Clóvis: a tradição que perdura nas ruas do subúrbio carioca

Tradição nas zonas Norte e Oeste da cidade, a fantasia de bate-bola, ou clóvis, faz sucesso por suas características bastante peculiares, principalmente pela quantidade de detalhes e acabamentos

  
  
O Bate-bola e suas turmas são tradicionais nas zonas Norte e Oeste do Rio

Tradição nas zonas Norte e Oeste da cidade, a fantasia de bate-bola, ou clóvis, faz sucesso por suas características bastante peculiares, principalmente pela quantidade de detalhes e acabamentos, que a cada ano se superam ainda mais. Mas o traço particular que faz do Clóvis a sensação nos bairros do subúrbio carioca está no processo de produção, feito todo artesanalmente, no fundo de quintal dos líderes das chamadas turmas de bate-bolas. Nos dias de Carnaval, os grupos tomam a rua e trazem um desfile peculiar e único, diferente dos blocos convencionais.

A fantasia custa caro. O preço individual fica entre R$ 900 e R$ 1.200,00, dependendo do grupo. Alguns ainda oferecem algumas regalias inclusas no valor, tais como churrasco de confraternização e ônibus fretado para que todos saiam juntos no Carnaval, onde ainda tem até fogos de artifício para acompanhar a turma. No entanto, o maior gasto é mesmo com a vestimenta, que conta com tênis ou sapatilha devidamente padronizado e personalizado, além de macacão, meia calça, luva, casaca, máscara e adereços particulares de cada grupo, que podem ser bola e bandeira ou sombrinha e leque ou até mesmo bonecos que tenham ligação com o tema da fantasia.

“Estamos tentando reduzir os custos ao máximo para fazer uma fantasia mais barata. A idéia é de que daqui a dois anos possamos fazer um bate-bola de R$ 500, para sair com 100 integrantes”, explica Leandro Oliveira, engenheiro de 35 anos, fundador do grupo Enigma, do bairro de Vicente de Carvalho,que completa cinco anos neste Carnaval.

Todo ano os grupos elaboram fantasias de temas diferentes. Este, também depende de cada estilo de turma. Alguns são mais ligados a infância, outros mais ligados a temas adultos. A ideia é que seja algo conhecido e que chame bastante atenção. E vale lembrar que todos os integrantes da turma participam do processo de confecção das fantasias, que dura de 1 ano a 8 meses, desde a escolha do tema até os arremates finais.

As turmas de bate-bolas estão concentradas, principalmente, nos bairros de Marechal Hermes, Irajá e Vicente de Carvalho. O número de componentes das turmas é variado. As maiores têm entre 100 e 130 membros, com as menores tendo de 10 a 15 participantes. Mas Leandro, conta que os grupos estão ficando cada vez menores.

"Antes era comum as turmas serem bem grandes, mas cada vez mais estão diminuindo. Tudo por conta do ego de cada turma, onde poucos podem tomar as decisões sobre a fantasia", relata o líder do Enigma.

Tradição em família
Em parte, a diminuição das turmas deve-se a dificuldade de manter a paixão pelo Carnaval durante todo o ano. Líder da turma Descontrole, Marquinho, 35 anos, é técnico em eletrônica, e conta que às vezes é duro conciliar o trabalho com a confecção das fantasias.

"Só dá para pegar nas fantasias a noite. Todos os dias o pessoal vem para minha casa, onde montamos tudo", explica ele, relatando que o ofício foi aprendido na "cara e na coragem". Hoje ele conta com a ajuda de quase 100 pessoas para terminar todo o processo. Em 2010, o grupo chegou inclusive a homenagear Zeca Pagodinho, fazendo uma fantasia com o rosto do cantor.

Marquinho também conta que começou a usar o bate-bola no Carnaval já na infância, e que o gosto pela coisa veio de moleque mesmo.

"A minha mãe fazia as fantasias de bate-bola e eu desfilava em Turiaçu (bairro próximo de Madureira)", conta ele.

