Roteiros pouco convencionais são atrações na Costa do Descobrimento

O Rio Jequitinhonha continua lindo. Ainda mais quando se está de barco sobre as águas no trecho do delta do rio, com o barulho do motor quebrando o silêncio da paisagem. No trajeto, o que se observa é o emaranhado de caules retorcidos nos manguezais a

  
  

O Rio Jequitinhonha continua lindo. Ainda mais quando se está de barco sobre as águas no trecho do delta do rio, com o barulho do motor quebrando o silêncio da paisagem.

No trajeto, o que se observa é o emaranhado de caules retorcidos nos manguezais ao redor, as centenas de garças que habitam a região e o crepúsculo no fim da tarde.

E nem parece que estamos em Belmonte, a 75 quilômetros do agito baiano de Porto Seguro. Situada no extremo norte da Costa do Descobrimento, a cidade surpreende pela tranqüilidade, pela sua história e pelo lazer no leito do rio.

Este e vários outros roteiros da Costa do Descobrimento são ótimas sugestões para aproveitar os feriados de novembro. A dica vale também, é claro, para o público participante do XI Encontro Internacional de Empreendedores e XIV Encontro Latino-Americano do Projeto Empretec, que acontece entre os dias 3 e 5 de novembro, em Porto Seguro. Basta esticar a agenda, indo para Porto Seguro na terça-feira (1º) à noite, para aproveitar a folga do dia seguinte e retornar no dia domingo (6).

O evento é promovido pelo Sebrae anualmente e pela primeira vez acontece na Bahia. Nesta edição, são esperadas cerca de duas mil pessoas, que participarão de palestras, talk shows e debates em torno do tema `Passando o Futuro a Limpo`.

As discussões vão abordar da história do empreendedorismo no Brasil, passando pela realidade enfrentada atualmente pelos empreendedores e perspectivas de mercado até aspectos comportamentais necessários para quem pretende investir em um negócio próprio.

De qualquer forma, mesmo para quem não pode ficar mais tempo na Bahia, é possível trocar a gravata pelo boné e o calção de banho. É que as atividades do encontro Empretec este ano só acontecem pela manhã. As tardes serão livres para descobrir e aproveitar todo o potencial turístico da região.

A dica, portanto, é fazer roteiros menos óbvios, já que Porto Seguro é um dos lugares mais badalados do País, o que, de certa forma, pode ofuscar a riqueza dos destinos vizinhos.

Belmonte:

Comecemos o roteiro pelo extremo norte da costa, em Belmonte, onde há opções de passeios de barco nos dois turnos do dia. Cada embarcação pode levar de cinco a seis passageiros e custa R$ 35, por pessoa. Quem não estiver de carro, pode fechar um pacote incluindo transporte de Porto Seguro a Belmonte. Os preços variam de acordo com as agências de viagens locais.

Em Belmonte, o roteiro das águas começa pelo rio Passuí até a Barra do Peso, onde se deve parar para mergulhar e ver o encontro do rio com o mar. No retorno, toma-se o delta do Jequitinhonha, passa pelo ninhal das garças até chegar à cidade.

Há, no entanto, quem escolha fazer apenas um dos trechos. Neste caso sobra tempo para no mesmo dia visitar as seis praças históricas da cidade, com 1.500 metros de extensão. Ali vale a pena flagrar os vestígios do século XIX nos casarios que preservam a arquitetura e o tempo glorioso em que a cidade florescia com a produção cacau.

E por falar neste fruto, em Belmonte é quase obrigatório provar os doces caseiros de cacau e frutas regionais. Dos pratos, os mais requisitados são o arroz de polvo, a moqueca de robalo e o guaiamus de cativeiro, que podem ser encontrados no restaurante Taberna (na Praça da Matriz), na Cabana Molinete (na beira da praia do mar Moreno) e o restaurante do Diogo (na avenida Rio Mar).

Barraca da Maria Nilza:

Do extremo norte, seguiremos para Santa Cruz Cabrália, mas não sem antes dar uma parada em Guaiú, que fica logo após o povoado de Santo André, uma linda e calma praia que se Dorival Caymmi não compôs uma música em homenagem, foi por mera distração. É lá onde fica a barraca da Maria Nilza, uma negra alta e risonha que contagia os clientes pela energia e o clima informal. Há até fregueses que entram na cozinha para mexer o pirão.

Antes de pedir os pratos principais, o brinde deve ser acompanhado pelos pastéis de siri e de aratu. Em seguida, o melhor é provar de tudo um pouco: bobó de camarão, risotos de siri, de caranguejo e o maravilhoso arroz de polvo.

Para bocejar e alisar os olhos após o almoço, o ideal é cair numa das redes armadas na barraca, de frente para o mar.

Mas é conversando mais atentamente com Maria Nilza, enquanto chutamos a areia, que se percebe o sucesso do seu empreendimento.

`Sou abençoada e de bem com a vida. Nunca tive um cheque devolvido desde quando abri minha barraca em 1996. Hoje sou dona do terreno, tenho cinco funcionários e sempre incentivo nos estudos. Dou até bônus quando mostram atestado de freqüência escolar. A vida é assim. Temos de aprender de acordo com as oportunidades que vão surgindo. É assim comigo também. E quero aproveitar para dar parabéns ao trabalho do Sebrae pelo apoio que recebo`, comenta.

