Anfiteatro romano foi palco da primeira briga entre torcidas do mundo

A primeira confusão entre torcedores aconteceu no anfiteatro de Pompeia durante uma luta entre dois gladiadores de cidades rivais. A briga se espalhou pela cidade e causou a morte de dezenas de pessoas, além de ferir diversas outras com gravidade

  
  
Ao contrário da crença popular que as confusões nos estádios é algo moderno, no ano de 59 d.C. foi registrada a primeira briga generalizada entre torcidas organizadas da história

As brigas entre torcidas viraram uma triste rotina do futebol brasileiro. Na última semana mais de 85 torcedores foram presos depois de mais uma confusão generalizada, desta vez nos arredores o estádio do Mineirão após uma briga entre as organizadas do Flamengo e Atlético Mineiro. Em outubro, a Rodovia Anchieta que liga São Paulo ao litoral paulista foi interditada durante duas horas devido uma pancadaria entre palmeirenses e santistas. O resultado foi um torcedor do Palmeiras morto e outro baleado.

Ao contrário da crença popular que as confusões nos estádios é algo moderno, no ano de 59 d.C. foi registrada a primeira briga generalizada entre torcidas organizadas da história. O confronto ocorreu entre torcedores rivais das cidades romanas de Pompeia e Nucéria. O motivo foi uma luta entre gladiadores de ambas as regiões, no Anfiteatro de Pompeia. Os ânimos exaltados da arena chegaram as arquibancadas e a pancadaria começou. Ao final do confronto, o resultado foi um massacre com dezenas de mortes, centenas de feridos, além de incêndios espalhados pela cidade causados pela briga.

Se atualmente as penas que os brigões recebem são consideradas brandas, na Roma antiga o governo foi radical para resolver o problema pela raiz. Na época, os confrontos entre torcedores já eram comuns, mas nunca com o envolvimento de torcidas organizadas, nem causando mortes ou grandes distúrbios. A pena imposta pelo imperador Nero devido a briga foi a proibição de ser realizada qualquer disputa no teatro de Pompeia durante 10 anos, além da extinção de todas as torcidas organizadas (sim, elas já existiam naquela época!) de ambas as cidades. Após o massacre, o teatro ainda permaneceu fechado durante três anos e só depois de um pedido da 2° esposa do imperador que o local foi reaberto para receber somente românticas apresentações teatrais.

Anfiteatro de Pompeia
Com capacidade para abrigar mais de 20 mil pessoas, o Anfiteatro de Pompeia era considerado um dos maiores e mais luxuosos da época e só ficava atrás do épico Coliseu com 50 mil lugares. Construído em 80 a.C., o local é o único anfiteatro romano nestes moldes que se mantém preservado até os dias atuais.

Considerado um dos mais modernos palcos do antigo império romano, o local possuía uma área reservada exclusivamente para mulheres, além de camarotes para os nobres. Durante o período de funcionamento, o anfiteatro foi utilizado exclusivamente para fins esportivos, sendo palco de violentas caçadas, lutas entre gladiadores, além de combates com leões e tigres. A sua arena havia sido construída especialmente para receber as batalhas e ficava abaixo do nível das arquibancadas, ao contrário dos palcos teatrais.

Pompeia
Uma das principais cidades do império romano sumiu do mapa de um dia para o outro, assim como o famoso anfiteatro. Em 79 d.C., o vulcão Vesúvio entrou em erupção e soterrou a cidade. Pompeia ficou sob mais de 25 metros de lavas e cinzas após a violenta erupção e só voltaria a ser redescoberta em 1748, por colonos locais. Entre o início e o fim do desastre se passaram apenas seis horas, tempo insuficiente para que os 18 mil habitantes se salvassem.

Se no passado a erupção marcou o fim da cidade, atualmente ela é a responsável por manter viva a história da região. Soterrada durante 1600 anos, Pompeia foi inteiramente preservada e se transformou numa das principais regiões turísticas da Itália. Recebendo cerca de 2,5 milhões de turistas por ano, a cidade foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. Entre os locais mais visitados estão as ruínas de antigos casarões, templos e claro, do anfiteatro. Porém, a grande atração é o mórbido "Jardim dos Fugitivos", local onde 13 adultos e crianças tentaram se salvar do desastre, mas não conseguiram. Seus corpos petrificados pela erupção foram preenchidos com gesso e estão em exposição na cidade.

Como chegar
Com voos saindo de São Paulo com destino a Roma, as passagens aéreas custam a partir de R$ 2550. O percurso possui escala e é operado por companhias internacionais e nacionais. Desembarcando na capital italiana, a melhor opção é seguir até Pompeia de trem. O embarque é feito na estação Termini rumo a Nápoles. Após chegar a terras napolitanas deve-se pegar outro trem rumo a estação de Pompei Scavi-Villa dei Misteri, na cidade de Pompeia. Para evitar ficar sem passagem, a dica é reservar o bilhete com antecedência pelo site da Trenitalia.

Mapa


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Confira fotos das ruínas da antiga cidade de Pompeia

Com capacidade para abrigar mais de 20 mil pessoas, o Anfiteatro de Pompeia era considerado um dos maiores e mais luxuosos da época e só ficava atrás do épico Coliseu com 50 mil lugares
A pena imposta pelo imperador Nero devido a briga foi a proibição de ser realizada qualquer disputa no teatro de Pompeia durante 10 anos, além da extinção de todas as torcidas organizadas de ambas as cidades
Entre os locais mais visitados de Pompeia estão as ruínas de antigos casarões, templos e praças
A grande atração de Pompeia é o mórbido
Soterrada durante 1600 anos, Pompeia foi inteiramente preservada e se transformou numa das principais regiões turísticas da Itália
Em 79 d.C., o vulcão Vesúvio entrou em erupção e soterrou a cidade. Pompeia ficou sob mais de 25 metros de lavas e cinzas após a violenta erupção
  
  

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