“Álamo” reduz tempo da viagem Belém-Salvaterra para duas horas

Os rios são as estradas naturais da Amazônia, lembrou a governadora Ana Júlia Carepa

  
  

"Os rios são as estradas naturais da Amazônia", lembrou a governadora Ana Júlia Carepa, ao receber na manhã desta segunda-feira (22) secretários de Estado, prefeitos, parlamentares, empresários do ramo do turismo, imprensa e demais autoridades, todos convidados para a viagem inaugural do catamarã Álamo, na orla da Estação das Docas, Comércio. O barco, com capacidade para 180 pessoas, fará diariamente a travessia da Estação para o porto de Camará, em Salvaterra, Arquipélago do Marajó, sempre às 8h30 e com duração média de duas horas, quase metade do tempo das demais embarcações que oferecem esta linha.

Músicos e dançarinos do grupo Parafolclórico Muiraquitã receberam os convidados na orla onde, depois de falar aos presentes, a governadora participou do ato inaugural do catamarã. Em Salvaterra, ela foi recebida pela população e por lideranças locais. De lá, seguiu para Soure, onde reuniu-se com secretários de Estado, prefeitos e demais autoridades para tratar questões sobre a região.

A Companhia de Portos e Hidrovias do Pará (CPH) é a gestora do projeto experimental que o governo do Estado implementa em resposta a reivindicações antigas não só do segmento do turismo, como da população em geral.

O catamarã possui ar condicionado, assentos recicláveis, espaço reservado para pessoas com deficiência, entre outros atrativos. O Álamo atravessou a Baía do Guajará em 2 horas e 40 minutos nesta primeira viagem, tempo que pode ser reduzido para cerca de 2 horas em condições mais estáveis da maré.

Investimentos em terminais hidroviários e na melhoria do transporte marítimo são prioridades do governo popular. O melhor aproveitamento das vias marítimas, acentuou Nilton César Queiroz, presidente da CHP, representa redução de custos com combustível, menores índices de acidentes terrestres e atende a uma demanda de pessoas que dependem direta ou indiretamente deste tipo de transporte.

O trajeto rápido da capital para o arquipélago do Marajó, com suas belezas naturais e potencial turístico é ponto fundamental para o incremento do setor na região, sinalizou Rui Martini, diretor do Fórum Estadual de Turismo (Fomentur).

"Há doze anos a gente batalha por um transporte digno para o Marajó e todo esse tempo resultou na inércia do Marajó, que teve como consequência o fechamento de hotéis, pousadas, a falta de treinamento de pessoal...", comentou Martini, acrescentando que a agilidade e conforto nos meios de transporte são fundamentais para o desenvolvimento do turismo. Ele disse ainda que a parceria com prefeituras e estado neste momento é de suma importância. Segundo ele, o setor vai se mobilizar e divulgar o novo serviço no Salão de Turismo, em feiras e outros espaços do gênero, atraindo também investimentos privados.

Viabilidade turística - Ann Pontes, titular da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), explica que a linha está programada para operar por seis meses, quando técnicos farão estudos e levantamentos do novo meio de transporte e sua viabilidade turística. Depois desse tempo, está previsto que o governo abra licitação para que o setor privado fique à frente do negócio. Para ela, o grande mérito do governo foi "apostar, acreditar e colocar em teste o catamarã".

Com a nova opção de transporte, a expectativa de Rose Aranha, diretora de negócios da Organização Pará 2000 (administradora da Estação), é que haja aumento tanto na questão do turismo, quanto na geração de emprego e renda, bem como na visitação do espaço, um dos principais atrativos da capital.

Ana Júlia Carepa destacou que os investimentos em obras de infraestrutura como as previstas no Ação Metrópole, que vai melhorar o trânsito em locais como o Entroncamento, também melhoram a vida da população e incrementam o turismo. "Não tenho dúvida que vou contar com o apoio daqueles que querem o desenvolvimento do Estado", afirmou, lembrando da importância do Legislativo manter os investimentos destinados ao Executivo.

Sobre a agilidade na travessia para o Marajó, a governadora sinalizou que não só o turista será beneficiado, como também o trabalhador que precisa constantemente fazer o deslocamento para o arquipélago. "Isso é fundamental para que o Marajó seja mais conhecido do povo paraense, do povo brasileiro e do mundo inteiro", disse Ana Júlia, lembrando que a ação faz parte do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Arquipélago do Marajó.

Catamarã agrada - Mais de 100 pessoas participaram da viagem inaugural do catamarã Álamo. Os primeiros turistas a estrearem a nova linha foram o empresário carioca Pedro da Ponte e a sua esposa, a aposentada Maria José Pinheiro. Paraense, Maria José não voltou ao Estado desde que saiu daqui, aos cinco anos de idade. A viagem ao Pará, planejada há décadas, foi coroada por acaso: eles foram convidados pela organização depois de perderem outra viagem para o mesmo destino. Para a aposentada, "o turismo é a alavanca do mundo" e a viagem foi maravilhosa, tanto que pretende retornar em breve com seu filho.