Rondando pelo litoral de Cabrália, não dá para resistir ao calor, à cor e à beleza do mar. Quanto à visitação de monumentos, os mais relevantes são a Coroa Vermelha, onde foi celebrada a primeira missa do Brasil, o Museu Indígena e a cidade histórica de Cabrália.

Fazenda Mãe Tereza:

Mas quem prefere um programa bem diferente das atrações típicas da região, a dica é conhecer a Fazenda Mãe Tereza, a cinco minutos do centro de Cabrália. Com área de 51 hectares de mata atlântica, o local oferece passeios de trator, montagem a cavalo e visita ao rio da região por meio de caiaques.

A trilha a pé pode ser feita com ajuda do guia Edenval Bonfim, cujos conhecimentos sobre a vegetação da fazenda impressionam bastante. O programa inclui ainda pesca artesanal e prática da tirolesa.

Para quem chegou à fazenda sem almoçar, deve saborear o churrasco uruguaio, feito pelo proprietário José Pedro Topolansky, que há 13 anos largou sua cidade natal Montevidéu, para se dedicar ao empreendimento no Brasil.

`Cheguei aqui por acaso. Ia apenas visitar um amigo. Aí fiquei tão encantado que pensei a princípio montar uma casa de veraneio. Mas os rumos foram mudando. Depois de um bom começo na fazenda, passei por uma fase muito crítica poucos anos atrás por causa de fatores como a crise da Argentina e a falência de uma agência de viagem. Mas agora estou muito satisfeito`, afirma.

Os ingressos individuais para a Fazenda Mãe Tereza custam R$ 20 e mais almoço opcional de R$ 22. Para visitas em grupo, há descontos que variam de acordo com o número de pessoas, que podem ser negociados.

Segundo Topolansky, quase todos os grupos que recebe diariamente são de turistas europeus, principalmente portugueses.

`Os brasileiros não se interessam muito por este roteiro. Mas são muito bem-vindos. Tenho certeza de que vão gostar de ver de perto nossas aves e espécies da mata atlântica`, garante.

Gastronomia em Porto e Arraial:

Finalmente chegamos ao marco zero do Brasil. Por ser o segundo destino turístico mais visitado da Bahia - só perde para Salvador - Porto Seguro é diversa e agitada. Um dos cartões postais é a Passarela do Álcool, que reúne o maior número de pessoas e apresentações musicais.

As opções de praia também estão distribuídas em 90 quilômetros de litoral. A mais famosa e badalada é a de Taperapuã. A mais tranqüila é a praia do Mutar.

Como todos sabemos, a cidade é repleta de extratos de história viva condensada em monumentos, como centro histórico da cidade, as igrejas de Nossa Senhora da Pena, de São Benedito e da Misericórdia, além dos museus de Porto Seguro e o do Descobrimento.

Para conhecer um pouco da diversidade gastronômica da região, podemos começar com o Bistrô da Helô, com decoração aconchegante e um cardápio muito original. Um dos pratos criados recentemente é o delicioso Bacalhau à Brasileira. Com formato arredondado, a principal novidade no sabor é o creme de batata doce, acompanhado com salsinha, tomate cereja, alcaparras, alho poró e azeite.

A combinação é ousada, mas digna dos melhores livros de receita. `Nomeei de `bacalhau à brasileira` exatamente porque, de acordo com as pesquisas que faço sobre a culinária no mundo, nunca vi batata doce, exceto aqui`, afirma a chef e proprietária Heloísa Leal Lima, que há 11 anos cozinha profissionalmente e há seis comanda seu próprio negócio.

Apesar da ajuda de cinco funcionários, Helô é quem pilota as panelas. Do cardápio, quase tudo é criação sua, como o `Baile Perfumado` (badejo, com ervas finas e molho de limão) e o `Tropical 500 Anos` (camarão com curry, gengibre e maçã).

Depois de tomar a balsa de Porto a Arraial d`Ajuda, o compromisso são com as praias de Pitinga e Mucugê. Mas na culinária, um dos primeiros pontos que se deve visitar é o restaurante do Paulinho Pescador, quer apesar do estilo simples, tem excelente qualidade. Uma das marcas é que todos os pratos custam o mesmo preço, R$ 11, e são servidos em cumbucas de barro. Um dos mais pedidos é o elogiado Strogonoff de Camarão. Mas também o bobó, a moqueca de peixe e o filé de badejo são ótimas sugestões, produzidas pela chef Yonala Dardengo, esposa de Paulinho.

Mas antes de cada prato, é oferecida gratuitamente a `terapia ocupacional`, que nada mais é do que um maravilhoso pãozinho, bem simples e quentinho por sinal, com manteiga.

Um dos personagens mais carismáticos e conhecidos de Arraial, Paulinho é carioca e engenheiro de formação. Chegou à Bahia em 1976, abriu seu restaurante em 1983 e não saiu mais de lá.

`Aqui participo de batismos de geração em geração e hoje tenho 66 afilhados. Quem vem para cá, não quer mais voltar. É por isso que tantos estrangeiros moram nesta terra abençoada`, orgulha-se. E é porque não falamos do trecho sul da costa, como Trancoso, Praia do Espelho e Caraíva. Fazer o quê?

Fonte: Sebrae

  
  

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