Projeto turístico melhora vida em uma das regiões mais pobres de Minas

Imagine poder passar por caminhos e trilhas citados por Guimarães Rosa, no livro Sagarana, e desfrutar de belezas naturais, como do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Parque Estadual Serra das Araras e do trajeto do Rio Urucuia. Imagine degustar fruto

  
  

Imagine poder passar por caminhos e trilhas citados por Guimarães Rosa, no livro Sagarana, e desfrutar de belezas naturais, como do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Parque Estadual Serra das Araras e do trajeto do Rio Urucuia. Imagine degustar frutos da região, farinha de mandioca ou a tapioca feita pelas mulheres que ali vivem e o mel colhido em apiários das redondezas.

Por fim, imagine poder levar como lembrança da viagem ou presente para os amigos ornamentos e utilitários artesanais. Esse roteiro é apenas um exemplo de como pode ser atrativa e vantajosa a exploração integrada de atividades no Vale do Urucuia, noroeste do Estado.

É com esse propósito que o Sebrae em Minas trabalha em parceria com a Fundação Banco do Brasil, Agência de Desenvolvimento do Vale do Urucuia e a ONG Funacultura para redesenhar a realidade econômica de dez cidades da região, cuja renda familiar é menor que meio salário mínimo.

Segundo as metas estabelecidas no início do programa, o incremento das atividades deverá, até o final de 2006, possibilitar que cada família ganhe, pelo menos, um salário mínimo por mês.

Para melhorar a renda da população, o Sebrae em Minas apóia projetos simultâneos em vários setores da região. As atividades escolhidas foram exatamente as de maior potencial, ou seja, que já estão inseridas no cotidiano de grande parte da população local e utilizam recursos naturais da região.

`Esperamos que, em dezembro de 2007, cada família esteja ganhando, pelo menos, um salário mínimo e meio`, antecipa a gerente de Desenvolvimento do Sebrae em Minas, Marise Brandão.

Outro motivo para que o projeto contemple mais de uma atividade, integrando-as, é a constatação de que muitos dos produtores já atuam em mais de um dos setores eleitos: mandiocultura, apicultura, frutos do cerrado, turismo e artesanato. Para que as atividades evoluam em sintonia, primeiro os trabalhos estão focados na organização.

`Estamos desenhando modelos e documentando as ações necessárias para o desenvolvimento de cada setor onde o trabalho está mais evoluído. Na seqüência, será feita a expansão dessas práticas até alcançar toda a região`, explica Euder Lopes, técnico do Sebrae na microrregião de Unaí.

Frutos do Cerrado

O programa tem como objetivo estimular o maior aproveitamento comercial das frutas típicas da região por meio do extrativismo racional. O trabalho, que teve início neste ano, está em fase de diagnóstico dos tipos de frutas, bem como de toda a flora.

`No caso da flora, as informações serão muito importantes para o desenvolvimento da apicultura`, completa Euder Lopes.

Por enquanto, de acordo com o técnico, as ações estão focadas em três grupos de referência, dois situados na Chapada Gaúcha e um na cidade de Formoso. Na seqüência, as ações devem alcançar todo o Vale do Urucuia.

Em paralelo, a Fundação Banco do Brasil promove outras atividades ligadas à fruticultura como a construção de unidades de processamento e viveiros e a capacitação das comunidades locais com palestras ambientais, cursos de manejo e gestão e encontros para intercâmbio.

O objetivo de preparar tão bem o terreno é gerar renda e trabalho a partir dos recursos naturais da região, mas com o cuidado para que o desenvolvimento não aconteça de forma predatória. `Os frutos existem em abundância, porém, o manejo tem que ser sustentável`, destaca Euder Lopes.

Turismo e artesanato

O turismo divulga e promove a venda do artesanato local e este, por sua vez, contribui para atrair turistas. Recursos e belezas naturais justificam a dobradinha que deve se configurar como uma fonte de renda para uma das regiões mais pobres do Brasil.

O Vale do Urucuia está cercado por atrativos turísticos como o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Parque Estadual Serra das Araras e Rio Urucuia, e tem forte vocação para o artesanato, principalmente produtos feitos à base do buriti, uma palha extraída do fruto típico da região.

Porém, para receber turistas será necessário incrementar a infra-estrutura. Uma das estratégias a serem adotadas, segundo Marise Brandão, é transformar casas em hospedarias.

`Será necessário ainda fazer a sinalização dos pontos turísticos e capacitar as famílias para a prestação de serviços`, completa.

