Amazônia também é gigante cultural

Mas não é só de música que vive a cultura amazônica. Os traços da cerâmica marajoara, desenvolvida pelos indígenas na Ilha de Marajó entre os anos 400 e 1400 d.C., são elementos importantes para que se possa entender as influências da arte da região.

  
  

A Rádio Nacional da Amazônia completou 32 anos nessa terça-feira (1º) e amanhã (5) é o Dia da Amazônia. Para comemorar as datas, a emissora organizou a série especial Viver na Amazônia, que está sendo exibida esta semana nas duas edições do Jornal da Amazônia. A Agência Brasil reproduz as reportagens. Hoje, o assunto é a cultura da região.

É evidente que a missão de dimensionar todas as expressões culturais amazônicas em uma reportagem é tarefa impossível. Mas começamos com o carimbó, por ser dança e música que nasceram na região e que representam o Brasil, como conta José Roberto Ferreira, que mantém na internet o portal Bregapop, que cataloga e divulga ritmos do Pará,

“O carimbó é o único ritmo que tem influência das três culturas. O levantar de braços vem da cultura portuguesa. O andar curvado é indígena e o balançar, dos negros”.

Da mistura do carimbó com choro e jovem guarda, nasceu a guitarrada. Também conhecida como lambada instrumental, o ritmo completa 50 anos em 2010 e foi criado pelo mestre Joaquim Vieira.

Ele revela como se deu o processo de criação da guitarrada, que apesar da pouca idade, já é considerada tradição no Pará e na Amazônia. “Eu comecei a misturar o mambo, a salsa, o merengue, com vários outros ritmos do Caribe e a jovem guarda, porque queria criar um ritmo nosso, nós não tínhamos. Então comecei a tocar e o pessoal pedia 'toca uma lambada' [instrumental], e assim nasceu a guitarrada”, diz Vieira.

Mas não é só de música que vive a cultura amazônica. Os traços da cerâmica marajoara, desenvolvida pelos indígenas na Ilha de Marajó entre os anos 400 e 1400 d.C., são elementos importantes para que se possa entender as influências da arte da região.

O coordenador de Cultura do Museu do Índio, Fábio Freitas, fala sobre o valor das peças – no espaço, há réplicas das obras, e há originais nos museus Histórico Nacional ( no Rio de Janeiro) e Americano de História Natural (em Nova York).

“O grafismo, para o indígena, tem uma importância muito grande, quer seja na área religiosa, quer seja na área cultural. Então, além de conhecer, temos que entender esse grafismo”, defende.

Outro elemento relevante na arte regional é o folclore, especialmente representado pelo bumba-meu-boi. Conhecido em todo o Brasil, a expressão se destaca no Maranhão e no Amazonas. O município de Parintins (AM) vive, todos os anos, o Festival Folclórico que divide a cidade entre azuis e vermelhos, cores dos bois Caprichoso e Garantido, que se apresentam no mês de junho no bumbódromo da cidade.

Telo Pinto, do Boi Garantido, acentua o significado do Festival: “na verdade, é o Festival que impulsiona o município. Tudo o que acontece na cidade e na região, acontece em decorrência do evento. Mesmo fora do período do festival, o que se investe na cidade em infra-estrutura e obras, tem ele como foco. É o grande impulsor econômico do município”.

Além da arte popular e da música, a literatura que se faz na Amazônia ganha destaque nacional. Nomes como Milton Hatoun e Nicodemos Sena aparecem no cenário literário como grandes escritores, narrando o cotidiano da região.

Para a obra de Nicodemos, os elementos da floresta são fundamentais. “Passei 19 anos na Amazônia, convivendo com caboclos e indígenas e convivi, desde cedo, com os problemas da região. Coisas que só fui tomar consciência anos depois, morando em São Paulo e, a partir daí, veio a necessidade de contribuir para despertar essa consciência no povo da Amazônia. A forma que encontrei foi como narrador, escritor, romancista, falando sobre a região”, afirma.

Estas são apenas algumas mostras de que em todos os campos da arte, nos nove estados da região, pessoas movimentam a floresta com sons, danças, cores e palavras. Mostras de que o gigantismo da Amazônia não se dá apenas pelo seu tamanho ou pela exuberância de sua natureza, mas também pela riqueza de sua cultura.

Fonte: Agência Brasil
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