Vamos conhecer a Grande Muralha da China por dentro?

Exorbitante em tamanho sendo inclusive visível do espaço, a Grande Muralha da China dificilmente precisa de apresentação. Caminhar ao longo da Muralha inspira as visões que os soldados chineses tinham quando defendiam sua pátria dos ataques externos

  
  
Muralha da China

Exorbitante em tamanho sendo inclusive visível do espaço, a Grande Muralha da China dificilmente precisa de apresentação. Caminhar ao longo da Muralha inspira as visões que os soldados chineses tinham quando defendiam sua pátria dos ataques das tribos de mongóis. Quase todas as pessoas têm este passeio dos sonhos na lista de coisas para fazerem quando visitarem a China, mas é possível evitar a confusão das multidões dirigindo-se para a parte que começa em Jinshanling.

Estendendo-se por mais de 6700 km sobre as montanhas agrestes e irregulares, os desertos e pastagens do norte da China. Desde o Passo de Shanhai, a leste, ao Passo de Jiayu, a oeste, a Grande Muralha da China foi construída ao longo de mais de dois mil anos.

A área de Badaling é, de longe, a mais popular para se visitar, mas foi muito restaurada e isso, juntamente com o número de turistas, torna-a menos atrativa. Para aqueles que tiverem uma condição física razoável, uma opção melhor será a caminhada de 12 km desde Jinshanling até Simatai, zona em que a muralha e o seu ambiente retêm um apelativo ar de desgaste natural.

Composta, no início, por uma série de muralhas construídas separadamente por dinastias guerreiras durante o final do Período da Primavera e do Outono, a Grande Muralha, propriamente dita, foi construída em 214 AC

Jinshanling fica a cerca de 120 km a norte de Pequim, na província de Hebei, e está nos roteiros de vários operadores turísticos da capital, os quais o deixarão lá e o virão buscar mais à tarde, em Simatai. Apesar de a muralha ser visível quando se entra pela porta Jinshanling, só depois de subirem os primeiros degraus e de se ver a sua extensão dentada e serpenteada é que se para para admirar. Com cumes montanhosos a perder de vista, cada pico mais alto encontra-se coroado com uma grande torre de vigia. Uma gigantesca obra de engenharia que desafia a gravidade à medida que se eleva e que depois mergulha por ladeiras escarpadas.

Composta, no início, por uma série de muralhas construídas separadamente por dinastias guerreiras durante o final do Período da Primavera e do Outono, a Grande Muralha, propriamente dita, foi construída em 214 AC, durante a dinastia Qin. A atual Muralha é uma ligação de várias pequenas muralhas que foram unidas sob as ordens do imperador Qin Shi Huangdi. A ineficácia de um ataque às suas barreiras de 7 a 8 metros de altura, juntamente com a exaustão resultante da travessia das montanhas que a circundam, deve ter destroçado os corações de muitos inimigos. Até as famosas tribos mongóis de Genghis Khan lutaram para o romper antes de capturarem Pequim em 1215. Quando a dinastia Yuan, fundada por Kublai, neto de Genghis caiu em 1368, os imperadores Ming começaram a construir apressadamente as fortificações da muralha, particularmente para tentarem manter os Manchus em xeque durante o século XVI e o início do século XVII.

No início, quando se sai de Jinshanling, a muralha encontra-se em bom estado, o que ajuda no aquecimento das pernas para a impiedosa série de degraus que o levarão de uma torre de vigia até à outra. No auge do poder da China, mais de um milhão de soldados protegiam a Grande Muralha de atacantes.

No início, quando se sai de Jinshanling, a muralha encontra-se em bom estado, o que ajuda no aquecimento das pernas para a impiedosa série de degraus que o levarão de uma torre de vigia até à outra

Se olharmos de uma torre de vigia para as infinitas e sombrias dobras da acidentada encosta da montanha, não é difícil imaginar o sofrimento dos soldados inimigos, especialmente no Inverno, enquanto marchavam ou cavalgavam desde o norte, durante meses, para realizarem um ataque. As torres de vigia são situadas de forma a fornecer uma vista mais abrangente possível, e com uma série de mensageiros a cavalos, prontos a alertar os defensores noutros pontos da muralha, os chineses tornavam-se imbatíveis.

À medida que avança lentamente para Simatai você começa a sentir (mesmo que apenas devido à dor das suas pernas) a magnitude deste gigante dragão de pedra, fora que o estado da muralha começa a deteriorar-se. Acima de Simatai, uma moderna ponte giratória atravessa agora o rio e os mais aventureiros poderão realizar um último percurso de descida para a cidade por meio de uma roldana deslizante sobre um cabo esticado. No entanto, parece uma pena estragar um encontro com um dos maiores monumentos do mundo fazendo uma saída tão brusca.

Fonte: Destinos de Viagem

  
  

Publicado por em