Trilhas do Pico do Baepi e Cachoeira Panca D´Água são regularizadas

Numa parceria inédita em defesa da Mata Atlântica, a ONG sócio-ambiental ilhabela.org e a empresa de cosméticos Natura uniram-se à Prefeitura Municipal de Ilhabela e ao Instituto Florestal para ordenar o uso de trilhas de ecoturismo no Parque Estadual de

  
  

Numa parceria inédita em defesa da Mata Atlântica, a ONG sócio-ambiental ilhabela.org e a empresa de cosméticos Natura uniram-se à Prefeitura Municipal de Ilhabela e ao Instituto Florestal para ordenar o uso de trilhas de ecoturismo no Parque Estadual de Ilhabela.

Na primeira etapa foram realizadas a regularização do traçado, implantação de sinalização, monitoria e manutenção nas trilhas do Pico do Baepi e Cachoeiras da Pancada D´Água, na Feiticeira, também conhecida como Cachoeira dos Três Tombos.

Segundo Elci Camargo, Coordenadora do Departamento Jurídico da SOS Mata Atlântica, que apóia o projeto, a iniciativa da ONG ilhabela.org estabelece um modelo a ser seguido. "Essa ONG sensibilizou uma importante empresa nacional, e conseguiu fazer os poderes públicos, municipal e estadual, trabalharem coordenadamente na defesa do meio ambiente. E tudo a partir de estudos de capacidade de carga, seguindo os padrões de preservação ambiental. Esse é um dos papéis destinados ao Terceiro Setor na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC, que acaba de ser regulamentada", afirma.

Todas as etapas dos trabalhos contaram com supervisão da responsável pelo Parque, Kátia Biagini, do Instituto Florestal. A realização dos estudos técnicos, trabalhos de campo, obras civis e confecção de sinalização, foram entregues pela ilhabela.org ao engenheiro florestal Waldir Joel de Andrade, pesquisador científico do Instituto Florestal de São Paulo, e responsável pelo Parque Estadual dos Mananciais de Campos do Jordão.

Pós-graduado em Ciências Florestais e com amplo conhecimento no manejo de Unidades de Conservação no país e no exterior, Waldir Joel é uma das maiores autoridades brasileiras na área.

O principal objetivo do trabalho é evitar que o uso desordenado dessas trilhas, que vêm recebendo afluxo cada vez maior de visitantes, cause danos ainda maiores à frágil biodiversidade desse Parque Estadual, encravado numa das maiores ilhas oceânicas brasileiras.

Ainda que neste momento o Parque não tenha condições materiais e humanas de restringir o número de visitantes às trilhas, a regularização de seu traçado vai evitar que a ação combinada do pisoteio dos turistas e da ação das chuvas provoque erosão nas encostas das montanhas.

Ao longo da próxima temporada de verão, a ONG ilhabela.org fará a manutenção e monitoramento do uso das trilhas. Na semana de 27 a 31 de janeiro, estudantes dos cursos de Agronomia, Engenharia Florestal, Ecologia, Biologia e Turismo do SENAC vão fazer reparos e avaliar o impacto do uso das trilhas no ecossistema.

Nos finais de semana de 15 e 16 de fevereiro (ou 22 e 23 de fevereiro, dependendo das condições climáticas), voluntários da ilhabela.org farão mutirões de limpeza nas duas trilhas. E ao longo de todo o verão, integrantes da ONG farão relatórios semanais sobre o uso das trilhas.

Todas as informações coletadas, bem como dados detalhados sobre o desenvolvimento e implantação do projeto, poderão ser encontrados na Internet, no endereço www.ilhabela.org/trilhas.

Ao final do verão, todos esses dados servirão de base para uma segunda etapa do projeto, que prevê o efetivo controle de acesso às trilhas pelo Instituto Florestal de São Paulo, previsto na legislação.

Para tanto, a ilhabela.org pretende realizar os estudos técnicos necessários, buscar apoios entre entidades ambientalistas de todo o Estado, além de levantar novos patrocínios.

A regulamentação do trabalho dos guias de ecoturismo no Parque, prevista tanto nos regulamentos do Instituto Florestal quanto numa lei municipal ilhabelense, é outro objetivo da ONG para implantar definitivamente, de forma profissional e sustentável, o trade ecoturístico em Ilhabela.

As trilhas foram inauguradas no dia 21 de dezembro, às 9h. A solenidade, que aconteceu no início da trilha do Baepi, próximo à sede do Parque Estadual de Ilhabela, contou com a presença do prefeito Manoel Marcos de Jesus Ferreira, da diretora do Parque Estadual de Ilhabela, Kátia Biagini, de representantes da ONG ilhabela.org e da Natura.

Um marco no cenário do ecoturismo em São Paulo

A trilha do Pico do Baepi é um verdadeiro desafio para os amantes do ecoturismo e praticantes do montanhismo. Saindo do nível do mar, eleva-se a 1.050 m de altitude, numa caminhada atlética de cerca de três horas, a maior parte realizada sob a sombra da exuberante vegetação da Mata Atlântica.

Ao alcançar o topo do rochedo do Baepi, que domina a silhueta de Ilhabela, descortina-se a visão da floresta cerrada que cobre 86% da área de Ilhabela. Lá do alto, os visitantes podem desfrutar de uma deslumbrante vista em 360º, que cobre do Canal de São Sebastião até o alto mar, na praia de Castelhanos.

Em dias claros é possível ver desde a região de Bertioga, ao sul, até Ubatuba, ao norte. A descida, que leva duas horas, é a parte fisicamente mais crítica para quem decide encarar essa aventura, exigindo muito das articulações, músculos e tendões.

Por tudo isso, a Trilha do Pico do Baepi é considerada de alto nível de dificuldade. Só deve ser encarada por quem está bem preparado fisicamente, e percorrida exclusivamente com guias locais de ecoturismo. A contratação de monitores deve ser feita na Secretaria Municipal de Turismo, à rua Bartolomeu de Gusmão 140, Pequeá, tel. (12) 3896-1091, 3896-2440, ou nas empresas locais de ecoturismo.

Além de painéis informativos e placas indicando espécimes importantes da Floresta Tropical, a sinalização também vai informando os visitantes sobre a distância percorrida e a altitude alcançada. Com 3.700 m de extensão, a trilha do Pico do Baepi eleva-se até 1.050 m de altitude.

Já a trilha das Cachoeiras da Pancada D´Água tem caráter totalmente distinto. Localizada ao lado de um condomínio que invadiu áreas do Parque Estadual e foi embargado pela Justiça, pode ser alcançada de carro por ruas asfaltadas que levam ao início da trilha.

Com extensão de cerca de 255m, tem um caráter de educação ambiental, possibilitando para muitos, como crianças e idosos, seu primeiro contato com a exuberância da Mata Atlântica.

A visitação é auto-guiada, dispensando a necessidade de guias. Entretanto, a ONG ilhabela.org pretende manter estagiários na entrada dessa trilha nos picos de afluxo de visitantes ao longo da temporada, conclamando os turistas a preservarem o local e levarem seu lixo embora consigo.

Mais informações sobre as trilhas e o projeto técnico desenvolvido pela ONG podem ser encontrados na Internet, no endereço www.ilhabela.org/trilhas ou com Luiz Vilares da Ilhabela.org (11)9968-5120.

Fonte: Assessoria de Imprensa de Ilhabela

  
  

Publicado por em

Fabianne Ykemoto

Fabianne Ykemoto

09/02/2009 11:19:55
Realmente, é um grande exemplo a ser seguido.