Os tesouros da Mata Atlântica

Nos 39mil hectares de extensão, o visitante encontra cenários naturais, com escarpas acentuadas, diferentes formações vegetais e cachoeiras (como as do Rio Santo Antônio) que se debruçam sobre os rochedos que podem ser avistados da Rodovia dos Tamoio

  
  
Ao entrar no Parque Estadual da Serra do Mar, o visitante ouve ao longe o som das cachoeiras que dominam a região

Ao entrar no Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Caraguatatuba), o visitante ouve ao longe o som das cachoeiras que dominam a região. Localizado no bairro Rio do Ouro, é repleto de trilhas históricas e, para os amantes da natureza, cada cantinho apresenta uma surpresa. Suas cinco trilhas (Tropeiros, Jequitibá, Pirassununga, Poção e Mococa) estão inseridas no Programa Trilhas de São Paulo, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Nos 39 mil hectares de extensão, o visitante encontra cenários naturais, com escarpas acentuadas, diferentes formações vegetais e cachoeiras (como as do Rio Santo Antônio) que se debruçam sobre os rochedos que podem ser avistados da Rodovia dos Tamoios. Eles emolduram por todos os lados a serra, complementada pela parte marinha que empresta ao local um charme especial. O relevo montanhoso, cortado por vales profundos e encostas íngre mes, tem como pontos máximos de altitude os picos do Ouriço (1.213 metros), da Pedra Verde (1.297 metros), Pedra Preta (1.213 metros) e da Pedra da Onça (1.297 metros).

Para os observadores de aves, uma boa notícia. Em algumas épocas do ano, é possível ver a jacutinga, o macuco, o papagaio-de-cara-roxa, o papagaio-chauá, a sabiacica e o gavião-pombo-grande. Ao entrar na mata, em determinados horários, é possível ouvir os gritos dos bugios e macacos mono--carvoeiros. Outros habitantes da região são as jaguatiricas, gatos mouriscos, maracajás e a famosa onça-pintada, símbolo do Núcleo Caraguatatuba.

Por causa da diversidade da fauna, o parque estuda a criação de mais um roteiro dentro do núcleo. Trata-se do Roteiro das 700 Aves. O observador de aves poderá ver o tié-sangue e a saíra-sete-cores durante o ano inteiro. A fiscalização do parque é feita pelo pessoal do próprio núcleo em conjunto com
a Polícia Ambiental e o Ministério Público.

Para estreitar cada vez mais a parceria da comunidade com o núcleo, disponibiliza aos vizinhos do entorno uma carteirinha de adesão. "A carteirinha permite visitar o local quantas vezes quiser, sem pagar nada. Assim, o associado fica estimulado e nos ajuda a conservar o parque", explica Carlos Zacchi Neto, gestor do Núcleo Caraguatatuba. Até agora, foram emitidas 280 carteirinhas. "A meta é aumentar o número de associados". O gestor informa que a ajuda da comunidade é importante. "Muitas vezes, telefona para nós ou para a Polícia Florestal denunciando que alguém está tentando depredar o parque", relata.

Educação ambiental
A excelente organização pode ser medida em números e pela qualidade dos serviços prestados à comunidade. Em 2009, foram 1,2 mil visitantes. No ano seguinte, o número saltou para 4.060 e, em 2011, passou de 7 mil. Um fator que elevou o numero de visitantes ao Núcleo Caraguatatuba é o Programa de Educação Ambiental, chamado Lugares de Aprender, desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual da Educação. "Os alunos ficam encantados com o lugar. Falam para os pais e amigos e acabam voltando para novas visitas", diz o gestor do núcleo.

Outra novidade é a trilha noturna. "Geralmente, os estudantes dos cursos noturnos não frequentavam os passeios por causa do trabalho. Daí, resolvemos investir nas trilhas durante a noite e o sucesso foi imediato", ressalta. De maio até julho, 500 alunos visitaram o parque com o programa. O agendamento é realizado pela pasta da Educação ou pelas secretarias municipais de ensino. Zacchi avisa: "Até novembro, as vagas estão esgotadas".

O passeio dura duas horas, incluindo palestras no Núcleo de Visitação. Durante a vi sita, os turistas conhecem, por meio de vídeo, os animais que habitam a região. Também veem as principais armadilhas apreendidas pelos guardas florestais e alguns objetos como ferraduras de mulas, machados e telhas encontrados na Trilha dos Tropeiros.

No ano passado, o Núcleo Caraguatatuba sediou o curso de guia florestal. "Com duração de cinco meses, é resultado de parceria entre a Prefeitura de Caraguatatuba e o Grupo de Auxílio Civil Albatroz de Caraguatatuba (GAC). "A ideia é criar mão de obra especializada, já que iremos receber turistas de todo o planeta durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas, respectivamente em 2014 e 2016, informa o gestor Zacchi.

Hugo Leonardo, professor de geografia da rede estadual, foi um dos formandos do curso. "Sou geógrafo e com o aprendizado consegui melhorar a qualidade das minhas aulas e torná-las mais atraentes. Também estimulei meus alunos a visitar o local, que é maravilhoso", afirma Hugo, que também é guarda florestal.

Fonte: Governo de São Paulo

  
  

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