Retorno do turismo comunitário vai além do financeiro

A iniciativa também contribui para aproximar famílias e manter viva a história de uma comunidade

  
  

Organizado e desenvolvido pelos próprios moradores de uma comunidade, o turismo comunitário está ganhando cada vez mais representatividade no cenário brasileiro. Contando com diversas iniciativas consolidadas e outras em processo de desenvolvimento, esta modalidade de turismo tem contribuído não só para reforçar a receita das famílias envolvidas, mas também para resgatar e manter viva a história das comunidades e estreitar as relações entre pais e filhos.

No Ceará, por exemplo, mais especificamente na cidade de Nova Olinda, região do Cariri, desde 2000, funciona a Cooperativa Mista dos Pais e Amigos da Fundação Casa Grande (Coopagran), que reúne dez pousadas domiciliares. Jussamiris Alves, representante da Fundação Casa Grande, diz que, além de contribuir para o aumento da receita familiar e também dos estabelecimentos comerciais que funcionam na cidade, a criação das pousadas também serviu para aproximar ainda mais as famílias.

Ela explica que a Coopagran nasceu da curiosidade de muitos pais em saber o que seus filhos faziam na Fundação Casa Grande, que funciona como um centro educativo, onde crianças e jovens aprendem diversas atividades relacionadas às artes. “Muitos turistas visitavam a fundação para conhecer o trabalho que é realizado e depois iam embora para hotéis em Crato ou Juazeiro.

A partir dessa constatação, surgiu a ideia de criar as pousadas familiares. Com elas, o turista passou a ter como ficar em Nova Olinda.” Como são as próprias crianças e jovens que cuidam de todo o trabalho na Fundação Casa Grande, com a ida do visitante para as casas de seus pais, o relacionamento entre eles e o conhecimento sobre o que cada um faz passou a ser mais intenso. De acordo com Jussamris, ao longo do ano passado, aproximadamente 10 mil turistas, do Brasil e do Exterior, ficaram hospedados nessas pousadas.

Na capital do Espírito Santo, por sua vez, o Instituto Capixaba de Ecoturismo (ICE) está desenvolvendo um projeto em parceria com a comunidade do bairro Caieiras, que já está surtindo resultados – o resgate da história daquela comunidade.

O bairro de Caieiras é conhecido em Vitória por ser a principal referência gastronômica da cidade, com seus diversos restaurantes servindo pratos típicos, à base de peixes e frutos do mar. O que poucos sabem, no entanto, é que a maior parte dos moradores do bairro faz parte de famílias que estão ali há pelo menos 300 anos e, portanto, conhecem a história da cidade como poucos.

Segundo Felipe Ramaldes Corrêa, representante do ICE, com o objetivo de manter essa memória viva, o Instituto iniciou há dois meses um curso para 20 jovens de Caieiras e bairros próximos para que eles possam atuar como Condutores Locais de Ecoturismo. Paralelamente ao curso, serão elaborados roteiros turísticos para os clientes dos restaurantes e também será criada uma cooperativa, para desenvolver as atividades de forma coordenada e legal. Felipe destaca que o projeto foi amplamente discutido com a comunidade local e contou com seu inteiro apoio.

Para João Follodar, um dos 20 jovens que participam do curso, “o mais interessante tem sido descobrir diversas curiosidades da cultura local”.

Fonte: MTur

  
  

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