A Bahia de Jorge Amado

A obra do autor de Gabriela, que em 2012 faria 100 anos, é mais que um convite para viver a Bahia. Vale a pena conhecer este paraíso no nordeste brasileiro!

  
  
O escritor baiano, que se vivo completaria 100 anos em agosto, foi quem melhor apresentou a Bahia ao Brasil e ao mundo

“O povo é doce, acolhedor e ruidoso, mas também dotado de certa timidez, fruto da mistura de portugueses e negros. Nesta cidade onde se conversa muito, sopra uma aragem marítima constante e o tempo ainda não adquiriu a velocidade dos grandes centros urbanos. A topografia é privilegiada: situada entre o mar e o morro, divide-se em Cidade Alta e Cidade Baixa e se abre para o mar” escreveu Jorge Amado em 1945, na obra Bahia de Todos os Santos, uma crônica que é uma espécie de guia das ruas e dos mistérios baianos.

Certamente é impossível não perceber que Salvador é hoje dos maiores e mais importantes centros urbanos do Brasil. Mas um passeio pelo Pelourinho e adjacências será, sem dúvidas, uma oportunidade de encontrar com a história, de viver e rever um passado tão esclarecedor sobre a formação cultural do Brasil.

O escritor baiano, que se vivo completaria 100 anos em agosto, foi quem melhor apresentou a Bahia ao Brasil e ao mundo.

No Pelourinho, descrito pelo autor como “O coração da vida popular baiana situa-se na parte mais velha da cidade, a mais poderosa e fascinante (...)”, encontra-se a Fundação Casa de Jorge Amado, entidade criada para preservar, pesquisar e divulgar os acervos bibliográficos e artísticos do autor, e que conta com uma exposição permanente de documentos, fotografias, livros, suas apropriações populares, adaptações e objetos relacionados, que vale a visita.

O visitante irá sentir-se convidado a um passeio pela história da Bahia e do Brasil, com destaque para as igrejas. “A Bahia orgulha-se das suas igrejas católicas, suntuosas, monumentos arquitetônicos realmente admiráveis, algumas muito belas, outras muito ricas, várias marcadas por especial devoção popular.” Destaque para a Igreja do Rosário dos Homens Pretos e a Catedral Basílica, grandes exemplos da arquitetura colonial.

O espaço, em que o autor residiu ainda quando estudante, serviu de inspiração e cenário para diversas de suas obras. É do prédio em que vivia que nasceram, por exemplo, os personagens de seu terceiro romance, Suor (1934). E foi ali perto, no Largo 2 de Julho, que um de seus personagens mais famosos, o Vadinho de Dona Flor e seus Dois Maridos, “morrera” fantasiado de baiana, pulando Carnaval.

Além das diversas igrejas, arquitetura barroca e diversos centros culturais, o Pelourinho reúne bares e restaurantes com o melhor da singular gastronomia baiana. Às terças-feiras, o ensaio do Olodum atrai milhares de pessoas ao espaço, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1985.

No bairro do Rio Vermelho, próximo ao centro, está a casa em que Jorge Amado morou com a também escritora Zélia Gattai, no número 33 da Rua Alagoinhas, desde 1961 até sua morte, em 1988. Ali nasceram muitas obras que ganhariam a eternidade na literatura brasileira.

O bairro concentra algumas opções de bares e restaurantes, interessante vida noturna, alguns hotéis e vistas sensacionais do inigualável mar da Bahia.

Mas o cenário das obras do autor, orgulho da Bahia e do Brasil, não se restringe a Salvador. Em Tieta do Agreste (1977), outro monumental sucesso com adaptações ao cinema e TV, a região de Mangue Seco com suas dunas monumentais passou a povoar o imaginário do leitor. A praia, cujo acesso se dá pela travessia do Rio Real a partir de Pontal (SE) – a 28 km do final da Linha Verde –, tem aproximados 30 km de extensão, constituindo um dos cenários mais paradisíacos do Brasil, o que atrai muitos banhistas e surfistas.

Ilhéus, porta de entrada da Costa do Cacau, região em que o autor nasceu (Itabuna, 1912), é cenário de outra de suas mais famosas obras, Gabriela Cravo e Canela (1958), livro que descreve a transformação social da região na década de 1920 e que recebeu recente readaptação para a televisão.

Ali é possível conhecer o Bar Vesúvio e o Bataclã, além de atrações como a Catedral de São Sebastião, a Casa de Cultura Jorge Amado e o Convento da Piedade. E de lá também é possível iniciar a incrível viagem a Itacaré pela Estrada-Parque (BA-001).

Jorge Amado deixou, em vida, 32 livros publicados e traduzidos para 49 idiomas em 55 países.

Se ler é viajar sem sair do lugar, a obra de Jorge Amado é um convite para experimentar a Bahia.

Fonte: MTur

  
  

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