Celebrações religiosas e manifestações populares dão o tom da Festa D'Ajuda, em Cachoeira

A cidade-monumento nacional realiza nos próximos dias a Festa D’Ajuda, em louvor à padroeira da primeira capela construída no município, ainda na época da colonização do Brasil, pelos portugueses

  
  
As celebrações religiosas abrem alas para desfiles de mascarados, a pé ou em carroças e bicicletas enfeitadas

Localizada a 110 quilômetros de Salvador, Cachoeira está em festa. A cidade-monumento nacional (tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, em 1971) realiza nos próximos dias a Festa D’Ajuda, em louvor à padroeira da primeira capela construída no município, ainda na época da colonização do Brasil, pelos portugueses. O evento, que será realizado até 20 de novembro, é uma comemoração religiosa, com forte característica popular, que, em alguns momentos, se transforma em um verdadeiro “Carnaval”.

As celebrações religiosas abrem alas para desfiles de mascarados, a pé ou em carroças e bicicletas enfeitadas, folguedos de rua e danças, além das tradicionais cabeçorras (máscaras gigantes em papel machê) e mandus (personagem do Recôncavo que tem como indumentária um lençol que lhe cobre a cabeça e um paletó velho).

A missa solene para Nossa Senhora D’Ajuda, seguida de procissão pelo centro histórico, é o ponto alto da programação religiosa. No entanto, a festa popular, que é considerada a maior do município, contará com lavagem das escadarias da igrejinha e desfiles de ternos de reis, outra das tradições do Recôncavo. Participam, este ano, o Terno do Silêncio, Terno do Acarajé, Terno das Cozinheiras, Terno das Crianças, Terno das Malandrinhas, Terno da Alvorada (que sai às 5h e anima as ruas até o início da tarde) e o Terno da Saudade, que encerra a programação, na tarde do dia 20.

O Bando Anunciador abriu as comemorações, com fogos de artifício e desfile, uma semana antes do início dos folguedos. A festa recomeça à zero hora do próximo sábado (10), quando, ao toque do sino da igreja, o Terno do Silêncio sai às ruas de Cachoeira. Reza a tradição que de silêncio o grupo leva apenas o nome, porque os integrantes fazem bastante barulho para avisar que tem comemoração na cidade. O desfile segue pela madrugada do domingo (11). Na manhã desse dia, a partir das 10h, acontece a lavagem das escadarias da igreja secular. O Terno do Acarajé é a atração do dia 13, com desfile às 16h. O tríduo religioso vai de 14 a 16 de novembro. No sábado (17), a partir das 19h30, será celebrada a missa solene, seguida de procissão religiosa pelo centro histórico.

A missa solene para Nossa Senhora D’Ajuda, seguida de procissão pelo centro histórico, é o ponto alto da programação religiosa

O Terno das Cozinheiras desfilará no dia 14, às 16h, o das Crianças, no dia 15, às 10h, e o das Malandrinhas sairá no dia 16, também às 16h. No domingo, (18), a cidade é acordada pelo Terno da Madrugada, que desfila a partir das 5h, e na terça-feira (20), a festa será encerrada com o desfile do Terno da Saudade, a partir das 16h.

Conheça um pouco da história e tradições de Cachoeira

Durante os séculos XVII e XVIII, Cachoeira foi uma das vilas mais ricas do Brasil, com um comércio forte e terras férteis, utilizadas para o plantio da cana de açúcar. O povoado, denominado Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, surgiu quando o fidalgo português Paulo Dias Adorno, da expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, estabeleceu, à margem esquerda do Rio Paraguaçu, um engenho, residência, senzala e mandou erigir a capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Em 1637, a capela foi reformada, ampliada e alçada à condição de matriz, em louvor a Nossa Senhora D’Ajuda.

A cidade teve importância política para o Brasil no século XIX: foi sede do governo da Bahia em 1922, nas lutas pela independência do Brasil. Dali partiu a resistência para consolidar a independência na Bahia, em 1823. A Casa da Câmara e Cadeia, onde funcionou o governo, tornou-se o prédio histórico mais importante do interior da Bahia. A ponte que liga Cachoeira a São Félix, cidade localizada na outra margem do Rio Paraguaçu, construída entre 1822 e 1835, com as armas imperiais nela fixadas, é uma das marcas da importância política da cidade.

Cachoeira é uma cidade-monumento, ela foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, em 1971

A igreja de Nossa Senhora D’Ajuda fica em um largo com o mesmo nome e é vizinha à sede da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, instituição religiosa responsável por outra das tradicionais festas do município, esta realizada em agosto.

Durante a visita, não se esqueça de provar alguns dos itens do cardápio típico, como vatapá e caruru, acarajé e abará, as moquecas, maniçoba, efó, bolos e mingaus. Para as lembranças de viagem, escolha esculturas em madeira, bonecas de pano, bordados e artesanato em barro. Também não deixe de apreciar o samba de roda típico do Recôncavo e de fazer um passeio rural. Estenda a visita a São Félix, cidade-irmã de Cachoeira, à margem direita do Rio Paraguaçu. Basta atravessar a ponte Dom Pedro II, que liga as duas cidades.

Agências de receptivo turístico de Salvador programam (a pedido) passeios de um dia, com preços a partir de R$ 150 por pessoa (grupo de no mínimo quatro pessoas). Há saídas de ônibus comerciais (com ar-condicionado), todos os dias, da Rodoviária de Salvador, a partir das 5h45. A passagem (ida e volta) custa R$ 38,40 (já com as taxas). Duas empresas (Jauá 71 3450-5544 e Santana 71 3450-4951) fazem as linhas em direção ao Recôncavo. Mais informações pelo Disque Bahia Turismo, telefone (71) 3103-3103.

Fonte: Governo da Bahia

  
  

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