Setor festeja crédito para aposentado

Marta Suplicy deve divulgar ainda nesta semana detalhes do projeto Camila Anauate Dida Sampaio/AE http://www.estadao.com.br/banco/img/livre/2007/04/1042007041015212015ministerio.jpg O próximo passo é negociar com as operadoras a

  
  

Marta Suplicy deve divulgar ainda nesta semana detalhes do projetoCamila Anauate

Dida Sampaio/AE

http://www.estadao.com.br/banco/img/livre/2007/04/1042007041015212015ministerio.jpg

O próximo passo é negociar com as operadoras a redução do preço dos pacotes para criar produto social

SÃO PAULO - Depois de investir pesado na divulgação da imagem do Brasil no exterior, o Ministério do Turismo traçou novos rumos para sua política. O fortalecimento do mercado doméstico e o chamado turismo social (ou turismo de baixo custo) são agora as prioridades da ministra Marta Suplicy, que prometeu colocar o lazer turístico na “cesta básica” do trabalhador.

Marta lançou a primeira idéia logo ao assumir o cargo, no fim do mês passado: o crédito consignado para pacotes turísticos de aposentados. A ministra já se reuniu com a Caixa Econômica Federal e a Previdência e acertou detalhes do projeto, cujo primeiro esboço deve ser divulgado ainda nesta semana. Sabe-se, no entanto, que os aposentados poderão comprar pacotes para viagens no Brasil e pagar em parcelas - de 6 a 24 meses -, com desconto direto na folha de pagamento. Os juros do financiamento ficarão entre 1,3% e 2,41% ao mês.

O próximo passo, segundo a ministra, é negociar com as operadoras a redução do preço dos pacotes para, assim, criar um produto social. “A Marta teve grande sensibilidade de lançar um projeto que incorpora um novo público ao mercado e incrementa o turismo doméstico”, diz o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), José Zuquim. “E é de mais público que os operadores precisam.”

Os beneficiados em questão comemoram o projeto. “A idéia é positiva. Tudo que fizerem para melhorar a condição dos aposentados é bem-vindo”, afirma o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical, João Batista Inocentini. Ele espera ter uma reunião com a ministra para poder sugerir idéias para o programa.

Uma delas é fazer parceria com as prefeituras dos destinos. Outra trata de incluir as colônias de férias do sindicato na lista das viagens. “Em vez de ficarmos em hotéis caros, podemos usar nossas colônias”, diz Inocentini. “Com um sistema integrado, a viagem sairá mais barata para o aposentado.”Poréns

As vantagens do crédito consignado são indiscutíveis. “Como a linha de risco é baixa, é possível lançar pacotes com parcelas a longo prazo e com taxas de juros mais baixas”, explica o presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira. “O projeto possibilita o acesso do aposentado ao mercado.”

A grande questão da proposta, segundo Oliveira, é que a facilidade pode induzir os viajantes ao endividamento. “Há risco de o aposentado adquirir dívida acima da sua capacidade de pagar.” Para ele, o ministério deve impor condições, como limitar o gasto com pacotes a até 30% do valor do benefício mensal.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), João Martins, levanta outra questão: as taxas de juros, que ele considera exorbitantes. “O programa é inovador. Mas é preciso sensibilidade social na cobrança dos juros ou o produto não será reconhecido como social, mas apenas como mais um ganho bancário.”

Políticas

A inclusão de aposentados e pensionistas na cadeia do turismo é apenas um dos eixos do projeto de fortalecimento do mercado interno. Segundo o secretário Nacional de Políticas de Turismo, Airton Pereira, outros segmentos que viajam pouco, mas que têm potencial, estão no foco do programa. É o caso de portadores de necessidades especiais e estudantes.

Segundo Pereira, o ministério está levantando informações para decidir que linha devem seguir os novos projetos. “O caso dos deficientes não é de financiamento, mas de adequação da oferta, dos destinos e dos transportes às necessidades desse público.” Para os estudantes, a proposta é lançar o Conheça o Brasil e fazer acordos com escolas públicas e particulares para a venda de pacotes com custos reduzidos e financiamento pela Caixa.Vai Brasil

Primeiro produto do Ministério do Turismo com conotação social, lançado em junho do ano passado, o Vai Brasil será integrado aos novos programas da pasta. Hoje, o Vai Brasil oferece pelo site pacotes mais baratos para os períodos de baixa ocupação.

“Todo projeto de promoção para um determinado setor será direcionado para aquisição dentro do Vai Brasil”, explica o secretário Airton Pereira. “O site é uma ferramenta à qual todas as operadoras têm acesso e onde as empresas podem ofertar seus produtos.”

“A única ressalva é que o Vai Brasil ainda não está tendo bons resultados”, lembra o presidente da Abav, João Martins. De acordo com ele, o programa não está sendo bem compreendido. “Muitos turistas não podem ou não querem viajar nos períodos de baixa ocupação”, diz Martins. “Mas o importante é que o desafio foi lançado pela ministra Marta Suplicy e cabe ao mercado a responsabilidade de cumpri-lo.”Crédito Consignado

O financiamento de pacotes turísticos para aposentados poderá ser feito de 6 a 24 meses

Os juros variam de 1,3% a 2,41% ao mês, conforme acordo com a Caixa Econômica Federal

O desconto será feito diretamente na folha de pagamento

As agências receberão o valor total da venda à vista

Fonte: O Estado de São Paulo

  
  

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