Brasileiros preferem montar seus próprios roteiros turísticos

Pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro 2009, realizada pelo Instituto Vox Populi para o Mtur, aponta preferência por roteiros próprios e negociação direta para compra de passagens e hospedagem

  
  
Evento de divulgação da Pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro nesta última quarta (4) em Brasília

Brasileiros viajaram mais, nos últimos dois anos. O turismo interno está em alta e o mercado interno em crescimento. A maioria prefere viajar por conta própria (79,5% dos clientes atuais), montando roteiros com indicação de amigos e da internet, planejados com antecedência e pagos à vista. Porém, as compras de passagens e efetivação das reservas são geralmente feitas na última hora. Apenas 20,5% adquirem pacotes turísticos.

Entre 2007 e 2009, o número de cidadãos que fizeram pelo menos uma viagem no País, aumentou em 83%, comparado com estudo anterior (2007). Esse dado e outros foram revelados pela Pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro 2009, realizada pelo Instituto Vox Populi para o Ministério do Turismo (Mtur) e divulgada nesta última quarta-feira (4), em Brasília.

O objetivo do trabalho é demonstrar como os brasileiros consomem os produtos e serviços do turismo, de acordo com o ministro do Turismo, Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho, que participou da coletiva no auditório do Mtur, acompanhado por diretores e secretários do órgão. “Os resultados desse trabalho podem subsidiar as empresas do setor do turismo e seus planos de comunicação e vendas”, observou Barretto.

A Pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro 2009 foi realizada entre os dias 7 de junho e 17 de julho deste ano. A amostragem foi composta por 2514 entrevistas, via telefone, com brasileiros maiores de 18 anos, de 11 capitais do País, e pertencentes às classes sociais A, B, C e D.

Os perfis dos entrevistados foram divididos em três: clientes atuais, que viajaram pelo menos uma vez, nos últimos anos; clientes potenciais, que não viajaram, mas pretendem viajar nos próximos dois anos; e não clientes, que não viajaram e não pretendem viajar nos próximos dois anos. Razões financeiras são o motivos por não viajar para 55% dos não clientes.

Mercado em expansão

O mercado do turismo está em plena expansão e, conseqüentemente, os desafios para governos, empresários, empreendedores e trabalhadores do setor também aumentam, disse o ministro do turismo. Oitenta por cento dos entrevistados disseram que viajaram menos do que gostariam. Quando o turista é de primeira viagem, prefere ir a lugares onde nunca esteve, de acordo com a pesquisa.

“O turismo é muito inclusivo”, afirmou o ministro. Entre os clientes atuais e potenciais (83%), 46% são da classe B, 20% da classe C e 16% da classe D, destacou Barretto. “ Esses dados demonstram um alargamento do mercado em torno de 60%”, acrescentou.

Novos hábitos, tendências, perfis e nichos de mercado estão surgindo em decorrência da inclusão de consumidores estreantes no turismo, especialmente das classes C e D, destacou o ministro. O estado paulista, seguido de Brasília, são os principais mercados emissores, alertou o ministro. Ou seja, turistas dessas unidades são disputados tanto pelo turismo nacional quanto internacional.

“Assim como a indústria de eletrodomésticos tem de melhorar para atender os novos consumidores, na indústria do turismo deve acontecer a mesma coisa”, alertou Barretto. O desafio, segundo ele, não é só para o atual governo, mas é uma obra para longo prazo, complementou.

Dados reveladores

Para o brasileiro, viajar significa descansar, segundo resultados da pesquisa. Os destinos de sol e praia continuam a ser a preferência da maioria ou para 54% dos clientes atuais, mas novas modalidades de turismo, como o cultural e de novas experiências, começam a formar clientela.

Para a maioria dos entrevistados, as férias (verão e inverno) são os períodos ideais para viajar. Entre os destinos preferidos dos clientes atuais figuram: Bahia (11,5%); São Paulo (10,9%), Rio de Janeiro (9,4%) e Santa Catarina (9%). A região Nordeste tem preferência dos clientes potenciais ou para 21,4% deles.

A pesquisa revela que há uma relação direta entre escolaridade e situação econômica do turista. A maioria dos turistas tem ensino superior ou mais, equivalendo a 51,3% dos clientes atuais e 27,3% dos clientes potenciais.

Para 58% dos clientes potenciais, negociar diretamente com os meios de hospedagem, companhias aéreas, entre outros, é o caminho mais comum. “O cliente sem hábito de viajar necessita de mecanismos tradicionais de mercado”, observou Márcio Nascimento, diretor de Marketing do Mtur.

A maioria elege a família como companhia ideal (29,1 dos clientes atuais e 31,8% dos clientes potenciais), sendo que esposas e filhos ocupam o primeiro lugar na preferência. Viajar apenas em companhia do cônjuge ocupa o segundo lugar nesse aspecto ou para 21,6% dos clientes atuais e 20,3% dos potenciais, segundo a pesquisa.

Mais de 80% dos brasileiros que viajam planejam com antecedência de até 180 dias. Cerca de 20% deles compram as passagens e efetivam as reservas com até uma semana de antecedência. “Esse dado confirma que o brasileiro faz tudo em cima da hora”, ressalta Nascimento.

Outro dado interessante apontado é em relação ao pagamento das viagens: 63% dos turistas pagam à vista. Desses, 20,5% adquire pacotes turísticos e 79,5% viajam por conta própria. “Hoje é mais fácil montar a própria viagem”, comenta o diretor de Marketing do Mtur. Em relação ao transporte, 41,8% e 23,8% dos clientes atuais pretendem viajar de automóvel e ônibus, respectivamente.

Entre os entrevistados que viajaram nos últimos dois anos, a renda é superior a dez salários mínimos. Já entre as pessoas com interesse de viajar até 2011, a renda varia entre um e três salários mínimos.
Mais informações sobre a pesquisa estão no site do Mtur (www.mtur.gov.br)

Serviço:
Ass.imprensa Mtur - (61) 2023--055

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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