Mumbuca é atrativo turístico no Jalapão

O ecoturista vem ao Tocantins para ver cachoeiras, subir serras, contemplar pássaros, praticar esportes radicais como o rafting e andar em trilhas do cerrado. No Jalapão encontra tudo isto e muito mais

  
  
Artezã (Dona Santinha) Maria Pereira Santos no Mumbuca

Olga Cavalcante

“Violinha de vereda, viola de buriti
Quando eu toco essa viola seu menino
É como lembrar de ti...”

A excentricidade do roteiro turístico “Encantos do Jalapão”, com suas belezas diferenciadas e exclusivas, tem no povoado quilombola de Mumbuca, a 35 km de Mateiros, leste do estado, um acervo cultural de intenso culto às tradições sertanejas e à simplicidade dos hábitos ainda preservados na comunidade.

O ecoturista vem ao Tocantins para ver cachoeiras, subir serras, contemplar pássaros, praticar esportes radicais como o rafting e andar em trilhas do cerrado. No Jalapão encontra tudo isto e muito mais se acrescentar Mumbuca em sua viagem: a oportunidade de sentar-se á beira de uma fogueira, à noite, em roda de causos e lendas, com personagens que contam suas aventuras de vida em linguagem que mistura termos indígenas e caboclos, às vezes romanceados, outras vezes intraduzíveis.

A beleza de ouvir a dupla nativa de Mumbuca, Maurício e Arnon, tocando em violas de buriti, sem a sofisticação musical da tecnologia moderna, é um dos momentos especiais que o turista vive no roteiro. E ser recepcionado pela afinação do coral de mulheres que cantam as maravilhas do capim, adoça o coração.

O cheiro da galinha caipira recende e chama o paladar do visitante para o “Restaurante da Vila”, onde a Nem cozinha em fogão à lenha central. Ou para a panela de ferro da Tonha, que tem o feijão com maxixe mais saboroso das redondezas.

As 45 famílias e os 142 moradores têm como fonte de renda principal o artesanato em capim dourado, cientificamente identificado como Syngonanthus nitens, mas não deixam de lado as plantações de banana, abóbora e mandioca, culturas extrativistas caseiras, cultivadas apenas para o consumo. O forte mesmo é a venda das peças artesanais na lojinha da Associação Comunitária, procuradas pelos turistas como objetos exóticos. O capim dourado é trabalhado pelos dedos suaves das artesãs jalapoeiras, que costuram as hastes com fibra ou seda do olho do buriti. Para manter a receita durante o ano, homens, mulheres e crianças colhem a sempre-viva nos campos reservados e manejados, respeitando o período de 20 de setembro a 30 de novembro.

Noêmia Ribeiro da Silva, a “Doutora”, é uma destas artesãs cativantes de Mumbuca. Já na quarta geração, filha de dona Miúda a matriarca do povoado, é descendente de seu Firmino, que aprendeu com os índios Xerentes a arte de trançar o artesanato. Usando vocabulário regional e com criatividade de frases próprias, responde ao questionamento sobre os casamentos consangüíneos na comunidade: “Nunca teve problema. Menino nasce sadio igual veado na campina”.

No Brejo do Gavião, um dos pontos de colheita, a paisagem é característica do cerrado do Jalapão onde campos de vegetação rasteira estão ao lado de mata ciliar de buritis e árvores. Em sua profundidade muita água enxarcando o terreno, habitat natural para o crescimento do capim dourado. Cantando enquanto arranca fios de capim, a doutora ensina os jovens a preservar a sustentabilidade do capim dourado: “deve-se arrancar os raminhos nas veredas e sacudir as sementes para que nasça outro pé”.

Fonte: ADTUR

  
  

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Silvino

Silvino

13/09/2012 10:53:21
A comunidade mumbuca, é um lugar de gente bonita, hospitaleiras e simples como a natureza. Eu conheço todos as pessoas da comunidade, do mais jovem ao adulto.Tenho um grande carinho pela gente dessa comunidade. Voce que não conhece, precisa conhecer e ver o quanto é lindo e maravilhoso este pedacinho de chão cheio de pessoas maravilhosa abençoado por Deus.