Turismo desordenado pode aumentar poluição global

Especialistas internacionais mostram importância do turismo sustentável como único caminho de evitar a destruição de lugares. “Meu lugar favorito vai para o inferno”. A frase bombástica, citada pelo editor Keith Bellow da revista Traveller

  
  

Especialistas internacionais mostram importância do turismo sustentável como único caminho de evitar a destruição de lugares.

“Meu lugar favorito vai para o inferno”. A frase bombástica, citada pelo editor Keith Bellow da revista Traveller,do grupo National Geographics, durante o Fórum Mundial de Turismo, em Salvador, sintetiza um dos principais dilemas mundiais: a necessidade de criar políticas de sustentabilidade para os destinos turísticos.

O painel teve a participação do presidente do Sebrae Nacional, Silvano Gianni, do representante da Organização Mundial do Turismo, Eugenio Yunes, e do presidente do
Instituto de Hospitalidade, Sergio Foguel.

O foco do debate era mostrar que, embora seja notória a importância econômica do turismo para o mundo, sua política de crescimento tem de respeitar o meio ambiente e as tradições culturais.

Keith Bellow ressaltou que é necessário debater esses temas com exemplos claros. Para ele, boa parte da população mundial encara o assunto com muita abstração, como se o problema não fosse tão grave.

“Se todos perceberem que seus lugares prediletos podem deixar de existir, a preocupação com a sustentabilidade será mais evidente”, afirma.

Com bom humor, o editor expôs uma série de fotografias com efeitos de montagem. Mostrou, por exemplo, uma população gigantesca em volta da acrópole na Grécia; dois pescadores disputando o último peixe existente na Costa de Bermudas; e um hotel imenso construído numa ilha deserta.

“Tudo isso é montagem, mas simboliza o que podemos sofrer no futuro. No dia-a-dia, vemos o número de turistas duplicar ou triplicar pelas florestas americanas, no Alaska ou na Muralha da China, sem a devida preocupação”.

Keith Bellow falou ainda do êxito inesperado de uma edição da revista Traveller, em que a matéria central fazia um ranking de 115 destinos turísticos, elaborado por uma equipe multidisciplinar, entre arqueólogos, arquitetos e profissionais de turismo.

Os lugares foram classificados em três grupos. O “bom” é representado por lugares que apresentam paisagem preservada e controle de visitação.

No grupo “não muito mal” entram as cidades com excesso de gente, bacias poluídas e negligência ambiental. Por último, vem a categoria “ruim”, como a Costa do Sol, na Espanha, que sofre situações mais graves.

A edição da revista provocou reações em vários lugares e, segundo Bellow, houve mudanças em alguns deles, como na Tailândia, onde foram adotados ônibus elétricos para minimizar problemas de trânsito e poluição.

Na mesma linha de raciocínio, o representante da Organização Mundial de Turismo (OMT), Eugenio Yunes, divulgou um estudo inédito a ser oferecido aos gestores de turismo e governos do mundo.

“O desafio é criar ações que preservem os patrimônios culturais, a biodiversidade e o combate à pobreza, sobretudo dos países maiores problemas sociais”.

O levantamento sugere mudanças na legislação, políticas de geração de emprego para o setor turístico, zoneamento para limitar número de visitantes em determinados lugares, certificação de produtos, medição do nível de estresse causado pelas indústrias, entre outras ações.

Com base nos dados apresentados, o presidente do Instituto de Hospitalidade, Sérgio Foguel, frisou que a sustentabilidade não passa apenas pela questão sócio-ambiental.

“Do ponto de vista econômico, também é fundamental que os destinos turísticos sejam protegidos. Caso contrário, haverá prejuízo financeiro num futuro breve. Preservar é sobretudo uma causa humanista mas também é um excelente negócio”, afirma.

O presidente do Sebrae, Silvano Gianni, lembrou que a instituição atua no turismo há mais de dez anos e destacou a preocupação com a identidade nacional em projetos recentes como o Movimento Brasil.

“Este projeto vai estimular a diversidade das manifestações culturais, com ênfase no artesanato, gastronomia, música, dança”.

De acordo com Gianni, o movimento consolidará o conceito de uma cultura brasileira da hospitalidade e será aplicado inicialmente em 24 arranjos produtivos locais e destinos turísticos no país.

Por enquanto, o trabalho está sendo desenvolvido em Diamantina (MG), Bonito (MS), Santa Tereza (RS), Aracati (CE), Penedo (AL), cidade de Goiás (GO) e no centro histórico de Salvador. Estes casos foram debatidos durante o Fórum Mundial de Turismo, de sábado (04/12) a segunda-feira (06/12).

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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