Atravesse de carro o mar de sal da Bolívia

Poucos lugares no planeta são tão selvagens e de tão difícil acesso como o admirável Mar de Sal ao redor de Uyuni, nos desertos do planalto boliviano

  
  

Poucos lugares no planeta são tão selvagens e de tão difícil acesso como o admirável Mar de Sal ao redor de Uyuni, nos desertos do planalto boliviano (Altiplano). Com tão poucas estradas traçadas, explorar a maior superfície salgada do mundo requer o auxílio de um veículo 4x4 e muita vontade de aventura de aventura. A recompensa é estonteante, ao passar pelos vulcões do majestoso Parque Nacional de Sajama, encontrar autênticas aldeias de índios Aymara e experimentar a sensação de dirigir num mar de sal que se estende até o horizonte.

Com tão poucas estradas traçadas, explorar a maior superfície salgada do mundo requer o auxílio de um veículo 4x4 e muita vontade de aventura de aventura

A partida para qualquer jornada será sempre La Paz, capital da Bolívia, que, localiza-se a 3600 metros de altitude. É a mais elevada capital do mundo. Não levará muito tempo até se perceber da altitude – começa-se a respirar mais depressa logo na chegada ao aeroporto – e vale a pena ficar um dia ou dois na cidade para se habituar, antes de dirigir. Erguida num vale arredondado, rodeada de picos da gelada cordilheira dos Andes, La Paz é um fervilhar de atividade, com muitos mercados, interesses culturais e eventos. Diz-se que à três festas para cada dia do ano.

Existem diversos caminhos para subir ao Salar de Uyuni, mas a melhor opção é tomar o caminho menos frequentado – o da verdadeira pérola que é o Parque Nacional de Sajama, a sudoeste de La Paz, junto à fronteira chilena. Mesmo dispondo de uma estrada asfaltada até à entrada do parque, o caminho leva cerca de quatro horas. Atravessando apenas algumas aldeias ao longo do caminho, ficará com ideia da vastidão da paisagem selvagem boliviana, com toda a sua grandeza.

O nome do Parque Nacional vem do pico mais alto da Bolívia, o vulcão Sajama, com 6549 metros de altitude, que, graças ao seu isolamento, é o ponto principal da paisagem num raio de vários quilômetros. Uma espessa camada de gelo desce, em cortina, desde o seu topo e as suas encostas escurecidas e mergulham abruptamente no deserto Altiplano. Para os índios Aymara e Quechua, Sajama é uma montanha sagrada, que representa a cabeça de Muruata, que foi decapitado pelo deus Wiracocha, como castigo por ser arrogante.

A aldeia de Sajama, aconchegada na base do vulcão, é uma miscelânea de casas de tijolo de barro acotoveladas, muitas delas pintadas de verde, branco e amarelo, possivelmente para dar alguma alegria, contrastando com as tonalidades poeirentas do deserto. A partir da aldeia pode-se alcançar um vale geotérmico, onde se encontram geiseres e piscinas de lama quente. Com o vapor subindo pelo ar vindo um pouco de toda a parte, o vale parece um campo de batalha. Se tiver sorte, uma lua cheia subirá à noite para iluminá-lo, dando-lhe uma aparência fantasmagórica.

Chegando à aldeia mais próxima, Sabaya, deve-se usar um desvio ao longo de uma trilha pouco usada, que contorna a fronteira chilena, via Macoya e Tunupa. A viagem de carro é dura, por vezes, mas procurar animais selvagens são uma boa distração. Pequenos grupos de nervosos e ligeiros vicunhas (ou vigonhos) vagueiam pela planície. Por volta dos anos 70, estes pequenos membros da família dos camelos tinham sido caçados quase até à extinção devido ao elevado valor do seu pelo.

De Sabaya, segue pode-se seguir até uma pequena aldeia com uma rua só, que é afastada do percurso dos turistas por alguns quilômetros vale a pena ser conferida. Deixando para trás o verde e castanho do terreno, conduzindo por uma pequena rampa de acesso ao sal branco, pela primeira vez tudo se torna enervante. À frente não há mais nada do que montanhas muito distantes. As rodas fazem estalar ruidosamente as formas hexagonais da superfície salgada, que parece uma forma irracional de pavimento. A superfície de Coipassa é menos estável do que a de Uyuni, pelo que a tentação de nos desviarmos do caminho previsto ser refreada. Acelerar pelo sal pode ser bem divertido e a rota leva-nos, eventualmente, a sair do sal rumo a Llica, junto ao extremo noroeste do mar salgado de Uyuni. Alimentada em parte pelo contrabando feito através da fronteira chilena, Llica é uma vila com muita vida, contando com uma população em forte crescimento. É a melhor opção para passar a noite.

Na manhã seguinte, depois de registar a sua saída no bizarro ponto de controle militar, junto à entrada da plataforma salgada, é tempo de se dirigir de novo para as profundezas desta maravilha natural. O Salar de Uyuni foi parte de um gigantesco lago pré-histórico – Minchin – que secou e depositou uma espessa camada de sal, cobrindo cerca de 12 mil km2 e medindo cerca de 130 km de diâmetro. Junto ao centro, é possível encontrar zonas onde se tem uma visão de 360º de terreno perfeitamente alisado, onde compreenderá o verdadeiro significado de silêncio ensurdecedor.

Fonte: MTur

  
  

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