Além das peças feitas do buriti, na região são produzidos tecidos e mantas utilizando fibras extraídas de outros frutos do cerrado. Para melhorar os produtos, profissionalizar a atividade e ampliar mercados para o setor artesanal, serão oferecidos treinamentos nas áreas de design, cooperação, empreendedorismo e gestão. Os artesãos também receberão apoio para participarem de rodadas de negócios nacionais e internacionais.

Marise Xavier destaca que alguns produtos da região já têm público cativo, como as caixinhas de Buriti. `São peças bonitas e com grande aceitação. Alguns artesãos têm grandes empresas como clientes, mas trabalham sem padronização, ritmo regular de produção e sem um estoque mínimo. Precisamos capacitá-los para aumentar a produção e o volume comercializado`, detalha.

Farinha de mandioca e polvilho

Dois assentamentos rurais em Buritis e Arinos foram a inspiração para que a mandiocultura fosse incorporada ao projeto em desenvolvimento no Vale do Urucuia. Em Buritis, as mulheres fabricam farinha de mandioca e polvilho e, em Arinos, toda a família está envolvida na produção de derivados do tubérculo.

Contudo, em ambas as comunidades, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi considerado baixíssimo - média de 0,6.

`As pessoas têm pouco acesso à informação e a linhas de crédito, por isso, o primeiro trabalho visa à transferência de conhecimento e organização dos produtores para que possam colocar seus produtos no mercado`, informa Eduardo Luiz Alves Ramos, técnico do Sebrae na microrregião de Unaí.

Essa etapa consiste em ensinar os fundamentos do projeto Cultura da Cooperação, do Sebrae, por meio de reuniões em grupos, nas quais todos discutem problemas, apresentam soluções e até dissolvem conflitos. O objetivo principal é que aprendam a focar a coletividade.

`Temos resultados positivos, inclusive quanto ao número de participantes, que cresceu muito. Eles estão reformulando o estatuto e legitimando os líderes`, destaca Marise Brandão.

Simultaneamente, o Sebrae em Minas oferece cursos de capacitação para que os produtores aprendam a administrar suas propriedades e a buscarem o equilíbrio financeiro, calculando custos e formando preços.

Hoje, a farinha de mandioca e polvilho fabricados no Vale do Urucuia são vendidos apenas nas cidades próximas. Estudos preliminares indicam que atravessadores têm feito com que os produtos cheguem a outros estados. A aceitação de outros mercados é um indicativo de que os produtores podem ganhar muito mais se organizados numa associação, que faria a representação comercial desses produtos em outras regiões do Brasil.

Pensando nisso, recentemente 45 produtores foram visitar a Embrapa, no município baiano de Cruz das Almas. Lá eles conheceram novas tecnologias para plantio da mandioca, controle de doenças, pragas e processamento da farinha e do polvilho. Eles também aprenderam técnicas de elaboração de lay out de lojas e confecção de embalagens.

Segundo Marise Xavier, o próximo passo é promover o encontro entre os produtores e compradores dos derivados da mandioca, com o objetivo de fortalecer o setor e dar continuidade à cultura da cooperação.

Apicultura

Produtores de mel do Vale do Urucuia devem se unir em uma cooperativa para aperfeiçoarem as técnicas de construção de viveiros, extração e beneficiamento dos produtos. Esse é o diagnóstico inicial do Sebrae em Minas após identificar as pessoas que trabalham com apicultura, sua renda média, custos e dificuldades mais comuns que enfrentam em relação ao negócio.

Atualmente, a maioria dos apicultores do Vale do Urucuia está situada nas cidades de Arinos, Buritis, Chapada Gaúcha, Bonfinópolis, Riachinho, Urucuia e Pintópolis. A proposta é que cada município tenha um comitê educativo ligado à cooperativa.

`Acreditamos que a cooperativa possa ser implantada até o final deste ano, mas, por enquanto, estamos trabalhando para a formação da cultura da cooperação entre eles`, explica o técnico do Sebrae Eduardo Ramos.

Segundo Marise Xavier, existe um potencial mercado consumidor, porém, antes será preciso organizar a produção e os processos para a venda.

`Durante a Fispal, em junho, o mel produzido no Vale do Urucuia foi considerado o melhor e foram identificados 40 possíveis compradores. Contudo, os produtores da região ainda não têm produção em escala para atender a essa demanda`, completa. O Sebrae em Minas apoiou a participação dos apicultores na Fispal, a maior feira do setor de alimentos da América Latina realizada, neste ano, em São Paulo.

Fonte: Sebrae

Del Valle Editoria
Contato: vininha@vininha.com

  
  

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