Brincadeiras sim, trauma dentário não

Agora com o Carnaval a criançada costuma aproveitar para se esbaldar e curtir os dias de folia, mas precisam tomar cuidados para que a diversão não vire um problema

  
  
Skatista fazendo uma de suas manobras

Agora com o Carnaval a criançada costuma aproveitar para se esbaldar e aproveitar estes dias de folias, mas tem que tomar cuidados para que a diversão não vire um problema. A criança pode sofrer trauma dentário durante as brincadeiras infantis (como pega-pega e pular corda) e práticas esportivas (skate, futebol e lutas marciais) e nem sempre os pais ou responsável estão preparados para socorrê-la corretamente.

“A falta de informação na hora do trauma dentário é muito frequente. Os esclarecimentos são importantes porque o sucesso no tratamento está diretamente relacionado ao tempo do socorro correto e cuidados especializados. O ideal é que a criança receba atendimento odontológico de 30 a 60 minutos após o acidente”, informa Gustavo Grothe Machado, diretor do serviço Bucomaxilofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

De acordo com a fratura do dente, existem tratamentos específicos. Se quebrar inteiro ou pedaço, com sua raiz, a principal orientação é lavá-lo com soro fisiológico ou água corrente, recolocá-lo no orifício do dente e procurar o cirurgião-dentista ou médico bucomaxilo imediatamente.

“Não toque na raiz do dente porque ali existem células do ligamento periodontal, fundamentais para o sucesso do reimplante.
Não deixar o dente solto na boca porque a criança pode engoli-lo acidentalmente”, avisa Machado.

Principais erros – Após a higienização, se não for possível conservá-lo no orifício do dente na boca, Machado recomenda acondicioná-lo num recipiente limpo, embebido em leite, soro fisiológico ou saliva. “Procurar socorro odontológico em até 30 minutos e no máximo 60 minutos eleva a chance de reabilitação”, frisa. Ele informa que o principal erro dos pais ou responsáveis é guardar o dente num guardanapo, gaze ou algum tecido: “O dente sujo, misturado com terra, resseca, as células se desidratam e morrem. Nesse caso, não há possibilidade de ser reimplantado ou colado”.

O secretário-geral do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Hernando Valentin, orienta que o melhor é evitar o trauma, alertar as crianças dos riscos e tomar o máximo de cuidado. Quando o acidente é inevitável, nada de relaxar. É preciso agir rápido: “Infelizmente, a população desconhece quais são as primeiras ações a fazer num momento desse, que exige agilidade”.

Os especialistas orientam para jamais limpar o dente com qualquer produto, seja anticéptico, seja pasta de dente. É
necessário manter a calma, agir rapidamente, proteger o dente de forma adequada e procurar profissional qualificado, que solucionará o caso.

Protetor bucal – Outra providência é verificar se a carteira de vacinação contra tétano está em dia para evitar contrair doença pelo risco de contaminação. Para proteger trauma dentário, Machado sugere que a criança praticante de esportes radicais ou de impacto como skate, lutas marciais e futebol use protetor bucal. Produzido pelo cirurgião-dentista, o acessório é uma placa de silicone encaixada entre os dentes, semelhante à que usam os boxeadores. “Apesar de pouco conhecido no Brasil, o protetor bucal é muito importante porque previne os acidentes esportivos”, frisa o especialista.

Machado informa que o dente incisivo central superior, que se localiza na frente da boca, é o principal dente afetado em trauma dentário. Em geral, o problema decorre de acidente esportivo, queda, acidente automobilístico e atos de violência.

O traumatismo dental atinge de 30% a 50% da população, proporção elevada na opinião do especialista do HC. Na idade pré-escolar, em geral, é causado por quedas. Ele diz que a incidência no sexo masculino é o dobro em relação ao feminino, e o tratamento de canal pode ser indicado.

Fonte: Governo de São Paulo

  
  

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