Notícias > Turismo > Turismo religioso >Muquém, em Goiás, atrai romeiros mas oculta suas belezas naturaisParceiros do planejamento turístico de Niquelândia (GO) projetam infraestrutura e profissionalização para melhorar a atividade do turismo na cidade e no Povoado de Muquém21 de Agosto de 2009. Publicado por Equipe EcoViagem Há 263 anos o município de Niquelândia (GO), distante 290km de Goiânia, ao norte do Estado, recebe romeiros de todo o Brasil para Romaria de Nossa Senhora d’Abadia, tradicional festa religiosa do lugar. Reunidos no Povoado de Muquém, a 45km da cidade, este ano cerca de 150 mil católicos fincaram tendas, pés e esperança ao lado do Santuário de Muquém, uma imensa igreja com capacidade para 27 mil pessoas. Tudo pela devoção a Abadia, provedora de milagres, segundo os fiéis. Envolto por montanhas, o povoado agrega também rios e córregos de águas cristalinas, cachoeiras, trilhas ecológicas e o Lago Serra da Mesa. Obras da natureza que o homem ainda não soube explorar, em todo seu potencial, para o turismo. Tanto é assim que turistas que compareceram à romaria este ano não sabiam qual o caminho a seguir quando a vontade de um banho de cachoeira queria dar fim ao calor de quase 40 graus em meio ao bucólico Cerrado goiano. Lenilda Mendes, 33 anos, moradora de Brasília (DF), que o diga. Pela segunda vez em Muquém, ela bateu pernas para tentar encontrar a Cachoeira do Muquém, distante 2km do Santuário. “Caminhei por trilhas da reserva ambiental do povoado, mas não consegui encontrar a famosa cachoeira, pois não havia uma placa sequer indicando”, explica a professora pública para alunos de portadores de necessidades especiais na Capital federal. E a realidade apontada por Lenilda se repete a cada passo do turista em Muquém, onde a Secretaria de Turismo de Niquelândia revela ter catalogado três cachoeiras, duas grutas, a Caverna da Lapa, a Lagoa Encantada e os lagos Azul e Serra da Mesa. Pontos turísticos pertos do visitante, mas sem visibilidade. Como Lenilda, muita gente foi vista pela reportagem da Agência Sebrae de Notícias (ASN/GO) andando desnorteada no Povoado de Muquém. Aliás, para realizar fotos no distrito pertencente a Niquelândia, o repórter fotográfico Edmar Wellington (ASN Goiás), teve de conversar muito, aqui e li, para chegar aos seus destinos. Foi assim quando o profissional escolheu a Cachoeira de São Bento para registrar uma das belezas naturais de Muquém. “Nem mesmo o Corpo de Bombeiros sabia dizer onde fica a cachoeira, distante 6km do povoado”, lembra Edmar. Durante a romaria, um folder com a programação da festa e um mapa de Muquém foi distribuído pelo Santuário para os visitantes, mas a falta de sinalização junto às estradas e trilhas locais prejudica o turismo no lugar. Um pecado, observando que o povoado é um vale inteiro de atrações turísticas, incluindo o Monte da Cruz e o Monte do Cruzeiro, onde peregrinos sobem montanhas em orações e pagamento de promessas. A própria Rodovia da Fé, GO-237, que dá acesso ao Povoado de Muquém, parece ser um perigo para a vida de romeiros. O asfalto não apresenta buracos, mas praticamente não possui acostamento, nem mesmo à frente das estações que mostram a Via Sacra de Jesus Cristo. Já no povoado, o sistema de telefonia pública só dispõe de um orelhão instalado, sendo que sinal de operadora de telefonia celular não pega nem ao topo das montanhas. E, durante a romaria, a falta de campanha de conscientização ambiental pode ter contribuído para que visitantes deixassem nas florestas de Cerrado, rios e córregos latinhas de cerveja e refrigerante, além de sacos plásticos à deriva. Parceiros na promessa Construído em parceria com o Sebrae/GO, Santuário de Muquém, Universidade Estadual de Goiás (UEG), Prefeitura local, GoiásTurismo, Associação Comunitária Santa Efigênia e Associação Comercial e Industrial de Niquelândia (Acin), o Planejamento Estratégico do Turismo Religioso de Niquelândia deve corrigir os caminhos espinhosos para o desenvolvimento da atividade no município. Segundo Franzim, o planejamento deve contemplar tanto o turismo religioso, quanto as atrações naturais, como lagos, cachoeiras, montanhas e trilhas ecológicas. “Estimamos aumentar em 100 mil os visitantes à Romaria do Muquém, ao capacitar agentes de turismo, melhorar nossa infraestrutura e divulgação, por exemplo”, explica o padre, que tem a o aval de Décio Tavares Coutinho, gestor dos projetos de cultura do Sebrae/GO. Segundo Décio, é nesse sentido que a entidade aponta seus trabalhos para promoção turística de Niquelândia. “O padre Franzin teve a sabedoria de pedir ao Sebrae, não uma tenda para acomodar fiéis, mas um planejamento para o movimento do turismo local”, afirma o coordenador, lembrando que o turismo deve ser bom primeiro para quem mora em Niquelândia, para ser ótimo para as pessoas que visitam a cidade. Serviço: Fonte: Agência Sebrae de Notícias |
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