Seminário Internacional de Ecoturismo: sustentabilidade e controvérsias

Aconteceu nessa segunda-feira, 24 de novembro, o 1º Seminário Internacional de Ecoturismo, no prédio da Câmara Americana de Comércio em São Paulo. Organizado e realizado pelo Jornal e Revista Ecoturismo, o ciclo de palestras contou com a presença de diver

  
  

Aconteceu nessa segunda-feira, 24 de novembro, o 1º Seminário Internacional de Ecoturismo, no prédio da Câmara Americana de Comércio em São Paulo. Organizado e realizado pelo Jornal e Revista Ecoturismo, o ciclo de palestras contou com a presença de diversas personalidades, profissionais, políticos e empresários do turismo brasileiro.

O evento, constituído por 10 módulos, recebeu um número de visitantes menor que o esperado mas, segundo Hércules Góes, responsável pelo Jornal e Revista Ecoturismo, ganhou em qualidade. “Estou muito feliz com o seleto público que está ocupando o auditório” declarou durante o seminário.

A abertura contou com a presença de José Roberto de Oliveira, assessor de políticas do Ministério de Turismo, que falou sobre os planos do governo para o setor e o papel da Embratur nesse contexto. Oliveira avaliou os valores e as metas para o mercado, mas só tratou da questão ambiental quando questionado pela platéia.

O palestrante seguinte foi Carlos Duarte, Secretário de Floresta do Acre, que abordou a questão do manejo consciente dos recursos da floresta e seus diversos usos, incluindo o turismo.

A terceira convidada foi a Prof. Dra. Ana Baez, da Costa Rica, um dos destaques do evento. Baez discorreu sobre o caso da Costa Rica, país que tem o turismo ecológico como principal fonte de recursos, ilustrando seu discurso com muitos exemplos e apresentando possibilidades para o Brasil, uma das maiores potências ecoturísticas do planeta.

Uma das conferencistas mais esperadas, a Prof. Dra. Doris van de Meene Ruschmann, e seu sócio e marido Jens Cristiano Ruschmann, da Ruschmann Consultoria, uma das mais tradicionais do país, reforçaram a necessidade do envolvimento e da efetiva inclusão das comunidades tradicionais nos programas de ecoturismo, utilizando como exemplo um estudo de caso em Mateiros (TO), vilarejo próximo ao Jalapão.

Outro destaque foi Roberto Mourão, diretor da Organização Eco Brasil e do Programa Melhores Práticas pra o Ecoturismo do Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), que deu um panorama geral do desenvolvimento do ecoturismo no Brasil e das perspectivas para o futuro, enfatizando a questão da certificação e da sustentabilidade.

Apesar da riqueza e relevância do conteúdo de várias palestras como as citadas acima, a presença de número significativo de políticos e empresários do setor acabou prejudicando as discussões acerca do turismo sustentável propostas pela organização do evento, que por vários momentos tornou-se palco para mera propaganda política e “jabás”.

Muitos palestrantes limitaram-se a falar sobre seus estabelecimentos, as “celebridades” que os visitavam, sobre os milhões que o turismo pode trazer para o país, políticas visando o setor econômico, mas sem citar qualquer envolvimento com o meio ambiente, com as comunidades tradicionais e com a sustentabilidade, o que tornou os módulos, algumas vezes, contraditórios.

É necessário cuidado para tratar dos temas ecoturismo e sustentabilidade, que na boca de leigos ou oportunistas acabam sendo banalizados. É preciso conhecer os princípios do turismo ecológico, da responsabilidade sócio-ambiental, para tratar dessas questões para uma platéia tão seleta. Muitos acreditam, ingenuamente, exercer turismo ecológico simplesmente por levar o visitante ao contato com a Natureza.

Praticar e promover ecoturismo, porém, é muito mais que isso, é promover o turismo responsável, sustentável, consciente, valorizando a comunidade local, preservando a cultura, apreciando o artesanato e as tradições da região, preservando o meio ambiente visitado, hospedando-se em estabelecimentos que não agridam a Natureza, utilizando-se de serviços prestados por profissionais da região, enfim, colaborando, de fato, com a sustentabilidade.

E essa responsabilidade perpassa todos os agentes dessa atividade econômica, desde o visitante até todos o setores de serviços; envolvendo comunicadores, profissionais da área e, principalmente, os órgãos responsáveis pelas políticas públicas do turismo.

  
  

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