Certificação garante expansão do Turismo de Aventura brasileiro no exterior

O número expressivo de áreas naturais, reservas e parques nacionais e estaduais fazem do Brasil um país abençoado quando o tema é atividades de Turismo de Aventura. Dessa forma, fica a dúvida: por que o produto

  
  

O número expressivo de áreas naturais, reservas e parques nacionais e estaduais fazem do Brasil um país abençoado quando o tema é atividades de Turismo de Aventura. Dessa forma, fica a dúvida: por que o produto aventura nacional não é destacado no exterior" “Países como Nova Zelândia e Costa Rica vêm explorando de maneira muito profissional o segmento e o Brasil infelizmente não apresentava condições competitivas. Nesse nicho de mercado, questões como segurança e profissionalismo são fundamentais”, explica Maria Luisa Leal, Secretária Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo do Ministério do Turismo. Entretanto, ela salienta as mudanças que vêm acontecendo a partir de 2003 com o Projeto de Normalização e as ações do Programa Aventura Segura, projeto realizado em parceria com a ABETA e que conta com apoio do Sebrae Nacional.

Por que o segmento de Turismo de Aventura brasileiro está entre as prioridades do Ministério do Turismo"

Os operadores internacionais quando vão formatar seus pacotes precisam de informações precisas sobre as regras de segurança e sobre os produtos. Os turistas que viajam de maneira independente, e hoje são muitos, buscam na Internet informações sobre os produtos e comparam com facilidade na hora da decisão de compra. Sem uma oferta qualificada é impossível competir nesse mercado, mesmo com a diferenciada e diversificada oferta de atrativos naturais do País.

Além disso, existe um outro espaço importante para o Turismo de Aventura que é a conquista do turista de outros segmentos. Pessoas que atraídas ao destino turístico por outras motivações, ao encontrarem uma oferta de atividades segura e adequada, podem se iniciar no segmento. Se a experiência for boa e prazerosa, certamente o turista buscará por outros destinos ou outras atividades diferentes no mesmo destino. Quando as atividades são feitas de maneira segura e controlada, o Turismo de Aventura possibilita interação com a natureza e superação de desafios, podendo ser exercido pela maioria dos turistas.

O produto aventura brasileiro é ofertado no exterior" Existe alguma campanha por parte do Ministério do Turismo ou Embratur que visa apresentar os roteiros nacionais de aventura em âmbito internacional" Como isso vem sendo trabalhado"

A presença de produtos brasileiros de aventura no exterior ainda é muito tímida, exatamente pelos problemas já citados. O Ministério do Turismo vem trabalhando, desde 2003, na construção de um amplo Programa para o segmento. Definiu-se em parceria com o setor privado, o modelo de normalização a ser adotado, construiu-se normas brasileiras de segurança, inseriu a certificação no turismo de aventura como prioridade para o Sistema Brasileiro de Certificação, desenvolveu-se regulamentos para que o INMETRO possa avaliar conformidade de organismos certificadores, e por fim um amplo programa de profissionalização para o setor, denominado Aventura Segura, que vem sendo implementado pelo Ministério em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Turismo de Aventura (ABETA) e apoio do Sebrae.

O Programa Aventura Segura está sendo implantado em 15 destinos turísticos brasileiros, selecionados entre os 48 roteiros turísticos brasileiros que ofertam turismo de aventura. Nestes destinos estão sendo desenvolvidas ações voltadas ao fortalecimento do setor, à qualificação profissional, à assistência técnica de empresas para que passem adotar um Sistema de Gestão da Segurança, subsídio à certificação de condutores e empresas, apoio técnico com equipamentos para criação de Grupos Voluntários de Busca e Salvamento. Como podem ver, o segmento é trabalhado em todos os seus pilares de sustentação para que possa ofertar produtos de qualidade. O estímulo ao associativismo e cooperativismo, a formação empresarial e dos condutores, bem como a implantação de Sistema de Gestão da Segurança dentro das empresas são ofertados de maneira subsidiada.

Prevê-se que até o segundo semestre desse ano já existam condutores e empresas certificadas, e aí sim o Ministério e a Embratur poderão trabalhar de maneira incisiva na promoção interna e externa do segmento, bem como na conscientização dos turistas para que exijam a certificação tanto de condutores, como de consumidores.

A certificação será voluntária, mas as empresas que não estiverem certificadas estarão fora de qualquer incentivo ofertado pelo Ministério e Embratur. Os empresários que quiserem permanecer no mercado terão que adotá-la, pois sem ela dificilmente sobreviverão.

Um dos grandes problemas do segmento é a falta de conscientização do consumidor, que muitas vezes seleciona uma empresa pelo preço. Existe alguma ação por parte do Ministério do Turismo para conscientização das pessoas"

Está prevista uma ampla campanha de conscientização do consumidor logo que se tenham empresas certificadas. Além disso, várias tentativas estão sendo feitas com empresas responsáveis pela elaboração de guias turísticos, como o Quatro Rodas, por exemplo, para que passem a diferenciar produtos que contam com condutores e empresas certificados.

O trabalho que vem sendo realizado no Brasil teve como base levantamentos de vários países com amplo mercado para atividades de aventura como Nova Zelândia, Austrália e Costa Rica. Qual país melhor se assemelha à realidade nacional"

Na verdade o modelo de nenhum desses países pode ser considerado referência para o sistema desenvolvido no Brasil. O conjunto de iniciativas adotadas nesses países, aliado à análise da realidade brasileira (dimensão territorial, diversidade de áreas naturais, possibilidade de fiscalização, organização dos segmentos esportivos, etc) foi determinante para a decisão do Ministério do Turismo de desenvolver um sistema público, não estatal e voluntário, bem como para criar um Programa de Qualificação e Certificação para o Turismo de Aventura.

O Brasil tem forte tradição e reconhecimento internacional em normalização e certificação em diversos setores. O arcabouço institucional necessário ao desenvolvimento do sistema para o turismo já se encontrava estruturado, o que precisávamos fazer era introduzir o turismo nesse sistema e desenvolver as normas técnicas necessárias para fazê-lo funcionar. Isso já foi feito. Agora estamos na fase de qualificar empresas e pessoas para operarem de acordo com as normas e posteriormente promover o turismo de aventura responsável e seguro para alcançar bons resultados com competitividade no mercado internacional.

Fonte: ABETA

  
  

Publicado por em