O prefeito de Portel e presidente da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), Pedro Barbosa, acredita que não só os municípios atendidos diretamente pelo Porto Camará serão beneficiados, mas toda a região. Jaime Barbosa, prefeito de Cachoeira do Arari, destaca no seu município, o Museu do Marajó e a beleza dos Campos do Marajó. Ele falou da recuperação da principal via terrestre de Salvaterra para o município, a PA-154, quase intrafegável com o advento das chuvas, e com previsão de ser concluída até o final deste ano.

A novidade também animou os moradores da região marajoara, como o produtor e vendedor de abacaxi, Lucas Leal, natural de Condeixa, município famoso pela qualidade deste fruto, destaque na exportação de sucos no Pará. O comerciante Lucivaldo Costa, que há 18 anos tem um ponto no Porto de Camará onde comercializa cerca de 120 quilos por semana do tradicional Queijo do Marajó, também comemorou. Para ele, o Marajó está melhorando cada vez mais e a linha vai ajudar o seu negócio e a vida das pessoas do lugar.

Desenvolvimento - A criação da linha de transporte fluvial Álamo foi viabilizada por meio de um contrato com a empresa vencedora da licitação pública, a Henvil Transportes Limitada. Até o final do ano também está prevista a inauguração do Galpão 9, que funcionará na Companhia Docas do Pará (CDP) e do Terminal Hidroviário do Guajará, na sede da CPH (Antiga Enasa), na Arthur Bernardes.

O local contará com um terminal de cargas e amenizará problemas de falta de estrutura nos locais de embarque, transportes clandestinos ao longo da baía, entre outros. Posteriormente, serão oferecidos serviços diversos, como emissão de carteira de identidade e postos bancários, que facilitarão a vida dos ribeirinhos na capital.

Por meio de um diagnóstico dos portos e hidrovias do Estado, feito pela Secretaria de Estado de Transportes (Setran), também foram definidos mais sete pólos hidroviários potenciais, onde serão construídos ou reformados terminais: Baixo amazonas (Juruti - Projeto Alcoa); Óbidos; Oriximiná; Tocantins (Cametá); Abaetetuba; Conceição do Araguaia; e Aveiro. Nilton Cézar Queiroz destaca como prioridades o Porto de Marabá (Plataforma Intermodal de Marabá), sob a gestão da Companhia de Portos e Hidrovias

Outros estudos também viabilizarão a melhoria na qualidade do serviço oferecido pelas demais embarcações que fazem a linha para o Marajó, como as das empresas Arapari e a Panave que, segundo Queiroz, funcionam por autorização, que ele considera um "instrumento precário". O trajeto também pode ser feito por uma empresa que transporta por balsa, com saída de Icoaraci, cuja licitação vence no início de 2010.

O presidente da CPH explica que o governo do Estado estabelecerá novos critérios (como segurança, velocidade, conforto e acessabilidade) para estas embarcações, que serão monitoradas por meio da Agência de Regulação de Serviço Público do Pará (Arcon).

A CPH foi criada em 2000, para assumir a Companhia das Docas do Pará. Com o convênio cancelado em 2005, a direção da Secretaria de Estado de Integração (Seir) sentiu a necessidade de um órgão que pudesse estar a frente deste segmento, até então sob a responsabilidade da Setran. Por empenho pessoal da governadora, em 2008, a CPH voltou a ativa com o objetivo de resolver problemas históricos na área, melhorando a qualidade de vida do povo paraense, promovendo o desenvolvimento do Pará, tendo em vista que a maioria dos municípios paraenses dependem direta ou indiretamente do transporte fluvial.

SERVIÇO
O Catamarã Álamo, com lotação de 180 pessoas, circulará todos os dias, menos na quarta-feira (dia de manutenção), saindo sempre às 8h30 e retornando de Salvaterra às 16h30. A duração da viagem é de cerca de 2 horas. A embarcação de dois andares possui ar condicionado, poltronas recicláveis, bagageiro, televisão, DVD e lanchonete. Venda de passagens: quiosques na Estação das Docas (Terminal Fluvial), Terminal Hidroviário de Camará e centros comerciais de Soure a Salvaterra. Valor da passagem: R$50,00 (ida e volta).

Fonte: Agência Pará de Notícias

  
  

Publicado por em

Antonio Carlos Santana Ferreira

Antonio Carlos Santana Ferreira

27/10/2009 16:23:08
É o que todo paraense sempre almejou,um transporte digno para o Marajó, mas eu gostaria de aproveitar esse espaço para sugerir porque não a construção de um aeroporto para trazer o turista direto, assim como tem em Porto Seguro. Valeu.