Agências divergem sobre impacto de acidente no turismo

Profissionais de agências de turismo no exterior divergem sobre o impacto dos problemas do setor aéreo brasileiro e do acidente do Airbus-A320 no turismo para o país. A maioria diz que ainda é cedo para sentir alguma mudan&cc

  
  

Profissionais de agências de turismo no exterior divergem sobre o impacto dos problemas do setor aéreo brasileiro e do acidente do Airbus-A320 no turismo para o país.

A maioria diz que ainda é cedo para sentir alguma mudança no fluxo de pessoas, mas há divisões entre os que acreditam em um impacto negativo no longo prazo e os que apostam que não haverá mudanças.

"As pessoas ainda estão acordando para o que aconteceu", disse João Carlos Correia, da agência Sottotour, em Lisboa.

Mas ele alertou que poderia haver uma reação "silenciosa" de clientes em relação ao Brasil. "É o segundo acidente na malha interna no Brasil e isso vai ser prejudicial. As pessoas vão começar a se perguntar se vale a pena ir ao Brasil se a autoridade reguladora dos aeroportos não cumpre as suas funções."

Longo prazo

Márcio da Silva, proprietário da agência de viagens londrina Steamond Travel, disse que a crise no setor aéreo poderia diminuir o fluxo de turistas para o Brasil "no longo prazo".

Mas ele ressaltou que, até agora, a crise dos controladores de vôo no Brasil não prejudicou as vendas de passagens para o país.

"Vendemos muito para a comunidade brasileira, e este tipo de cliente não vai deixar de viajar para o Brasil", afirmou.

"Por outro lado, quando vendemos passagens para estrangeiros, explicamos a situação e isso gera uma certa ansiedade."

Um dia depois do acidente com o avião da TAM em São Paulo, a TAP, empresa aérea européia com maior número de vôos para o Brasil -60 por semana- disse que não havia sentido alterações no fluxo de passageiros.

"É uma época de alta estação. E a experiência mostra que não há uma grande queda no número de passageiros", disse o responsável pela área de imprensa da TAP, Antonio Monteiro.

Riscos

Helena Areias, da loja Halcon Viagens, no centro de Lisboa, disse que os riscos não demovem os turistas de sua decisão de viajar.

"Se fosse por isso, não haveria tantos carros, porque há muito mais acidentes de automóvel [que de avião]", ela afirmou. "As pessoas quando compram um bilhete de avião sabem dos riscos."

Um porta-voz da agência Abreu, uma das mais antigas do país, ressaltou ainda que o passageiro típico que voa para São Paulo normalmente viaja a negócios, e por isto não deixaria de embarcar.

Já o gerente comercial de uma outra agência londrina, a South American Experience, não parece preocupado com os problemas nos aeroportos brasileiros.

"Acho que quando um cliente viaja para a América Latina, viaja conformado com o fato de que as coisas não vão ser como o esperado", diz André de Mendonça.

"Além disso, atrasos se tornaram coisa normal na aviação em todo o mundo". "Um monte de gente quer ir para o Brasil. Eu diria que o problema em vender o país como destinação turística hoje em dia reside na pouca disponibilidade de vôos", acrescentou.

Fonte:Folha Online

  
  

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