Milhas aéreas viram moeda e criam um mercado de R$ 2 bilhões por ano

As milhas aéreas, mais do que nunca, valem dinheiro - principalmente porque deixaram de ser simplesmente uma forma de adquirir passagens grátis e movimentam um mercado estimado em R$ 2 bilhões por ano

  
  
Hoje em dia, em média, os resgates não-aéreos no Brasil não passam de 10%. No exterior, chegam a 30%

As milhas aéreas, mais do que nunca, valem dinheiro - principalmente porque deixaram de ser simplesmente uma forma de adquirir passagens grátis e movimentam um mercado estimado em R$ 2 bilhões por ano.

A Gol lançou, no mês passado, um shopping virtual em que o cliente pode gastar seus pontos nas 30 lojas de parceiros, entre redes como Wal-Mart, C&A, Pão de Açúcar, Tok&Stok, Marisa, escolhendo entre mais de 300 mil produtos.

A empresa também vende milhas para os clientes que precisarem completar pontos para alguma aquisição. É possível comprar entre mil milhas (R$ 75) a 40 mil (R$ 2.040).

A Multiplus, subsidiária da TAM criada em 2010, já mantinha uma estrutura de troca de milhas por produtos, com 120 mil itens de 207 parceiros. Os pontos nos programas de fidelidade também se tornaram alvo de comércio paralelo na internet, que começa a preocupar as aéreas e o Serviço de Proteção ao Consumidor (Procon).

"A utilização dos pontos como ferramenta de vendas ainda vai crescer. Ao agregar mais parceiros, produtos e serviços, as aéreas estão oferecendo uma moeda que tem maior liquidez, e isso deverá atrair mais público", avalia o especialista em aviação comercial André Castellini, da consultoria Bain & Company.

A receita da empresas de fidelidade vêm dos valores pagos pelas próprias empresas aéreas ou pelos parceiros na hora de emitir as milhas. Assim, quando um cliente transforma os pontos de seu cartão de crédito, por exemplo, em milhagens da companhia aérea, a administradora do cartão paga à empresa aérea - valores que são definidos em contratos sigilosos.

Da diferença entre o valor recebido e o custo do produto ou serviço usado pelo consumidor, vem o lucro. Quando o cliente deixa de usar seus pontos, eles não geram custos, portanto, geram um lucro ainda maior.

Gol estuda criar empresa para adminstrar milhas
Para as empresas, os ganhos com milhas ajudam a engordar as chamadas receitas auxiliares, que incluem também vendas feitas a bordo das aeronaves, taxas de remarção e cancelamento de aeronaves.

"Um dos novos pilares da gestão financeira da aviação comercial é de fato a ampliação das receitas auxiliares. Na Gol, elas somam em média 20%, incluindo o programa de fidelidade. No exterior, essa margem chega a 30% ou 35%. É o potencial que vemos como alcançável, no longo prazo", diz Flávio Vargas.

Ele ainda revela que a Gol estuda seguir o caminho da TAM e criar uma subsidiária para controlar o programa, mas a medida ainda sendo analisada.

"As companhias aéreas organizaram seus programas de fidelidade pelo modelo de coalização de empresas. Como elas vivem uma realidade muito turbulenta, sujeita a prejuízos, estes programas se tornaram fundamentais entre as receitas auxiliares", afirma Castelini.

O presidente da Multiplus, Eduardo Gouveia, conta que a TAM se inspirou na experiência da canadense Aeroplan de permitir que os clientes acumulem e resgatem pontos de outras formas que não as passagens aéreas. Ele diz que vê com bons olhos a ofensiva da Gol neste mercado.

"O programa tipo stand-alone ("solitário", em tradução livre) não consegue gerar uma velocidade satisfatória de acúmulo de pontos. Quanto mais empresas atuando, mais o modelo de coalização se fortalece. É bom para a indústria, no fim das contas", analisa Gouveia.

Se os serviços adicionais oferecidos buscam cativar a base de clientes, a estratégia parece estar funcionando. Gol e TAM somam 18,8 milhões de participantes em seus programas de fidelidade. O Smiles da Gol, cresceu 12% em número de usuários no segundo trimestre de 2012 contra igual período do ano passado, chegando a 8,7 milhões de pessoas. A Multiplus teve crescimento de 18% na base de clientes, no mesmo período, para um total de 10,1 milhões.

Castellini acredita que há uma margem folgada para a diversificação dos resgates por parte dos clientes, que deve se aproximar da média de outros países.

"As recompensas se estenderam, mas a maior parte dos resgates de pontos deve continuar sendo em voos. Hoje em dia, em média, os resgates não-aéreos no Brasil não passam de 10%. No exterior, chegam a 30%".

Fonte: Viagem Brasil

  
  

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