Turismo e preservação ambiental atraem visitantes na Ilha do Marajó

Com investimento em infra-estrutura, moradores e empresários do arquipélago de Marajó contam que conseguiram triplicar o número de turistas e já estão ampliando seus negócios. Alguns ainda não conseguem viver apenas da atividade, mas estão confiantes q

  
  

Com investimento em infra-estrutura, moradores e empresários do arquipélago de Marajó contam que conseguiram triplicar o número de turistas e já estão ampliando seus negócios.

Alguns ainda não conseguem viver apenas da atividade, mas estão confiantes que, nos próximos anos, o número de visitantes será ainda maior.

Saindo de Belém, em um avião Caravan de nove lugares, começa a viagem, com destino ao arquipélago de Marajó. Logo surge o conjunto de ilhas, bem próximas entre si. A água surge em um tom diferente, entre o verde e o marrom, conseqüência da `briga` entre o rio Paracauari (afluente do Amazonas) e o mar.

Praia, montaria em búfalos, cavalos e trilhas compõem o ecoturismo e o turismo de aventura do arquipélago, que passou a ser incentivado pelo poder público a partir de 98. `Desde então vem crescendo, o governo investiu muito em divulgação e no treinamento do pessoal que mora aqui na região, com cursos do Sebrae e oficinas`, conta o motorista e guia turístico, Élson Ferreira de Souza.

Segundo ele, apesar do aumento, ainda não dá para viver do turismo. `Trabalho também com transporte da população local das vilas para a cidade, principalmente no final de semana, quando o pessoal de Belém que tem familiares aqui vem passear`, diz.

De acordo com o guia, antes dos investimentos, a média anual era de quinhentos turistas por ano. `Agora chega a 1.500 quando a temporada é boa`, comemora.

Com o crescimento do número de turistas, vão aumentando também os atrativos, e as ilhas começam agora a trabalhar com a pesca esportiva.

`A gente percebeu que esse segmento tem aumentado muito no mundo inteiro`, afirma Tony Santiago, dono de uma pousada na região. Ele espera fechar o ano com um crescimento de 25% em relação a 2003 e firma que a preocupação com a preservação do meio ambiente é contínua.

`A idéia é não depredar, tem que devolver o peixe. O cliente leva para casa a emoção de estar pescando em Marajó, um sorriso e um abraço`, brinca o empresário. Com mais visitantes, o cuidado com a preservação precisa ser redobrado.

`Há uns anos, os barcos não tinham lixeira, então as pessoas jogavam tudo no rio. Foi feito um trabalho de conscientização com os proprietários dos barcos para colocarem lixeira`, conta Tony, que administra uma pousada com 70% da energia proveniente do sol. `Estamos querendo instalar energia eólica para sermos auto-suficientes`, anuncia.

Quem também ajuda a preservar é a engenheira agrônoma Eva Abufaiad. Em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ela cuida de animais selvagens feridos, machucados ou ex-prisioneiros.

`Não aceito dinheiro de ninguém para salvar um animal, é a minha contribuição à natureza`, diz Eva, que faz um outro trabalho de preservação. `Recebo 400 crianças por ano, na minha fazenda, para ensinar a como amar os animais.`

Uma das curiosidades de Marajó que desperta a atenção dos turistas são os búfalos. Até a polícia montada do arquipélago, ao invés de cavalos, usa o animal.

`Nadam e carregam peso melhor que os cavalos, há partes alagadas onde o cavalo não consegue atravessar, mas perdem em velocidade`, compara o soldado Márcio Felipe Martins, há nove anos na polícia. O soldado garante que Rabicho, o búfalo mais veloz de Marajó, é tão rápido quanto um cavalo.

Lá, todos têm nome: Pimpolho e Cacique são os preferidos, mas é Estrela o mais mimado, já que é o caçula, entre os vinte búfalos do quartel. Herbívoro, o animal agüenta até três dias sem comer se preciso.

Vinte búfalos acompanham os policiais no patrulhamento diário em terrenos alagados. A polícia recebe, em média, cinqüenta ocorrências por ano de devastação, retirada ilegal de madeira e areia, usada em construções.

As ocorrências mais preocupantes são de roubo de animais. Segundo o soldado, há mais de dez quadrilhas especializadas em roubo de búfalo na região.

Os búfalos, juntamente com a pesca e o agronegócio, são as principais atividades econômicas da região. O couro do animal é usado na fabricação de sandálias, selas e artesanato, além da culinária, carne, queijo e doce de leite.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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