Passos para a profissionalização no turismo

Alex Canziani * Passou quase incógnita a vigência da Lei nº 11.260, que instituiu 2006 como o Ano do Turismo. A iniciativa tinha como objetivo divulgar o produto turístico nacional e estimular o turismo interno. O tema, no enta

  
  

Alex Canziani *

Passou quase incógnita a vigência da Lei nº 11.260, que instituiu 2006 como o Ano do Turismo. A iniciativa tinha como objetivo divulgar o produto turístico nacional e estimular o turismo interno. O tema, no entanto, acabou sendo considerado de menor importância pelo grande público. Mas não por parlamentares e empresários do setor, que conhecem sua importância social e econômica. De fato, a indústria turística é um dos segmentos mais pujantes da economia, apesar dos apagões aéreos e de outras ocorrências recentes.

Para se ter uma idéia da importância do setor, basta avaliar alguns números. O faturamento global do turismo alcança US$ 5 trilhões por ano. E pelo menos 230 milhões de postos de trabalho são criados por causa da crescente demanda por serviços turísticos.

O problema é que essa pujança não se distribui de maneira igual pelo mundo. Vai longe o tempo em que a atividade turística se resumia a belas paisagens cercadas de amadorismo por todos os lados. No competitivo e globalizado mercado da atualidade, só há lugar para os países que se preocupam com a profissionalização dos serviços, da administração, do planejamento e do desenvolvimento do setor.

E o que significa, exatamente, profissionalizar a indústria turística" Significa estar atento a um conjunto de medidas que inclui qualificar mão-de-obra, investir em infra-estrutura e divulgar de forma inteligente seus atrativos. Isso sem falar na capacidade de traçar estratégias para conquistar mercados turísticos.

É necessário, ainda, usar o melhor da inteligência e dos recursos humanos e financeiros para ajudar a expandir o setor. Em resumo, estamos falando de dar a devida importância ao nosso terceiro maior ''''produto'''' de exportação na balança comercial e de serviços.

Sem dúvida, a boa vontade do Criador ainda é condição necessária para a construção de uma potência turística, mas apenas contar com belezas naturais não é mais suficiente. Urge passar do período amador para o profissional.

Gostaríamos de destacar três aspectos distintos que bem ilustram o quanto ainda temos de avançar nesse quesito. Em primeiro lugar, ressaltamos a tramitação no Congresso Nacional de diversas propostas relativas à regulamentação da profissão de turismólogo. Em segundo, vem a necessidade de maior profissionalização no turismo de eventos. No Brasil, o impacto desse segmento - constituído por cerca de 400 organizadores de eventos - é estimado em US$ 1 bilhão, chegando a uma receita tributária perto de US$ 100 milhões. Por fim, precisamos nos lembrar de solucionar uma das principais queixas dos estrangeiros: a falta de sinalização turística.

Sim, é isso mesmo! Não nos referimos aos tão divulgados problemas de segurança pública. São deficiências prosaicas, relativamente simples, de fácil correção, mas que só podem ser identificadas e superadas em um panorama de administração verdadeiramente profissional.

Deixamos aqui o nosso alerta sobre a necessidade urgente de rejeitarmos de vez o amadorismo. Precisamos abraçar a profissionalização na indústria turística .

* Alex Canziani (Deputado federal pelo PTB-PR e presidente da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento do Turismo do Congresso Nacional)

Fonte: O Estado de S.Paulo

  
  

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