Turismo de Bonito teme prejuízo com febre amarela

Bonito, um dos mais importantes pólos turísticos de Mato Grosso do Sul e localizado a 285 quilômetros de Campo Grande, teme o impacto negativo na principal atividade econômica da cidade com a confirmação do segundo caso de febre amarela no País.

  
  
Turistas no Rio da Prata - Bonito/MS

Bonito, um dos mais importantes pólos turísticos de Mato Grosso do Sul e localizado a 285 quilômetros de Campo Grande, teme o impacto negativo na principal atividade econômica da cidade com a confirmação do segundo caso de febre amarela no País. Após o Ministério da Saúde confirmar que uma turista de São Paulo, de 42 anos, e internada na unidade Morumbi do Hospital São Luiz, contraiu a doença no município, a Secretaria Estadual de Saúde iniciou, no sábado, uma operação de emergência para combater o mosquito vetor, imunizar a população e monitorar os macacos da região.

A intervenção do Governo estadual surpreendeu e até chegou a causar revolta nas autoridades locais. "É extremamente ruim para o turismo", admitiu o prefeito José Arthur Soares de Figueiredo (PMDB), após se reunir para discutir o caso com o secretário estadual substituto de Saúde, Eugênio Barros. Ele ainda destacou que a confirmação da contaminação pelo ministério é "precipitada e temerosa".

"É uma temeridade falar que foi em Bonito", reagiu o secretário municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Augusto Barbosa Mariano. Com 4,5 mil leitos na rede hoteleira, a cidade se preparava para ocupação de 100% durante o feriadão de carnaval, no início do próximo mês. "Não temos nenhum caso notificado. Esta mulher passou por vários pontos de São Paulo até Bonito", explicou, tentando desqualificar a suspeita de que a turista, que permaneceu na cidade de 28 de dezembro a 2 de janeiro, tenha contraído a febre amarela silvestre no município. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que ela realizou vários passeios turísticos na zona rural.

A principal preocupação da prefeitura é com a notícia negativa, que teve repercussão nacional. "É muito temerário", ressaltou Augusto Barbosa. O prefeito ainda citou que todos os pontos ecoturísticos do País apresentam o mesmo risco. Ele disse que as agências de viagem sempre orientaram os turistas a se imunizarem contra a febre amarela 10 dias antes de viajar ao município.

Lotada

Neste fim de semana, segundo a Secretaria Municipal de Cultura, Indústria e Comércio, aproximadamente 3 mil turistas estão em Bonito. A expectativa é de que a lotação dos hotéis atinja 100% durante o carnaval. No período de 15 de dezembro a 5 de janeiro, segundo o secretário, 30 mil pessoas visitaram a cidade. Este número é 66% superior à população local de 18 mil habitantes.

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Edmundo Dineli Costa Júnior, monitoramento contínuo dos atrativos naturais não constatou nenhuma morte de animais. Citou, inclusive, que turistas estariam surpresos com a presença de macacos com grande quantidade de filhotes. "O bando doente não se reproduz", frisou.

Como o secretário municipal de Saúde estava viajando, o prefeito designou titulares de duas pastas de áreas diferentes para atender a equipe da Vigilância em Saúde da secretaria estadual e a imprensa no sábado.

Três mil doses

Ação de emergência da Secretaria Estadual de Saúde prevê a borrifação em todos os imóveis da área urbana de Bonito, o monitoramento entomológico (acompanhamento dos insetos) e dos macacos e a imunização dos moradores e turistas. Ontem, o interino da pasta, Eugênio Barros, levou mais 3 mil doses da vacina anti-amarílica ao município.

De acordo com o secretário de Turismo, Indústria e Comércio, Augusto Barbosa Mariano, não houve campanha para massificar a vacinação na cidade. Somente na semana passada, 590 pessoas foram imunizadas na cidade. Ainda restavam 320 doses nos estoques da Secretaria Municipal de Saúde. Por orientação do Governo federal, o número de doses foi ampliado em dez vezes, passando para 3,3 mil unidades disponíveis.

A Secretaria Estadual de Saúde ainda destinou 500 litros de deltamitrina à base de água para realizar a borrifação contra o mosquito Aedes aegypti na cidade. Duas caminhonetes foram levadas da Capital para realizar a aplicação nos 450 quarteirões da área urbana. Segundo técnicos da Vigilância em Saúde, serão duas borrifações em todos os imóveis no período de três dias. Ontem à tarde, a chuva prejudicou o início da operação.

Eugênio Barros destacou que não houve notificação da morte de macacos em Bonito nem outro caso da doença em humanos. Contudo, destacou que as medidas adotadas são previstas no protocolo. A meta é manter a situação sob controle.

Fonte: Correio do Estado
Por: Edvaldo Bitencourt

  
  

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