Queda real do turismo mundial ficou em torno de 9% no ano passado, avalia diretor da Abav

Cálculo leva em conta o índice da Organização Mundial do Turismo mais a expectativa de crescimento do setor no ano passado, frustrada devido à crise financeira internacional e à gripe suína

  
  

O turismo mundial encolheu cerca de 9% em 2009, bem mais do que os 4% anunciados recentemente pela Organização Mundial de Turismo (OMT). Essa é a avaliação do diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagem (ABAV), Leonel Rossi Jr. O cálculo feito pelo diretor leva em conta o índice da OMT mais a expectativa de crescimento do setor no ano passado, frustrada devido à crise financeira internacional e à gripe suína.

“Os negócios do turismo no mundo subiriam entre 4% a 5% em 2009, como ocorre, em média, a cada ano. Como a queda ocorrida ficou em patamar semelhante, significa dizer que deixou de crescer o percentual esperado e ainda perdeu aproximadamente fatia de igual proporção em termos de mercado”, explica.

Já no Brasil, a situação foi peculiar em 2009: o setor sofreu queda e se recuperou rapidamente. “Caiu, mas levantou”, diz Rossi. O turismo interno cresceu cerca de 5%, compensando a queda em torno de 5% na recepção de turistas estrangeiros. Ou seja, foi um empate, graças ao mercado interno. Somente no setor de hospedagem, entre 65% a 70% dos empreendimentos são micro e pequenas empresas, segundo cálculos do Sebrae.

“Os efeitos da crise internacional foram sentidos no começo do segundo trimestre de 2008, piorou no primeiro semestre de 2009 e começou a melhorar no semestre seguinte”, observa o diretor da Abav.

A expectativa para 2010 é muito boa, diz ele. “Quem deixou de viajar por algum motivo, no ano passado, vai viajar quando puder este ano”, prevê. A melhor condição socioeconômica do brasileiro é fator de confiança para o turismo nacional. “As pessoas estão sem medo de perder seus empregos. O comércio e a indústria estão vendendo mais e também está sobrando dinheiro para o turismo”, argumenta.

Pesquisas do setor apontam que geralmente as despesas relativas à prestação ou aluguel da casa e do carro, alimentação e escola dos filhos estão nessa ordem de prioridade das famílias. Turismo e lazer vêm em seguida, junto à aquisição de produtos eletro-eletrônicos, troca de automóveis, entre outros. “Temos de convencer nosso cliente que é melhor ele deixar de comprar uma geladeira de duas portas e viajar. Para a vida estressante que se leva nos dias atuais, nada melhor do que uma viagem para relaxar”.

Em relação à Copa do Mundo da África do Sul, que começa em 11 de junho, Rossi comenta que os negócios do setor serão positivos, apesar da FIFA, organizadora do evento, estar divulgando informações preocupantes sobre a baixa taxa de ocupação dos hotéis e meios de hospedagem em geral. “A África do Sul não é um país de fácil acesso e não conta com rede hoteleira no patamar dos países europeus. Eles têm uma rede hoteleira possível, mas as agências de viagem vão acabar fazendo promoções e lotando tudo”, garante.

Quanto aos preços de passagens e diárias estarem triplicados, Rossi afirma que esse é um fenômeno normal das copas. “Toda Copa triplica os preços nos países-sede”, informa. Isso ocorreu em todos os torneios anteriores. “A diferença em relação à África do Sul é que se trata de um país com poucas conexões e opções para outros passeios e destinos turísticos”, avalia. No caso da Copa da Alemanha, em 2006, aconteceu o contrário pelo fato de ter sido na Europa e a proximidade de outros países propiciou aos torcedores outras viagens e passeios interessantes.

De todo jeito, consumidores de Copa do Mundo são um público especial, acrescenta. Os custos são altos e só aficionados realmente encaram os preços para assistir os jogos. “Brasileiros não são grandes consumidores de Copa e Olimpíadas”, comenta o diretor da Abav.

Nas Copas do Mundo da França (1998) e do Japão/Coréia do Sul (2002), o número de torcedores brasileiros foi de cerca de 3,5 mil em cada evento. Na Copa do Mundo da Alemanha (2006), esse número dobrou e chegou a 7 mil. Quem mais viaja do Brasil para acompanhar o maior torneio de seleções do mundo são geralmente pessoas ligadas a clubes, associações esportivas e fanáticos por futebol, esclarece Rossi.

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Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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