E a origem parece ser mais essa coisa tradicional da região. Rodrigo, 28, Técnico de Telefonia e líder do grupo Dito e Feito confirma a versão do colega: “Desde pequeno eu já saía de bate-bola. Tem que vir no sangue”.

As fantasias de bate-bola são para todas as idades. O mais velho entre os grupos visitados tinha 50 anos, com os mais novos tendo entre 7 e 8 anos. Os lideres dos grupos também ressaltam que o uso da fantasia sofre com o preconceito de algumas pessoas, principalmente dos moradores da Zona Sul da cidade, que não estão acostumados com essa brincadeira de Carnaval.

“Na Zona Sul a gente não vai. Lá eles não gostam de bate-bola. Os ‘pitboys’ dão porrada na gente”, afirma um dos bate-bolas que não quis se identificar. Mas parte deste preconceito vem de alguns grupos de Clóvis que tem, de fato, o cunho violento, conforme relatam os grupos. Até por essa razão, eles preferem fretar ônibus para desfilar pela cidade. Mas Leandro, fundador do grupo Enigma, afirma que a questão é mais tradicional mesmo. “O Bate-bola é mais Zona Norte mesmo. Zona Sul é só se for para tirar foto com turista. É uma tradição da região. Você já viu pipa pegar na Zona Sul? É a mesma coisa”, justifica.

A grande reunião dos bate-bolas acontece na Cinelândia na terça-feira de Carnaval, quando os grupos participam do concurso de fantasias promovido no local. O evento começa a partir das 15 horas.

Após o Carnaval, os grupos costumam vender as fantasias usadas por um preço bem menor do que o custo, visto que no próximo ano farão uma nova indumentária. As fantasias chegam a custar entre R$ 90 e R$ 150 após a época de folia.

“Normalmente vendemos todas para as mesmas pessoas de outras regiões do Estado”, conta Leandro, que afirma já ter revisto uma de suas fantasias em alguns carnavais pela cidade.

Origem da fantasia de Clóvis
O surgimento da fantasia ainda é uma incógnita. Há uma versão de que na década de 1930 oficiais estrangeiros, sendo eles alemães e/ou ingleses teriam improvisado fantasias parecidas com as de palhaço para brincar o Carnaval na região do subúrbio.

"Estas fantasias chamadas por eles de clowns (palhaços em inglês) teriam caído no gosto da população local, que viria a chamá-los de 'clóvis'. Entretanto em minha pesquisa refuto esta teoria, pois descobri registros de que já havia clóvis no Carnaval da cidade em período anterior ao da passagem destes oficiais pelo Rio de Janeiro", explica a pesquisadora Aline Gualda, que estuda a fantasia de clóvis há vários anos.

O nome bate-bola teria sido oriundo do adereço feito por bexigas de boi, nas épocas passadas. Os fantasiados usavam as bexigas para fazer barulho, batendo elas no chão.

Aline também defende que a popularização do bate-bola na Zona Norte e Oeste da cidade está relacionada à tradição e paixão pela qual os fantasiados dedicam à coisa.

"Embora não ache seguro associar modos de brincar a regiões da cidade, arrisco dizer que o carnaval do subúrbio vai além do ato simples de vestir uma fantasia e brincar durante quatro dias do ano. Nas turmas de bate-bola, por exemplo, temos um processo que dura vários meses e que eclode no período carnavalesco: a maioria dos fantasiados participa da elaboração dos trajes, colabora nas decisões, lida dia-a-dia com o universo do bate-bola. São vidas dedicadas à causa, na maioria dos grupos", justifica ela, que ainda afirma que nos blocos de Zona Sul e Centro há menos compromisso com a confecção.

"Para o grande público, brincar nas ruas basta", completa.

Fonte: Rio Guia Oficial

  
  

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SOL

SOL

21/04/2012 23:24:37
QUERO COMPRAR UM CLÓVIS PARAMINHA FILHA DE 7ANOS ELA É APAIXONADA POR CLÓVIS .E ESTOU LOUCA ATRÁS DEU UM. E JÁ PROCUREI TODA A NET ATRÁS DE UM...