Parque Estadual da Cantareira representa uma trilha radical na floresta paulistana

Estresse, trânsito complicado, violência, poluição ambiental, ausência de verde, péssima qualidade de vida.Quem acredita que a região metropolitana de São Paulo só tem micos para oferecer enganou-se redondamente. Basta uma pequena marcha em direção à zona

  
  

Estresse, trânsito complicado, violência, poluição ambiental, ausência de verde, péssima qualidade de vida.Quem acredita que a região metropolitana de São Paulo só tem micos para oferecer enganou-se redondamente. Basta uma pequena marcha em direção à zona norte para que todos os pesadelos sejam apagados da memória.

À apenas 10 quilômetros da praça da Sé é possível caminhar pela floresta atlântica em trilhas sombreadas por árvores centenárias onde existem bandos de macacos, serelepes, quatis, preguiças, tucanos e, nos trechos mais remotos, até jaguatiricas e onças pardas. E os que gostam de esportes de aventura também podem desfrutar por ali boas opções de divertimento, como trilha de mountain bike, escalada, tirolesa, rapel e cavalgada.

É o Parque Estadual da Cantareira, santuário natural que preserva uma das maiores manchas florestais urbanas do planeta, com 7.9 mil hectares de área e 90,5 quilômetros de perímetro. Abrange, além da capital, fragmentos de mata nativa nos municípios de Caieiras, Guarulhos e Mairiporã. Lá também existe trânsito, mas é na copa das árvores – espaço disputado por insetos, aves, macacos, morcegos e preguiças.

A reserva está dividida em quatro núcleos: Pedra Grande, Engordador, Águas Claras e Cabuçu. Só dois deles – o da Pedra Grande e o do Engordador – estão abertos à visitação. O da Pedra Grande é o mais antigo, aberto ao público desde 1989. Tem toda a infra-estrutura para visitantes, com portaria, sanitários,audiovisual, anfiteatro, museu, áreas de piquenique e trilhas de interpretação da natureza.

Entre as trilhas, destaca-se a da Pedra Grande, com um total de 9,5 quilômetros, que leva até uma enorme floração granítica. Do alto desfruta-se de uma impressionante visão panorâmica da cidade de São Paulo.

Os bugios (macacos) costumam aparecer nesse trajeto. Eles demarcam o território grunhindo de forma assustadora. No meio do caminho é possível dar uma parada no Lago das Carpas, onde existem peixes de bom tamanho. Ao redor do Lago, aparelhos de ginástica e um aconchegante gramado convidam ao lazer e aos exercícios aeróbicos.

No mesmo núcleo há mais três trilhas curtas de interpretação da natureza.A das Figueiras, com 700 metrosde extensão, que passa entre um bosque dessas árvores enormes e é pontuada por afloramentos rochosos; a da Bica, com 1.500 metros; e a dos Bugios, aberta recentemente (com apenas 360 metros de trajeto).

No Núcleo Engordador, situado mais ao norte, existem mais três trilhas, uma delas reservada aos adeptos do ciclismo radical nas montanhas. Esse trecho da Serra da Cantareira foi batizado de Engordador por ter sido, no passado colonial, um ponto de engorda para o gado que vinha do interior para ser vendido na capital.

A trilha de mountain bike tem 4 quilômetros de percurso bastante íngreme, atravessando um charco no meio da mata. A paisagem é muito bacana e tem até uma pequena queda d´água para encher o cantil.

Há mais duas trilhas para trekking: a da Cachoeira, com 3 quilômetros, que cruza algumas cascatas e o rio Engordador; e a do Macuco, com 646 metros, numa caminhada light, passando entre os canos que faziam parte do antigo sistema de abastecimento.

Nas redondezas é possível visitar a Casa da Bomba. Esse antigo sistema de bombeamento foi criado em 1904 para auxiliar o transporte para a cidade. Foi desativada em 1949 e é tombada pelo Patrimônio Histórico.

“Além de um projeto piloto para a prática de ciclismo na montanha, estamos estudando parcerias para incrementar outros esportes radicais no parque, como escalada, rapel e tirolesa” – disse Fernando Décio, diretor do Parque da Cantareira.

Outro percurso de mountain bike muito usado (mas proibido) é a Trilha dos Macacos, que corta um trecho da reserva e passa por áreas limites. Procurada pelos mais radicais, essa picada aberta na mata pelos ciclistas sem o conhecimento da administração do parque, está sendo alargada pelo constante movimento.

O trânsito intenso causa erosão no terreno, impedindo a regeneração da mata nativa, o que representa uma séria ameaça ao equilíbrio ecológico. Para evitar a perda de vegetação provocada por ação humana, a diretoria do parque está fazendo um trabalho de conscientização e fiscalização junto aos bikeiros para que eles evitem a trilha.

