Prefeitura, instituições e comunidade se unem pela Estrada Parque, no Mato Grosso do Sul

A Estrada Parque é considerada um dos maiores produtos de toda a cadeia turística sul-mato-grossense.

  
  
Objetivo da reunião foi traçar ações práticas e viáveis, identificando a responsabilidade e estipulando prazos para o seu cumprimento

Um dos polos mais importantes do turismo receptivo de Mato Grosso do Sul, no meio do Pantanal, a comunidade do Passo do Lontra recebeu, nesta segunda-feira (25), a visita de representantes da Prefeitura de Corumbá e da Fundação de Turismo do Estado. O objetivo do encontro, que ocorreu na Base de Pesquisas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi discutir e encaminhar diversas ações para resolver os principais problemas ao longo Estrada Parque, considerada um dos maiores produtos de toda a cadeia turística sul-mato-grossense. A reunião teve participação de representantes de diversos órgãos e instituições que atuam na região, além de empresários do turismo local.

Inúmeros problemas foram apontados pela comunidade ribeirinha do Rio Miranda, que corta a estrada, por donos de empreendimentos hoteleiros e operadores de ecoturismo na região, como dificuldade de comunicação, falta de revitalização das pontes e precariedade da rede de energia elétrica. No entanto, como destacou o superintendente de Turismo de Corumbá, José de Carvalho Junior, seguido pelos demais representantes de órgãos e instituições, o objetivo da reunião era, com os problemas e gargalos já diagnosticados, traçar ações práticas e viáveis, identificando a responsabilidade e estipulando prazos para o seu cumprimento, superando a fase de mera “discussão e reclamação”.

“Todas as áreas técnicas da prefeitura estão presentes aqui, e temos a disposição de batalhar na busca de soluções para os problemas, desde a falta de energia até a questão da exploração sexual”, afirmou o secretário executivo de Relações Institucionais e diretor-presidente da Fundação de Cultura de Turismo do Pantanal, Carlos Porto. Em sua avaliação, a resolução de cada um deles só será possível por meio do trabalho conjunto entre todos os parceiros, como a Fundação de Turismo do Estado, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a ONG Ecoa, entre outros, além da própria iniciativa privada local.

O primeiro assunto discutido em profundidade, como reivindicação do setor turístico pantaneiro, foi a real possibilidade da extensão do Trem do Pantanal até Corumbá, que hoje opera somente o trajeto Campo Grande-Miranda. De acordo com Emanuel de Castro, assessor comercial da operadora Serra Verde Express, todas as condições técnicas e operacionais por parte da empresa já estão prontas para a ampliação do trajeto, o que incrementaria substancialmente o turismo na região. “Apesar de precisarmos ainda alicerçar melhor o primeiro trajeto, dependemos apenas da operacionalização com a ALL (América Latina Logística), que é permissionária da ferrovia”, garantiu.

Em seguida, representantes do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Corumbá abordaram as ações desenvolvidas pelas duas instituições para prevenir e combater a prática de exploração sexual – típica das regiões turísticas e, no caso do Pantanal, relacionada diretamente ao turismo de pesca. Os servidores da secretaria executiva de Assistência Social destacaram que, por meio dos projetos Medusa e CRAS Itinerante, e em parceria com os governos estadual e federal, o Município vem atuando decisivamente no combate à violação dos direitos humanos, principalmente em relação a crianças e adolescentes.

Por fim, o gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes Palma, apresentou o Plano de Manejo da Estrada Parque Pantanal, pronto há dois anos e contendo as diretrizes para todas as ações possíveis e necessárias que visem resolver os problemas e alavancar o turismo na região. Conforme ele, no entanto, a constituição e o fortalecimento de um comitê gestor são essenciais para que o instrumento saia do papel. Dessa forma, após ampla discussão e apontamento de órgãos e gestores responsáveis por viabilizar soluções em todas as áreas, os presentes elegeram 14 membros que formarão, a partir de agora, o Comitê Gestor do plano.

Composto por representantes de todos os órgãos e instituições presentes, bem como da comunidade local e do setor turístico, o comitê será responsável pela implementação do Plano de Manejo pela organização dos projetos que visam transformar a Estrada Parque em “produto do turismo brasileiro de fato”. A próxima reunião do grupo ficou agendada para o dia 15 de março, também na base da UFMS. Na avaliação do empresário João Julio Dittmar, proprietário de um hotel-fazenda e representante do setor no comitê, grandes paradigmas já foram vencidos e a “união das instituições e da comunidade parece caminhar finalmente na direção da resolução dos principais problemas locais”.

Estrada Parque

A Estrada Parque Pantanal (conhecida como Estrada da Integração, Estrada Boiadeira ou Estrada da Manga) pertence ao governo de Mato Grosso do Sul e localiza-se na região da Nhecolândia, município de Corumbá. Trata-se de uma unidade de conservação de uso direto, reconhecida como tal pelo governo estadual em 1993. É composta pelas rodovias estaduais MS-184 e MS-228, e pelo seu entorno imediato de 300 metros em cada lado da estrada. São cerca de 120 quilômetros de extensão que incluem a transposição de balsa pelo Rio Paraguai e mais de 100 pontes, necessárias para dar vasão às águas das cheias que ocorrem no Pantanal.

Originada de uma trilha aberta por Marechal Rondon no fim do século XIX, a estrada foi o único acesso do interior de Corumbá a Campo Grande até 1986, quando a BR-262 foi asfaltada e inaugurada pelos militares. Em 1993, o governo estadual publicou decreto determinando que as antigas rodovias MS-184 e MS-228 ganhassem o nome atual, sendo utilizada apenas em 1998. No período das chuvas, torna-se difícil transitar pela estrada, por ser um via de terra, e alguns trechos ficam bastante enlameados e com risco de atolamento para veículos de passeio.

Fonte: Prefeitura de Corumbá

  
  

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