Pousada usa práticas sustentáveis para atrair turistas

Foi construída aproveitando a luz e a ventilação naturais da ilha, com paredes vazadas, feitas a partir de madeira de demolição ou de reflorestamento

  
  

Um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil, Fernando de Noronha, no litoral de Pernambuco, foi o cenário escolhido pela paulista Silvana Montenegro Rondelli para montar seu primeiro negócio.

Aos 39 anos e encantada com a beleza do local, ela abandonou a carreira de nutricionista para abrir uma pousada. Com o tempo, a Beco de Noronha passou a se diferenciar dos demais estabelecimentos da ilha pela sustentabilidade, que está presente em cada canto do empreendimento e que já faz parte da rotina dos hóspedes e dos sete funcionários. A preocupação com o meio ambiente vai desde o uso racional da energia até o manejo do lixo.

A proposta de um negócio sustentável em uma região de extrema beleza natural é um atrativo para os turistas, que não param de chegar desde que a pousada abriu as portas, em outubro de 2003. Na época, só havia três quartos disponíveis.

Hoje, são seis suítes disputadas por brasileiros e estrangeiros que querem desfrutar do famoso arquipélago e, ao mesmo tempo, preservar o frágil equilíbrio ecológico do lugar.

A pousada foi construída aproveitando a luz e a ventilação naturais da ilha, com paredes vazadas, feitas a partir de madeira de demolição ou de reflorestamento. Já a água utilizada no estabelecimento é aquecida com energia solar.

Mesmo com tantas inovações, Silvana conta que ainda faltavam algumas medidas para aumentar a eficiência energética, que só foram adotadas depois que ela participou do curso Programa de Redução de Desperdício do Sebrae, realizado em 2006.

“Sempre estive em sintonia com a preservação do meio ambiente. Eu, os hóspedes e o planeta saímos ganhando”, enfatiza.

O uso racional da água e da energia começou com a adoção de medidas simples. Silvana instalou placas informativas em todas as torneiras e chuveiros sobre a importância de economizar água.

Além disso, claraboias no teto da cozinha e do escritório garantem a ventilação e a entrada de luz natural. Na área social, foram colocadas telhas de vidro. Resultado: a conta de luz baixou e os lucros subiram.

Parecem medidas de pouco impacto, mas em um ecossistema como o de Fernando de Noronha, onde a presença do homem vem provocando forte interferência ambiental, elas são fundamentais para diminuir a pressão sobre os recursos naturais.

“Vou continuar nessa linha de melhorar o desempenho econômico e ambiental do meu negócio, porque minha diferença está aí”, diz.

Medidas:

Silvana relata que as medidas mais recentes foram a instalação de um chaveiro economizador de energia, com sensores nos quartos; substituição dos vasos sanitários comuns por mais modernos, de dupla função, que acionam diferentes volumes de água; instalação de equipamentos de ar-condicionado de alta eficiência energética; e uso de sensores de presença em toda a pousada.

A empresária destaca ainda que instalou lâmpadas mais econômicas em todos ambientes. A água usada na lavanderia também é tratada para ser reaproveitada nos vasos sanitários.

Quando, recentemente, teve que construir duas passarelas para facilitar o trânsito dos hóspedes, a proprietária utilizou restos de garrafas de vidro misturadas a uma massa feita de solo argiloso na pavimentação. Na cozinha foi instalado um novo exaustor eólico. “Em breve, a Beco de Noronha será totalmente sustentável”, garante.

A preocupação com o lixo é constante, já que o sistema de coleta da ilha é ineficiente. Os resíduos deveriam ser transportados para o continente, o que, na prática, nem sempre acontece. Por isso, a ordem é produzir a menor quantidade de lixo possível. Assim, a empresária substituiu o adoçante em sachê pelo líquido e o açúcar, só em açucareiros.

O mesmo princípio vale para todos os produtos consumidos na pousada: quanto menos embalagens, menos lixo. A coleta é seletiva e o material reciclável se transforma em peças de artesanato nas mãos da empresária. Silvana reaproveita recipientes usados para confeccionar bonecas e outros adornos feitos de vários materiais, como garrafas pet e papel machê.

“O sucesso é grande entre os hóspedes, quase todos levam uma peça de recordação ou para dar de presente”, comemora. As peças artesanais também são utilizadas na decoração da pousada.

A taxa média de ocupação da Beco de Noronha fica em torno de 85%, mas a pousada costuma ficar lotada nos meses de verão. O faturamento anual chega a R$ 500 mil, um aumento considerável se comparado ao registrado no início da empresa, R$ 96 mil.

“Sinto que estou no caminho certo. Sustentabilidade e preservação do meio ambiente não são modismos, são ferramentas para bons negócios”, conclui.

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Fonte: Sebrae

  
  

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