Certificação é a base para expandir mercado de aventura nacional

ABETA entrevista José Augusto de Abreu, diretor da Sextante Ltda, consultor especialista em normalização e certificação em Turismo de Aventura Um tema que vem sendo amplamente debatido entre empresários e profissionais env

  
  

ABETA entrevista José Augusto de Abreu, diretor da Sextante Ltda, consultor especialista em normalização e certificação em Turismo de Aventura

Um tema que vem sendo amplamente debatido entre empresários e profissionais envolvidos no segmento de Turismo de Aventura: a certificação de operadoras e de condutores. O processo de criação das Normas Técnicas e as ações do Programa Aventura Segura têm mobilizado especialistas preocupados com a oferta segura e responsável de atividades no País. O assunto ainda é polêmico, pois visa uma intensa transformação no cenário de Turismo de Aventura nacional. No entanto, muitos concordam em um ponto: o Brasil deveria estar na rota mundial de aventura. Mas, a segurança é o principal entrave para que o País desenvolva esse enorme potencial. Atrações não faltam, já que as belezas naturais se encarregam de atrair turistas e praticantes de atividades.

Quando o assunto é certificação, o nome do especialista José Augusto de Abreu, diretor da empresa de consultoria Sextante Ltda, não poderia deixar de ser mencionado. Referência no setor de turismo, desde 2003, o consultor vem contribuindo para a reflexão sobre segurança no segmento de aventura. Nos últimos dois anos, ele vem trabalhando na concepção e desenvolvimento das Normas Técnicas e no desenvolvimento de processos de avaliação da conformidade – certificação e acreditação dos organismos de certificação – associados e, mais recentemente, na concepção e implementação de ações de disseminação, difusão e capacitação das normas. Nesta entrevista, José Augusto ressalta o potencial nacional e como a certificação pode beneficiar operadoras e profissionais. “As normas contribuem para a consolidação e disseminação das tecnologias apropriadas, tornando-as acessíveis às empresas e aos usuários. Por ser uma ferramenta estruturante, vai além das questões meramente técnicas, funcionando com um dos alicerces para o desenvolvimento do mercado”, comenta o consultor da ABETA.

Como avalia a certificação para o segmento de Turismo de Aventura" Trata-se de um processo essencial"

Penso que a normalização para o Turismo de Aventura é uma ferramenta extremamente importante que proporciona referências objetivas e diretrizes técnicas para o desenvolvimento e progresso do segmento. A partir dela pode-se assegurar aos clientes e à sociedade de uma forma geral uma operação segura e responsável, o que é fundamental para o desenvolvimento empresarial.

A certificação possibilita sistematizar a implementação das normas, contribuindo para a capacitação de empresas e profissionais, distinguindo perante aos consumidores, o governo e a sociedade de uma forma geral aqueles que têm como regra uma prática segura e responsável. A certificação ajuda ainda consumidores a decidirem que serviços comprar, permitindo ações de promoção, além de orientar benefícios e mesmo ações de apoio ao segmento. Assim, a normalização e a certificação são ferramentas essenciais para desenvolver o segmento e ajudar empresários a aumentarem resultados em seus negócios.

O que a certificação mudará no segmento"

A certificação trará mais responsabilidade e profissionalismo. Com ela, as empresas podem orientar seus planos de desenvolvimento. A certificação provocará uma diferenciação positiva no mercado, destacando e promovendo os empresários e profissionais comprometidos com o profissionalismo e as práticas responsáveis e seguras, focalizados na segurança dos clientes.

Que tipo de segurança o empresário pode contar sendo certificado ou possuindo um selo de qualidade, por exemplo"

Terá o reconhecimento público e formal por parte de um organismo técnico independente e reconhecido de que adota práticas e métodos seguros, de que toma todas as medidas razoáveis e consagradas para prevenir acidentes e de que tem riscos controlados. Desta maneira, a certificação é também uma forma de proteção para empresários e profissionais.

Mesmo acontecendo um acidente, uma vez que os riscos nunca são nulos, a empresa certificada (ou o profissional certificado) tem a segurança de uma atestação pública de que cumpre e adota as boas práticas consagradas.

Qual a importância das certificações para as empresas e entidades de classe brasileiras"

Para as empresas é uma ferramenta de competitividade, tanto no mercado nacional quanto no mercado internacional, ajudando a promover boas organizações, distinguindo-as positivamente daquelas que não estão certificadas. Assim, a certificação funcionará como um patamar mínimo de competição, combatendo a concorrência predatória e desleal.

A certificação auxilia uma empresa, por exemplo, nas relações com bancos, seguradoras e outros órgãos e autoridades. Provavelmente, a certificação, em determinadas situações vai ser um requisito mínimo para operar, de tal forma que quem não estiver certificado poderá ficar à margem do mercado.

No que se refere às entidades de classe, a certificação é um excelente meio de promover o desenvolvimento do setor, pela via do profissionalismo, encorajando a formalização dos negócios, a atividade responsável e segura e o desenvolvimento empresarial. Hoje, são conhecidos os prejuízos que operações inseguras e amadoras têm causado ao setor e aos vários destinos onde ocorreram acidentes, prejudicando quem opera corretamente. A certificação não vai eliminar os acidentes, mas vai sem dúvida sinalizar com muita força aos consumidores quem está trabalhando direito e seriamente.

Acredito inclusive que contribuirá muito para diminuir a absurda pressão sobre os preços provocada pelos maus empresários e amadores que reduzem custos às custas da segurança de clientes e de seus trabalhadores.

E quanto ao consumidor ou turista, o que eles ganham com isso"

Eles ganham uma poderosa ferramenta para escolher entre quem se preocupa com a segurança e a qualidade da experiência turística e aqueles que apenas estão irresponsavelmente pondo sua vida em risco. Desta forma, poderá mesmo avaliar os preços dos produtos e a segurança oferecida.

A certificação possibilitará separar o mercado entre quem tem demonstrado e assegurado a prática responsável e aqueles de quem não se pode afirmar nada (como a certificação é voluntária, não estar certificado não significa necessariamente que não se tem um bom produto).

A certificação pode excluir várias organizações de um mercado como o de Turismo de Aventura. Como vê essa questão"

Penso que, por se tratar de pôr em risco a vida de pessoas, não se pode tolerar a atuação de empresas ou profissionais irresponsáveis. Como tudo na vida, há pessoas competentes e incompetentes. Os incompetentes deveriam estar trabalhando em outras atividades que não colocassem em risco a vida de pessoas. Por esta razão, acredito que as empresas e profissionais “ruins” deveriam mesmo mudar de ramo.

Dito isto, acrescento que todos os cuidados estão sendo tomados para que o processo de normalização e o de certificação sejam implementados da forma mais inclusiva possível, de modo a não deixar ninguém de fora. A medida deve ser a competência e não o porte das empresas. Uma preocupação do Projeto de Normalização e do Programa Aventura Segura, desde o início, é com as micro e pequenas empresas, que representam a maioria do setor, e com os profissionais. Dessa forma, mobilizações e apoios de organizações e entidades como o Sebrae Nacional e o próprio Governo Federal / Ministério do Turismo são essenciais.

O grande desafio é a capacitação do setor, das empresas e dos profissionais. E o objetivo é ter um segmento fortalecido, reconhecido e competitivo, proporcionando produtos seguros e viáveis economicamente, além de experiências prazerosas e recompensadoras ao consumidor.

______
FOnte: ABETA

  
  

Publicado por em