Reclassificação hoteleira ganha força em Salvador

A reclassificação dará o equilíbrio de padronização entre as grandes redes e os pequenos e médios hotéis, que hoje não possuem os recursos de marketing

  
  

O projeto de reclassificação hoteleira proposto pelo Ministério do Turismo ganhou força esta semana em Salvador, durante encontro realizado para estabelecer critérios para os resorts.

Durante os dois dias do encontro, os representantes dos hotéis destacaram a importância do Brasil ter uma classificação que transmita informações exatas ao público, especialmente aos estrangeiros, que estão acostumados a fazer suas escolhas de acordo com as estrelas do estabelecimento.

Durante o encontro, os técnicos do Ministério do Turismo (MTur) apresentaram as premissas da nova reclassificação hoteleira, que será voluntária. O trabalho será desenvolvido por inspetores independentes e o registro terá validade de três anos. Serão avaliados a infra-estrutura de cada estabelecimento, bem como os serviços oferecidos e a sustentabilidade do empreendimento.

“É um instrumento de comunicação com o turista e com o mercado”, resumiu Ricardo Martini Moesch, Diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento do MTur.

“Apesar de acreditar que o mercado se regulamenta, a classificação era necessária, pois muitos se apropriaram da palavra resort e a usaram de forma indevida”, afirma Rubens Régis, Presidente da Associação Brasileira de Resorts.

“Hoje, qualquer hotel que tenha uma piscina e uma quadra de tênis, coloca uma placa de resort, prejudicando o consumidor”, comenta Rubens.

A reclamação é reforçada por Fernando Rios, Gerente Geral do Tivoli Ecoresort, empreendimento baiano de 292 apartamentos e 470 empregados.

“O resort é algo exclusivo e é uma palavra que exige responsabilidade para ser usada. Estamos criando as bases com os mínimos necessários para usar este título”, complementa Rios.

Para Jeferson Munhoz, Diretor Comercial do Club Med no Brasil, “toda normatização é importante, porque facilita o entendimento do público final sobre o que é oferecido”.

Segundo Munhoz, a reclassificação dará o equilíbrio de padronização entre as grandes redes e os pequenos e médios hotéis, que hoje não possuem os recursos de marketing e promoção das grandes redes, como o Club Med , que investe fortemente para difundir seus conceitos e diferenciais.

ABIH apóia normatização

Durante o encontro de Salvador, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) – que representa mais de 2,2 mil estabelecimentos, reiterou o apoio ao processo de reclassificação no Brasil.

“Temos que chegar a um consenso, pois temos Copa do Mundo e Olimpíadas pela frente”, lembrou Silvania Capanema, presidente da ABIH-MG e representante da direção nacional da entidade no Encontro de Salvador.

Segundo ela, as controvérsias que houveram no início do processo foram por desinformação. “Há mal entendidos porque a matriz anterior, durante 18 anos, não funcionou. Precisamos deixar o passado, porque a classificação é uma necessidade internacional”, afirmou Silvania.

O coro é reforçado por Rubens Régis, da Resorts Brasil: “A criação da nova classificação paga o preço de tudo o que existiu no passado, quando os processos foram distorcidos. Hoje, vemos um processo democrático, que ouve todos os segmentos”, reforçou Rubens.

“Antes de qualquer coisa, temos que admitir que a nova classificação hoteleira é importante. Temos que partir da premissa que é válida e que tem de ser respeitada. Hoje, todos os segmentos classificam seus produtos: o café, os vinhos, os carros, os restaurantes...”, declarou Luiz Blanc, Gerente Executivo da ABIH.

“Temos que ter uma clareza maior. Definir cada meio de hospedagem dentro das suas características. O mundo faz isso. O Brasil não pode ficar de fora”, acrescentou Carmélia Amaral, professora da Faculdade de Turismo da Bahia.

Para Domingos Leonelli, Secretário de Turismo da Bahia, a classificação vai possibilitar uma maior competitividade internacional. Durante o encontro, Leonelli chamou a atenção para a necessidade de uma fiscalização permanente após o processo de classificação.

O diretor do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch explicou que a fiscalização será realizada por funcionários das secretarias estaduais de Turismo, que serão devidamente capacitados para a atividade. Todo o processo será supervisionado por representantes das associações de classe.

Os encontros prosseguem dias 30 e 31 deste mês, em Cuiabá para Hotel Fazenda; dias 8 e 9/4, no Rio de Janeiro para Cama & Café; dias 15 e 16/4, em Ouro Preto para Hotel Histórico; dias 26 e 27/4, em Tibau do Sul(RN) para Pousada; dias 3 e 4/5, em Vitória (ES) para Flat e, dias 6 e 7/4, em Manaus para Hotel de Selva.

Fonte:Miron Neto

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