?A Origem do Caos Aéreo no Brasil? foi tema de palestra no Rio de Janeiro

“A Origem do Caos Aéreo no Brasil”, esse foi o tema da palestra do presidente da Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional (Bito), Roberto Dultra, apresentada na segunda (10.09), no campus Ipanema da UniverC

  
  

“A Origem do Caos Aéreo no Brasil”, esse foi o tema da palestra do presidente da Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional (Bito), Roberto Dultra, apresentada na segunda (10.09), no campus Ipanema da UniverCidade, em evento organizado pela Escola de Hotelaria e Turismo.

Convidado a refletir sobre o papel da Anac e os impactos do apagão aéreo no turismo brasileiro, Dultra aproveitou a oportunidade para evidenciar aquela que o dirigente julga ser a principal razão da crise: a falta de interesse do Governo Federal em tomar as medidas necessárias à modernização do setor da aviação civil no Brasil. “E faço questão de esclarecer que não me refiro ao Governo Federal do presidente Lula, mas sim a todos os governos federais dos últimos 20 anos”, explicou.

Dultra lembrou da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), maior agência do sistema da ONU, com sede em Montreal, Canadá. Criada em 1948 por causa do forte crescimento da aviação civil após a 2ª Guerra Mundial, a OACI surge com o objetivo de desenvolver essa indústria sem as limitações do sistema militar sob o qual ela se encontrava. A entidade foi responsável pela estruturação do setor no pós-guerra, incluindo manuais de certificação de aeronaves, construção de aeroportos, sinalização de pistas de pouso, currículo dos cursos de pilotos e de controladores de vôos, normas de controle de vôos, etc.

“Essa iniciativa foi copiada por todos os países do mundo, com exceção do Brasil e de Uganda, os dois únicos onde a aviação civil continua, até hoje, sob o controle dos militares. Devido ao nosso passado de ditadura militar, a aviação nunca saiu das mãos dos militares. A própria Anac está abaixo do Ministério de Defesa. De civil só tem fachada”, enfatizou.

De acordo com Dultra, a OACI é bem clara em suas recomendações quanto à necessidade da aviação civil estar separada dos militares, “mas infelizmente ela não é um órgão encarregado de fazer cumprir suas recomendações. Os países são soberanos e podem seguir ou não as suas recomendações”, explicou. Visando a melhoria de toda a infra-estrutura da aviação civil no Brasil, o Governo Brasileiro, membro da OACI, chegou a encomendar um projeto à agência em 1987.

“A essa altura, os avanços tecnológicos nessa área já eram enormes e o Brasil estava ficando para trás”, destacou Dultra. A OACI reuniu uma equipe de peritos de vários países e criou um projeto denominado PROJETO PNUD/OACI/BRA/87/001, cujo centro de operações foi instalado no Rio de Janeiro, junto ao DAC no aeroporto Santos Dumont.

Na época, esse era o maior projeto que a OACI tinha no mundo em termos de verba e de objetivos - o maior deles era a criação de uma escola de aviação civil pra formar pilotos, controladores de vôos e administradores de aeroportos, todos civis, e poder fazer uma transição gradual do controle dos militares para os civis.

Segundo o presidente da Bito, o projeto, que visava a reformulação e a modernização de todo o sistema aéreo no Brasil, foi paulatinamente desmantelado e desvirtuado assim que os militares perceberam que, em quatro anos, com a formação dos primeiros grupos de profissionais, começariam a perder o controle que tinham sobre a aviação civil, inclusive as regalias resultantes da concessão dos direitos de rotas, em “parceria” com a Varig.

“Todo o conhecimento e know-how gerados por aquele projeto continuam nas mãos da Aeronáutica, mas nada foi implementado para modernizar o setor de transporte aéreo no Brasil, para garantir a segurança de passageiros, o crescimento do turismo e o desenvolvimento do país”, acrescentou.

Todos os países membros contam com uma delegação permanente na sede da OACI em Montreal para se manterem informados de todos os avanços do setor. O representante do país participa de conferências, sessões de trabalho, palestras, cursos e se encarrega de dar o devido retorno, informando a administração da aviação civil de seus respectivos governos.

“Há décadas o Brasil mantém sua delegação em Montreal e o pessoal é trocado de cinco em cinco anos, mas todos os privilegiados são Tenentes-Coronéis da Aeronáutica, nomeados por Brigadeiros”, informou o dirigente.

“Não critico o fato do Brasil manter uma delegação na OACI em Montreal. Isso é fundamental para nos mantermos a par das inovações no âmbito da aviação civil. As perguntas que me angustiam são: o que está fazendo a Aeronáutica com todo o conhecimento que obtém através dessa delegação permanente em Montreal"

Até quando será permitido à Aeronáutica manter esse “monopólio do conhecimento” sem qualquer aplicação que resulte em melhorias do setor aéreo em nosso país"

Como se explica o fato da Embraer, quarta maior fabricante de aviões civis do mundo, não conseguir vender aeronaves para companhias aéreas brasileiras, apesar de seu grande sucesso mundial" Como podemos apostar no desenvolvimento desse país se a aviação civil é um verdadeiro caos"”, indagou Dultra.

Segundo o presidente, a falta de atenção do governo permite que as empresas aéreas nacionais, por pura ganância, operem com aviões cada vez maiores e mais pesados em aeroportos que deveriam ser restritos a aeronaves mais leves.

“O resultado todos nós assistimos, ao vivo e a cores, estarrecidos, no último dia 17 de julho. Que Deus ilumine nosso novo, ilustre, experiente e esclarecido Ministro da Defesa, Nelson Azevedo Jobim, dando a ele condições e coragem para resgatar os verdadeiros objetivos do Projeto PNUD/OACI/BRA/87/001, recolocando o Brasil na lista dos países realmente em desenvolvimento”, finalizou Dultra.

Fonte : Firma Comunicação Integrada

Del Valle Editoria

Contato: vininha@vininha.com

Site: www.animalivre.com.br

  
  

Publicado por em