O papel do rafting no resgate e na reconstrução de São Luiz do Paraitinga

Em uma rápida e comovente ação de resgate, três operadoras de rafting de São Luiz do Paraitinga (SP) e cerca de 50 voluntários salvaram mais de cem moradores que estavam ilhados na cidade devastada por fortes enchentes

  
  

“Estou aqui desde 6 h e vou ficar até a hora que for preciso”, garantiu Fernando Almeida, um dos instrutores de rafting que participou do resgate de moradores de São Luiz do Paraitinga (SP) na região do Vale do Paraíba, após a cidade ficar praticamente submersa com o transbordamento do Rio Paraitinga, dia 1º de janeiro. Cerca de 50 voluntários fizeram parte das equipes de salvamento que, em botes infláveis, passaram de casa em casa para levar pessoas a lugares seguros.

Além da força da natureza, os instrutores tiveram dificuldades em convencer os moradores a deixar suas casas. Certos da necessidade de evacuação, voltaram mais de duas vezes em locais onde havia resistência até conseguir transportar todos. Apontados pelos próprios moradores como verdadeiros heróis, os instrutores se apressaram em pegar os botes quando a água começou a subir de forma devastadora e ir para as ruas. “Só deu tempo de salvar algumas roupas”, conta Josiane Felix Sales, da Cia de Rafting, empresa associada à ABETA – Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura. Ela acompanhou todos os resgates feitos pelo sócio, o instrutor João Eduardo do Espírito Santo, via telefone celular, quando ele ligava para dar notícias. O casarão onde a empresa operava desmoronou e os equipamentos continuam sob os escombros. O prejuízo ainda não foi calculado.

A mobilização voluntária dos instrutores em São Luiz comoveu o Brasil e surpreendeu pela velocidade. Antes da chegada do Corpo de Bombeiros (o mais próximo da região fica a 40 km do município) os botes das operadoras que atuam em São Luiz já tomavam as ruas totalmente alagadas. A operação também chamou a atenção do país e do mundo para o rafting, uma atividade bastante procurada por turistas, principalmente no verão.

AVENTURA COM SEGURANÇA

Hoje, o segmento de Turismo de Aventura possui um acervo de 24 normas técnicas que serve como referência para as empresas brasileiras. Essas normas, cuja implementação é voluntária, são essenciais para qualificar profissionais do segmento e, principalmente, fortalecer a oferta segura e de qualidade de atividades. Uma norma técnica em especial, a ABNT NBR 15331 – Sistema de Gestão da Segurança servirá como referência para o processo inédito de certificação em Turismo de Aventura, que começa no primeiro trimestre deste ano.

A certificação prioriza empresas participantes do Programa Aventura Segura, iniciativa do Ministério do Turismo, em parceria com o Sebrae Nacional, e execução da ABETA. A certificação é voluntária, mas a obtenção do certificado ou selo atesta se o produto ou serviço da empresa que o possui segue à risca procedimentos de segurança, sendo um diferencial de mercado.

Os produtos e atividades de Turismo de Aventura das empresas serão certificados por um Organismo Certificador (OTA) autorizado pelo Inmetro. Este organismo realizará uma auditoria nas empresas e avaliará se seus produtos estão conforme as exigências da norma técnica ABNT NBR 15331 – Sistema de Gestão da Segurança.

Equipamentos em perfeito estado de uso, instrutores qualificados e acessórios de segurança são alguns exemplos de itens com os quais o consumidor do turismo de aventura não precisará se preocupar caso escolha uma empresa que possui certificação.

Em São Luiz do Paraitinga, a Cia de Rafting é uma das empresas que participa deste amplo processo de qualificação e implementa as normas técnicas da ABNT. As informações relacionadas à segurança que adquiriram nos eventos de conscientização do Programa Aventura Segura deram a estes profissionais a confiança para encarar a força da natureza e salvar os moradores em um momento de calamidade. O espírito de solidariedade, a experiência e o conhecimento sobre a região também moveram essas pessoas.

A PRÁTICA QUE SALVA

O centro da cidade está destruído e não há comércio, mas os botes de rafting que foram resgatados por João Eduardo, da Cia de Rafting, devem voltar às corredeiras do Rio Paraitinga em breve. Assim, os instrutores dão o recado: “Para ajudar São Luiz, Pratique o rafting!”.

Fonte: ABETA

  
  

Publicado por em

Sandra regina pereira de faria

Sandra regina pereira de faria

11/02/2010 14:17:32
Rafting,esse pessoal deu uma grande demonstração de que alem de amar a natureza, amam e fazem tudo pelo seu proximo. Parabens pelo ato de solidariedade á todos do rafting.