Exposição mostra desenhos das viagens pelo mundo do artista Vincenzo Scarpellini

Para o público, a mostra proporcionará uma viagem única de cores e imagens, com escalas em São Luiz do Maranhão e Caribe, entre outros destinos.

  
  

O artista plástico italiano Vincenzo Scarpellini ‘descobriu’ o Brasil nos anos 90 e viveu no país até falecer, em 2006. Um conjunto de 90 desenhos que Scarpellini fez em suas andanças pelo mundo compõe a exposição “Quaderni di Viaggio”, que a CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) promoverá de 24 de janeiro a 08 de março. A entrada é franca.

Com curadoria do crítico de arte Jorge Coli e organização da jornalista Claudia Marques, com quem Vincenzo foi casado, a exposição reúne desenhos cuidadosamente selecionados. Além do pastel, Vincenzo usava lápis, guache e carvão para dar vida às suas obras. A mostra terá também alguns dos cadernos de viagem do artista.

A viagem começa no avião. Era assim para Vincenzo Scarpellini. Quando ele avistava pela janelinha aquele chão de nuvens do lado de fora, o artista já sacava seu caderninho Moleskine e traçava os desenhos que se formavam no céu. No lugar da caneta, um giz pastel. Partindo desse ritual, ele desenhou lugares como Amazônia, África do Sul, Ilha de Páscoa, Caribe, Pantanal, Rio de Janeiro, Nova York, entre outras paisagens deslumbrantes.

Italiano radicado no Brasil desde 1996, Vincenzo era um misto de Marco Pólo com Debret. Seu lugar era o mundo. E para retribuir, ele pintava o que via. Morava em São Paulo, cidade que amava e desenhava compulsivamente, mas por conta da profissão e do amor ao ir-e-vir, rodou paragens que vão do calor do Pantanal às geleiras da Patagônia. Da selva amazônica aos caos nova-iorquino. Só não viajou mais porque um câncer interrompeu sua vida em 2006. Faleceu aos 41 anos.

Boa parte dessas viagens foi publicada na forma de desenhos-reportagem no caderno de Turismo da Folha de S. Paulo. Há ainda os diários e registros das férias em sua cidade natal, Ascoli Piceno, e viagens ao Rio de Janeiro e Minas Gerais. Vincenzo viajava atento às paisagens, às nuvens e, principalmente, às pessoas. Tinha o hábito de buscar livros, filmes ou músicas sobre o lugar visitado. E procurava comer nos lugares indicados pelos habitantes locais.

“A exposição é uma forma de homenagear o Vincenzo e, ao mesmo tempo, continuar o trabalho dele. É também um presente para Sofia”, explica a organizadora da exposição, Claudia Marques. Sofia é a filha deles, hoje com cinco anos.

Para o público, a mostra proporcionará uma viagem única de cores e imagens, com escalas em São Luiz do Maranhão e Caribe, entre outros destinos.

A exposição “Quaderni di Viaggio” ficará em cartaz na CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) de 24 de janeiro (a partir das 11h) a 08 de março. O horário de visitação é de terça a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca.

Palestra:

O curador da mostra, Jorge Coli, realizará uma palestra aberta ao público sobre a obra DE Vincenzo Scarpellini. O encontro acontecerá no dia 27 de janeiro, às 19h, no Auditório do 6° andar da CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111). São 60 vagas. As inscrições devem ser feitas pelo telefone (11) 3321-4400, no horário comercial.

O artista:

Vincenzo Scarpellini chegou ao Brasil em 1996. A intenção era ficar seis meses, ficou 10 anos. Aprendeu a viver no Brasil, que, como gostava de lembrar citando Tom Jobim, “não era um país para principiantes”. Vincenzo nasceu em Ascoli Piceno, uma cidade medieval italiana de 60 mil habitantes. Viveu em Roma, estudou jornalismo e design, trabalhou com um dos mestres do design mundial de jornais, o italiano Piergiorgio Maoloni.

O artista plástico veio ao Brasil para fazer o projeto gráfico da extinta revista Manchete, no Rio de Janeiro. Mas logo Vincenzo conheceu São Paulo e se apaixonou pela cidade, cidade monstro para uns, mas poesia para Vincenzo. Dizia que gostava de São Paulo “porque o paulistano é curioso, não pensa que já viu tudo, não tem indolência no sangue”.

Após fazer a reforma gráfica do jornal Folha de S. Paulo, em 2000, passou a fazer uma coluna sobre a cidade. A cada semana, desenhava um tema diferente, dando cores nos tons acinzentados da nossa Gotham City. Foram quase seis anos de publicação. Também na Folha publicou as matérias e desenhos de suas viagens.

Tinha o seu jardim secreto, como escreveu o critico de arte Jorge Coli: os nus. “Ao lado das cidades, os nus femininos. Vincenzo contratava modelos, atrizes, que deviam mover continuamente: andar, sentar, levantar, deitar em poses por vezes complicadas. Era um exercício gráfico, de linhas, que resultavam em formas poderosas, muito sexuadas”.

Até a doença, o câncer que o matou em 2006, foi tema de suas obras. Nas andanças por corredores dos hospitais, seções de quimioterapia, Vincenzo mantinha o olhar atento, buscava enxergar beleza e juntar forças e cores para combater a doença pálida. A luta teve fim em julho daquele ano.

Em vida, publicou dois livros com os desenhos de São Paulo – Trânsito e Vidas – e realizou quatro exposições: a primeira no restaurante Panino Giusto (2001), no Centro Cultural da Caixa (2002 e 2005) e no Palazzo dei Capitani, Itália (2005). Em 2007, foi realizada uma mostra póstuma no espaço do bar Salve Jorge, no centro de São Paulo.

Curadoria

Jorge Coli é crítico de arte, professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp, e colunista da Folha de S. Paulo. Deus aulas em universidades francesas como a da Provença, traduziu para o francês Os sertões, de Euclides da Cunha e Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Foi Secretário da Cultura de Campinas. É autor de Música Final, A paixão segundo a ópera e Ponto de fuga.

Organização

Claudia Marques é jornalista, diretora de projetos especiais da Agência Meios. Trabalhou na Folha de S. Paulo, Abril e Isto é Dinheiro. Em janeiro de 2007, organizou a exposição póstuma de Vincenzo Scarpellini no bar Salve Jorge, em São Paulo.

Fonte: Caixa Econômica Federal

  
  

Publicado por em

Mayde

Mayde

12/03/2009 19:13:37
bem... achei interessante mais nao mostra nem um desenhos para nos internautas.