Siga os passos de Hitler e conheça a história das multinacionais que flertaram com o Nazismo

Nos 70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, a cidade de Munique oferece um roteiro pelos locais onde foram decididos os rumos da humanidade naquela época. Também conheça as multinacionais que apoiaram o regime nazista

  
  
Soldados nazistas marcham durante um comício do partido, em 1934

O dia 8 de maio de 2015 marca o aniversário de 70 anos do final da 2ª Guerra Mundial, no continente europeu. Nesta data o mundo voltará a se recordar de um dos momentos mais vergonhosos da história da humanidade, o Nazismo. O regime, que comandou a Alemanha entre 1933 e 1945, dominou boa parte da Europa durante a guerra, porém não resistiu ao avanço das tropas Aliadas.

O confronto que matou mais de 60 milhões de pessoas, entre elas seis milhões de judeus, começou muito antes do início das batalhas, em 1939. A 2ª Guerra Mundial é uma consequência direta do desfecho da 1ª Guerra, com a rendição da Alemanha. O país que possuía altas taxas de desemprego, hiperinflação e uma população humilhada pelas exigências dos vitoriosos foi facilmente manipulado pelo então líder da Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista. O desfecho desta história é famoso, mas o pouco divulgado é como o partido comandado por Adolf Hitler cresceu através do dinheiro que vinha pela excelente relação que possuía com as grandes empresas que ainda hoje existem.

Passos de Hitler

O campo de concentração de Dachau foi responsável pela morte de aproximadamente 30 mil judeus

Conhecido como 'Rota de Hitler', o percurso passa pelos principais locais que eram frequentados pelo líder nazista, em Munique. Por questões de segurança estas áreas ficavam próximas e sempre separadas por poucas quadras de distância. Atualmente, o percurso pode ser realizado a pé ou de bicicleta e possui diversos locais históricos que ganharam relevância ao longo do governo nazista.

O caminho começa com uma visita pela Praça Königsplatz que foi o coração do poder do 3º Reich e palco dos famosos desfiles militares do partido. Ao leste da praça fica o Führerbau que era o edifício onde Hitler despachava. O local também possuía escritórios de outros líderes do partido. Ao lado do gabinete do Fuhrer ficava o Verwaltungsbau que era um galpão onde eram armazenadas as obras de artes 'recuperadas' (roubadas) pelo regime nazista. Hoje, o prédio abriga a administração dos museus de Munique.

Conhecida como 'Casa Marrom', a Das Braune Haus foi a sede do partido nazista na cidade e acabou completamente destruída durante a 2ª Guerra Mundial. O local só foi redescoberto em 2006, durante escavações na região. Havia um túnel com aproximadamente 500 metros de extensão que ligava o imóvel ao prédio do escritório de Hitler, o Führerbau.

Outro lugar importante é o monumento 'Propyläen' que ficou ainda mais famoso após ser usado como ponto de referência pelo regime nazista na queima de livros 'imorais'. A imoralidade das publicações estava no fato delas serem escritas por judeus. O local foi utilizado diversas vezes para 'educar' os alemães sobre quais deveriam ser suas leituras corretas.

Localizado mais ao leste da Praça Königsplatz, o Residenz foi a residência oficial da realeza alemã, mas durante o período nazista, o palácio foi sede da Gestapo. A organização era uma polícia política do regime que possuía entre outras tarefas, a perseguição e eliminação de judeus.

O campo de concentração de Dachau foi o primeiro a ser construído pelos nazistas e está localizado a cerca de cinco quilômetros do centro de Munique. No auge de sua lotação chegou a aprisionar mais de 200 mil pessoas que viviam em condições sub-humanas e de escravidão. O local funcionou entre 1933 e 1945 e foi responsável pela morte de mais de 30 mil judeus.

Nazismos x Grandes empresas
Para crescer e se manter no poder ao longo de mais de uma década, o partido contou com o apoio financeiro de gigantes da época e até usou suas tecnologias para agilizar o extermínio de judeus. Nos casos das empresas norte-americanas de refrigerante e tecnologia, mais especificamente a Coca-Cola e IBM, ambas perderam o controle de suas subsidiárias na Alemanha com o início da Guerra, que passaram a trabalhar sob ordens do regime nazista. Já a situação da tradicional gigante do ramo alimentício, a Nestlé, foi mais delicada, pois ela cooperou e financiou diretamente o governo de Hitler.

Coca-Cola
Com a perda do controle de sua subsidiária na Alemanha para o regime nazista, a Coca-Cola viu suas fábricas serem usadas para servirem ao governo local e ajudarem no projeto de poder de Hitler. O país europeu era o segundo maior consumidor do refrigerante da marca no mundo, porém com o início da guerra foi cortado o envio de matéria prima a nação europeia. Sem ter como produzir Coca-Cola, a subsidiária alemã inventou um novo refrigerante de laranja, apelidado de 'Fanta'. Na época, foi utilizada mão de obra escrava na fabricação da bebida pelo governo nazista. A empresa se desculpou publicamente após o final da guerra, porém manteve a venda do refrigerante sabor laranja.

A cidade de Munique foi a capital do poder nazista e a Praça Königsplatz era o coração do 3º Reich

IBM
O caso da IBM é mais complicado, pois há provas documentais sobre o envolvimento do seu então CEO, Thomas J. Watson, com o regime nazista. O livro “IBM and the Holocaust” (“IBM e o Holocausto”, em português) escrito por Edwin Black afirma que a empresa apoiou o extermínio de judeus com máquinas que facilitavam a catalogação das vítimas e seu posterior extermínio. A empresa alega que perdeu o controle da subsidiária alemã após a intervenção nazista.

Nestlé
A Nestlé é outro exemplo de grande corporação que soube usar a guerra e sua proximidade com o nazismo para lucrar. A companhia alimentícia fez generosas doações ao partido e conseguiu ampliar suas fábricas nos países invadidos pelo regime. Também há relatos da empresa ter usado mão de obra forçada em sua produção. Poucos anos atrás, a Nestlé indenizou em mais de R$ 90 milhões os sobreviventes do holocausto, além de organizações judaicas. A empresa também se desculpou publicamente pelas suas atitudes do passado.

Dr. Oetker
O caso da empresa alemã de produtos alimentícios é considerado um dos mais emblemáticos. O seu ex-presidente, Rudolf-August Oetker foi membro do partido, defensor do holocausto e um dos maiores financiadores do regime nazista. A empresa também utilizou mão de obra escrava em suas fábricas durante o período. Neste caso, estas informações não foram divulgadas pela imprensa e sim pela própria Dr. Oetker. O atual presidente da companhia e filho do acusado, August Oetker, foi o responsável pela investigação interna que levantou as sérias acusações contra seu pai.

  
  

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