A história ao alcance de um clique

Mais de 87 mil imagens, cartas, mapas e informações sobre estrangeiros entre 1882 e 1973 podem ser consultadas on-line

  
  
Embarque de imigrantes suíços no Porto de Gênova para o Brasil (1898)

Trata-se de acervo rico e diversificado, agora com uma ferramenta poderosa, que visa a ampliar a consulta do pesquisador, de maneira ágil, sem precisar sair de casa, apenas navegando”. Quem afirma é o professor de História, Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo do Estado, da Secretaria da Cultura de São Paulo, referindo-se ao novo site do Museu da Imigração, colocado no ar duas semanas atrás graças ao esforço conjunto das duas instituições e de uma equipe de 22 pessoas que conseguiram digitalizar toda a coleção em seis meses de trabalho.

O resultado pode ser conferido no site www.museudaimigração.org.br, que abriga mais de 87 mil imagens históricas disponíveis para consulta e download gratuito, 3.223 cartas, 2.824 mapas, 9.740 documentos iconográficos, mil mapas e 2.098 recortes de jornal e informações como nome completo, data de nascimento e origem dos cerca de 1,5 milhão de imigrantes que passaram pela Hospedaria dos Imigrantes, entre 1882 e 1973.

É um projeto pioneiro, avançado, comenta o coordenador do Arquivo, cuja pesquisa pode ajudar a conhecer a vida dos seus antepassados, requerer a cidadania ou simplesmente saber mais a respeito desse momento histórico do País. “É importante que as pessoas saibam que esses documentos se referem à imigração oficial da época, da qual o governo tinha controle, mesmo porque, nessa mesma ocasião, muitos estrangeiros vinham por conta própria e, portanto, não se dirigiam à Hospedaria para registro de entrada”.

Preservação – A nova realidade do Museu da Imigração, anteriormente chamado Memorial do Imigrante, começou a surgir há um ano desde que a instituição, com sede na zona leste, também conhecida como Hospedaria dos Imigrantes, começou a ser reformada. A guarda do acervo ficou sob a responsabilidade do Arquivo do Estado que arregimentou a pequena equipe na reorganização e intervenções de conservação e preservação documental, digitalização e tratamento de imagens digitais. A partir daí, surgiu uma réplica em formato mais leve, disponível no site. A ideia, segundo Bacellar, é, também, preservar o documento em papel, tirá-lo do manuseio. “O ser humano destrói mais que cupins e brocas”, argumenta. “Com a nova ferramenta, conseguimos nosso objetivo – garantir acesso mais amplo e público a essa documentação, além de promover a conservação dos documentos originais”.

Descomplicação – O superprograma Memória da Imigração descomplica a vida de milhares de pessoas ao oferecer um campo de pesquisa geral, que inclui cartas de chamada, livros de registro de matrícula da Hospedaria dos Imigrantes da capital, documentos cartográficos (mapas e plantas referentes a núcleos coloniais, plantas da antiga Hospedaria de Imigrantes e do Museu da Imigração), iconográficos (cartões-postais, fotografias de viagens e retratos dos imigrantes), requerimentos da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e jornais. Segundo Bacellar, vale destacar, ainda, a parte dos jornais, dezenas de publicações das colônias no Brasil, na língua de origem dos imigrantes – italiana, espanhol, português, polonês, japonês, austríaca, árabe, alemã e outras – com edições entre 1886 e 1987. Destaque para o Diario Español, Voz de España, Folha Portuguesa, Deustche Zeitung, Avanti (jornal socialista em língua italiana), além de jornais árabes.

Os requerimentos de repatriação podem ser curiosos e muitas vezes dramáticos, diz o coordenador. As mulheres chegam a entrar em desespero, por exemplo, quando o marido morre. E, de repente, elas se veem sozinhas, com filhos para criar e sem condições para continuar vivendo no Brasil. A esposa não tem como arcar com aquela responsabilidade assumida pelo marido, que é de pagar pela terra, em módicas prestações. Só lhe resta voltar a seu país de origem, daí os requerimentos de repatriação. “O acervo conta a história de formação de nosso Estado”, ressalta Bacellar. A sua grandeza, pelos seus números, a expressividade que a imigração teve para São Paulo e a variedade de fontes o tornam único e pioneiro”.

Fonte: Governo de São Paulo

  
  

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