Por enquanto, escalada, tirolesa e rapel podem ser praticados na Pedreira do Dib, uma área nas proximidades do parque. Outras atividades que podem ser feitas no entorno da unidade de conservação são off road e cavalgada.

Os jipeiros conhecem rotas alternativas pelas estradas mais difíceis que contornam o parque e já estiveram envolvidos com uma proposta de auxiliar na fiscalização ambiental, denunciando infratores.

Para os que curtem um galope no meio do mato e a observação de belas paisagens do alto de uma sela tem um haras na divisa da reserva que organiza cavalgadas.

Uma fonte de água pura

A Cantareira foi assim batizada pelos tropeiros que faziam o comércio entre São Paulo e outras regiões do país, nos séculos XVI e XVII. Eles se inspiraram na grande quantidade de córregos e nascentes.Antes era costume armazenar a água em jarros chamados cântaros.

Chamavam-se cantareiras as prateleiras onde os cântaros eram guardados. O parque originou-se da política higienista do final do século passado, que tinha por filosofia preservar as fontes de abastecimento de água das áreas metropolitanas.

Por essa razão, a reserva ocupa parte de uma região serrana, rica em nascentes de águas límpidas. Essa riqueza hídrica foi a principal alimentadora do sistema de captação e abastecimento d’água da São Paulo antiga, através das represas do Engordador, Barrocada e Cabuçu; algumas décadas antes da criação da
Billings e da Guarapiranga, na Zona Sul.

A preocupação do governo com o abastecimento da cidade levou, em 1890, à desapropriação de algumas fazendas de café, erva-mate e cana-de-açúcar existentes na região serrana.

O objetivo era manter a integridade da vegetação e assim conservar as nascentes e córregos. A idéia deu certo e hoje, mais de um século depois, esse trecho de floresta atlântica exibe uma amostra completa, formada pelo verde dossel compacto, de árvores imponentes, como a figueira, a peroba, a canela, o açoita-cavalo e o pau-óleo, entre
outras.

Bugio, o barba ruiva da Cantareira

Medindo cerca de 1,20m (tronco e cauda) o bugio, que também responde pelo nome científico de Alouatta fusca clamitans é o senhor das copas das árvores da Cantareira. Seu pelo escuro exibe pontas amareladas,com uma tonalidade ruiva, muito particular a essa espécie de primata tropical, um dos maiores do gênero. A fêmea e os filhotes possuem uma coloração castanho-escuro.

Um de seus traços mais originais é a barba, que lhe empresta um ar de soberano das matas. Devido a essa característica, ele é conhecido também como barbado em algumas regiões brasileiras. A barba esconde uma espécie de papeira, onde se aloja um órgão chamado osso ióide, que funciona como uma caixa de
ressonância usada para vocalizar os sons altos e graves que apavoram os invasores de seu território.

Alimentam-se de folhas e pequenos frutos e são muito sociais. O grupo não costuma apresentar mais do que dois machos adultos. Um deles deve se sobressair como líder, por possuir a coloração mais avermelhada,ruiva. E para fazer justiça à sua tradição de barba ruiva, o macho líder costuma ter mais de uma fêmea, revezando com o companheiro as funções de proteção e delimitação do território. O bugio é uma espécie em extinção e um de seus últimos redutos de sobrevivência na região sudeste é a Cantareira.

Como chegar

· Núcleo Pedra Grande fica na rua do Horto, 1.799 - Horto Florestal. Fone: 11/ 6231-8555 ou 6232.5049.

· Núcleo Engordador fica na av. Cel. Sezefredo Fagundes, altura do n/ 19.100. Fone: 11/6995-3254. As visitas somente são permitidas durante os fins-de-semana e o preço do ingresso é R$ 2 por pessoa. Em dias de chuva o parque não realiza atividades.

O Centro Hípico da Serra ( 011/4485-1401), situado numa área próxima ao parque, organiza cavalgadas no local.

A picape da série São Paulo Aventura

É o modelo Toyota Hilux Turbo SRV que acompanha o repórter Paulo Panove na séria sobre a natureza paulista. Equipada com motor turbo diesel de 3.0 litros, a picape desenvolve 116 cavalos de potência.

Dotado de tração nas quatro rodas, o modelo é ideal para não deixar na mão aqueles que procuram aventura fora de estrada. Em sua versão top de linha, que conta com cabine dupla, o modelo oferece diversos ítens de conforto, como CD Player e ar condicionado, além de ítens de segurança como air bag para o motorista e freios com sistema antitravamento (ABS).

Fonte: Toyota do Brasil Ltda

  
  

Publicado por em

Lilian

Lilian

08/09/2009 14:42:14
Interessantíssimo, comecei a frequentar trilhas a pouco tempo e fiquei muito interessada nessa, quem sabe quando o tempo firmar eu não vá com uma galera ^^