pode ser uma ferramenta de conservação`

Segundo Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, 90% do turismo brasileiro, seja ele advindo de origem interna ou externa, acontece dentro das regiões de Mata Atlântica. A entrada no Brasil, é predominantemente, feita pelo Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu

  
  

Segundo Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, 90% do turismo brasileiro, seja ele advindo de origem interna ou externa, acontece dentro das regiões de Mata Atlântica.

A entrada no Brasil, é predominantemente, feita pelo Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Bahia ou pelo nordeste. Por isso, segundo ele, `a entrada do Brasil é a Mata Atlântica`. Hoje, restou somente 7% da Mata original, e ela precisa ser preservada.

O Brasil não está capacitado para entrar nos catálogos internacionais de turismo porque ele não é um destino confiável. Como um país que trata a natureza com descaso, pode ser ecologicamente correto?

É necessário despertar para esta possibilidade de exploração comercial aliada a preservação da natureza. Foi com esta mentalidade que surgiram as discussões sobre Turismo Sustentável.

O papel da WWF, da SOS Mata Atlântica, do Greenpeace e do Projeto Tamar, dentre outras ONGs, é o de tentar despertar a sociedade para esta questão socioambiental.

`Nós precisamos conversar com o grande público (não só entre os ambientalistas), com as operadoras de turismo, com os turistas. Fazer campanhas de responsabilidade ambiental: seleção do lixo, cuidado com a água, reciclagem, proteção, de inclusão social, de autonomia financeira, educação ambiental`, Mantovani.

Foi criado o Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável (CBTS) em 2003. Os três pilares são: a questão social, a ambiental e a ecônômica. As três áreas precisam definir regulamentações interdependentes.

O Brasil está participando de um projeto piloto internacional de controle de qualidade no Turismo, organizado através das ONGs.

A Adventure Sports Fair trouxe os coordenadores da CBTS, o poder público, os civis e as ONGs para discutir sobre esta questão durante a Feira.

No terceiro andar estão sediadas as ONGs. Existe um projeto para que nas próximas edições este seja um espaço exclusivo de discussão sobre Meio Ambiente e Turismo Sustentável.

Em 2003 será a primeira vez que o Turismo Sustentável e a certificação estão em pauta na Adventure Sports Fair.

Um projeto de turismo sustentável, foi desenvolvido no Lagamar, pelo João Allievi, dentre outras pessoas. A equipe descobriu 8 destinos com apelo comercial. Apresentaram os destinos para as operadoras que queriam trabalhar com o Vale do Ribeira. Foram estabelecidas regras de conduta e de preservação para as operadoras e para os turistas.

Das 70 empresas que se candidataram, somente 26 estavam aptas para o credenciamento, com base nos princípios de sustentabilidade.

A população local do Vale do Ribeira, no projeto Lagamar, foi treinada para receber o turista. O treinamento durou 3 anos, foi uma construção socioambiental.

O processo foi de integração da sociedade local, meio ambiente e desenvolvimento econômico. Este projeto, Lagamar, ganhou em 1999, o prêmio de melhor projeto de Ecoturismo Internacional. A forma e o conceito do projeto foram elogiadíssimos no mundo.

Nos EUA, no Fórum de Ecoturismo, vários projetos de certificação internacional foram apresentados. No retorno ao Brasil, um grupo de pessoas engajadas iniciou uma pesquisa para identificar as semelhanças entre os certificados de ecoturismo internacionais.

A pesquisa ficou pronta antes da Conferência de Quebec, no Canadá, em 2000. O Conselho Brasileiro havia identificado o padrão comum entre os certificados.

Os padrões da América, foram estabelecidos em Quebec em 2000. E estão agendadas outras reuniões, nos outros continentes, para definir os Princípios do Turismo Sustentável. O resultado geral constituirá na certificação mundial.

No sábado, será o lançamento do Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável com representantes dos 3 segmentos sociais para iniciar um trabalho de certificação no Brasil.

  
  

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