Fazendas de cacau atraem turistas ao sul da Bahia

Para preservar as fazendas do sul da Bahia, muita gente teve que mudar de profissão. Uma alternativa que deu certo foi a exploração do turismo das fazendas de cacau da região, já famosa por ter belas praias.

  
  

O Brasil já foi o segundo maior produtor de cacau do mundo. Nos anos 80, os preços no mercado internacional caíram. Logo depois, um fungo chamado vassoura de bruxa arrasou com as plantações. Hoje, as lavouras se recuperaram e o Brasil voltou a exportar.

Para preservar as fazendas do sul da Bahia, muita gente teve que mudar de profissão. Uma alternativa que deu certo foi a exploração do turismo das fazendas de cacau da região, já famosa por ter belas praias.

Em uma das fazendas em Ilhéus (BA), o dono faz um convite para um passeio dentro da mata. Quem conta a história e relembra a época do cacau é José Antonio dos Santos. Ele, que já trabalha na fazenda há 29 anos, é também guia turístico. “As pessoas da roça são as melhores para fazer isso por causa do treino, da prática, pra saber explicar tudo direitinho, detalhado”, afirma o guia.

Os turistas encontram, além das plantações de cacau, 40 hectares de pura Mata Atlântica. José Antônio dá uma paradinha para explicar o que tem de tão especial dentro do fruto. “Todo esse branco que tem aqui dentro do cacau é a polpa, que faz o suco”, explica.

A sede da fazenda tem um lugar reservado para os turistas descansarem. Um cantinho bem aconchegante e decorado com materiais tirados da terra. “Há um movimento muito grande durante a temporada. Funciona todos os dias da semana, inclusive aos domingos, e a gente tem aqui uma experiência muito positiva. Eu diria que o turismo significa pra gente uma outra safra, até melhor que a de cacau”, conta Gerson Marques, dono da fazenda.

Outra fazenda de Ilhéus foi um pouco mais longe. Uma pequena casa que servia para guardar antigos móveis e documentos da família de Virgilio Amorim hoje abriga um museu. São quase 200 anos de história, preservados em quadros e objetos centenários. Uma das peças é um telefone que foi o primeiro a ser instalado em Ilhéus.

“Morei com meu avô algum tempo e ele foi me dando alguns objetos, alguns documentos. Talvez não tenham valor jurídico, mas têm valor histórico. Hoje, eu consigo mostrar para os turistas um pouco da história dos coronéis, dos antigos colonizadores alemães e portugueses que vieram aqui pra Ilhéus”, conta o dono da fazenda.

Relíquias com mais de cem anos se misturam com os objetos que foram usados por artistas da novela "Renascer". “Muita gente vem conhecer um pouco do cacau, mas também por causa da novela e de Jorge Amado. Alguns trechos da novela foram gravados aqui. Nós temos um facão que Antônio Fagundes enfia no começo da novela no Jequitibá e a cama que foi utilizada também pelo personagem dele, Zé Inocêncio, então as pessoas se deliciam muito. As pessoas são noveleiras”, comenta o dono da fazenda.

Fonte: Ambiente Brasil

  
  

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