Normas técnicas regularizam o turismo de aventura

As belezas naturais do Brasil e as diversidades de cenários e atividades nele existente são fortes atrativos para transformar o País num dos principais destinos de turismo de aventura do mundo. Voar de asa-delta, pular de bungee-jump,

  
  

As belezas naturais do Brasil e as diversidades de cenários e atividades nele existente são fortes atrativos para transformar o País num dos principais destinos de turismo de aventura do mundo. Voar de asa-delta, pular de bungee-jump, saltar de pára-quedas, praticar canionismo, rapel, balonismo, rafting, arvorismo, mergulho estão entre as opções escolhidas pelos visitantes que buscam uma viagem com um pouco mais que sombra e água fresca.

No entanto, com o crescimento do turismo de aventura no País e o aumento de empresas prestadoras de serviços, surgiu a necessidade de se fortalecer e qualificar o setor, a fim de capacitar profissionais para lidar com uma atividade que necessita de alto grau de segurança.

No ano de 2003, a partir de uma lista de discussão na internet, um grupo de empresários começou a discutir os problemas da atividade no Brasil. O trabalho desenvolvido chamou a atenção do Ministério do Turismo (MTur), que em 2004 iniciou um projeto para organizar o setor. No mesmo ano, surgiu a Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura (Abeta) que, desde então, vem trabalhando em prol da conscientização e criação de normas e a ascensão do Brasil como destino para Turismo de Aventura.

Dos 87 roteiros propostos pelo MTur no Programa de Regionalização – Roteiros do Brasil, 48 foram destacados com forte cunho para esse tipo de atividade. Numa parceria entre o MTur, Instituto de Hospitalidade (IH) e Abeta, foi realizado um diagnóstico do setor, onde foram detectadas mais de 2,5 mil empresas. Esta foi a primeira etapa do projeto de normalização em turismo de aventura. O passo seguinte foi a criação de normas, elaboradas por uma comissão de estudo, com a finalidade de se estabelecer regras nacionais para a execução das atividades.

O trabalho que se iniciou com 19 normas, foi se desenvolvendo ao longo de 2006. Hoje são, ao todo, 24 normas, todas em conformidade com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), das quais 11 encontram-se publicadas. Dentre elas, duas servem de base para os processos de certificação empresarial e profissional, respectivamente, sendo: NBR 15331 – Turismo de Aventura – Sistemas de Gestão da Segurança Requisitos e NBR 15285 – Turismo de Aventura – Condutores – Competências de Pessoal.

Algumas áreas apresentaram resistência pela aceitação dos profissionais que hoje atuam no segmento, como o vôo-livre. Porém, em sua maioria, todos os setores contribuíram para a elaboração das normas. Segundo o presidente da Abeta, Israel Waligora, estima-se que até o final deste mês todas as demais já estejam reconhecidas e publicadas.

A utilização das normas ainda é facultativa. Porém, acredita-se que até o final de 2007 seja lançado no Brasil o Certificado de Segurança em Turismo de Aventura, regido pelo Inmetro, para certificação das empresas e dos profissionais que atuarem de acordo com as Normas Técnicas.

Aventura Segura

Outro passo do MTur e Abeta foi a criação do Programa Aventura Segura, constituído por Seminários Técnicos com aulas presenciais e à distância (novidade lançada neste mês). Com início em dezembro de 2005, o programa está sendo implantado, inicialmente, em 15 pólos nacionais.

Na Serra do Cipó, onde o trabalho se encontra mais desenvolvido, foi criado o primeiro Grupo Voluntário de Busca e Salvamento (GVBS) que atuará na prevenção de acidentes e em buscas e salvamentos. “Cada região possui sua particularidade. As normas são as mesmas para todas, mas a adaptação é feita de acordo como a região. Por isso, a participação do trade local é muito importante”, destaca o presidente da Abeta.

“Os seminários técnicos levam a essas regiões não só informações sobre segurança, como também de associativismo e dicas de como o empresário irá se sustentar no mercado. O setor é novo e as empresas não possuem experiência de mercado”, informa Israel. Segundo ele, estima-se que até o final do ano sejam formados 1.500 profissionais. “Cerca de 80 empresas já se associaram à Abeta. Esperamos atingir a margem de pelo menos 300 empresas daqui a três meses”, declara.

Carla Vieira / JT

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Fonte: Jornal de Turismo

  
  

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