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Caxias do Sul abre as porteiras para o turismo rural

Projeto em parceria com o Sebrae/RS desenvolve novos roteiros em Caxias do Sul

3 de Agosto de 2009.
Publicado por Equipe EcoViagem  

A herança cultural deixada pelos imigrantes italianos na região de Caxias do Sul (na Serra Gaúcha), a 125 km de Porto Alegre, compõe um dos principais destinos turísticos do Estado do Rio Grande do Sul. Cultura, lazer, gastronomia e natureza revelam as particularidades de quem viveu e presenciou a saga da imigração.

Com o objetivo de desenvolver o potencial econômico da região e fortalecer a relação dos habitantes e turistas com a própria história, a Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) estabeleceu uma parceria com o Sebrae/RS, através do projeto Turismo Rural na Serra Gaúcha. Além de atingir roteiros já consolidados do município, como Ana Rech, Caminhos da Colônia, Criúva, Estrada do Imigrante e Vale Trentino, serão trabalhados roteiros com forte potencial para atração de turistas, chamados de Zonas de Interesse Turístico (ZIT).

As ZIT foram identificadas em 2008 por um plano diretor criado por integrantes da prefeitura de Caxias do Sul. A parceria entre Semtur e Sebrae/RS resultou no diagnóstico de possibilidades que esses roteiros oferecem para a região, bem como na identificação de novos locais. O passo seguinte foi criar programas para orientar os empreendedores a otimizarem seus negócios.

O gestor para o Sebrae/RS do projeto Turismo Rural na Serra Gaúcha, Emerson Monteiro, destaca, entre as propostas para 2009, 2010 e 2011, a formatação de circuitos turísticos integrados envolvendo os distritos rurais de Fazenda Souza, Santa Lúcia do Piaí, Vila Cristina, Vila Oliva e Vila Seca.

Monteiro informa que foi criado um Comitê Gestor das ZIT de Caxias do Sul, com o aporte técnico da Instituição, coordenado pelo técnico da Semtur Flori Verlinde e composto por integrantes do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), representantes das subprefeituras e empreendedores. “O objetivo deste Comitê é acompanhar o processo de planejamento das ZIT, com foco na estruturação de roteiros turísticos que divulguem a cultura, o ecoturismo e a história”.

O plano também promove o acompanhamento técnico na realização de visitas aos distritos, propiciando o debate e a análise dos participantes sobre o desenvolvimento das atividades, bem como sua integração aos roteiros conhecidos de Caxias do Sul para ampliação de conhecimento.

As diretrizes incluem a articulação de comitês locais, que irão monitorar o processo de desenvolvimento e apoiar os empreendedores. “Teremos ações específicas de capacitação para todos os roteiros do município, entre palestras, cursos e oficinas nas áreas de empreendedorismo, turismo religioso e rural, orientação ao crédito, gestão financeira e gastronomia campeira”, adianta o gestor.

Os novos roteiros

De acordo com o gestor, Caxias do Sul recebeu em média, entre 2005 e 2008, 350 mil turistas/ano. A projeção é de que o número de visitantes aumente em 5% até dezembro de 2009, 8% até dezembro de 2010 e 11% até dezembro de 2011. A região, conhecida por seus atrativos naturais e eventos artísticos com foco na cultura italiana, ganhará reforço para continuar contando essa história, descobrir novas possibilidades e, assim, alcançar as metas.

Os cinco distritos estudados para fazer parte do desenvolvimento turístico evidenciam o cotidiano do homem do campo que se preocupa com o meio ambiente e busca o desenvolvimento econômico.

Jairo Rech, residente no Distrito de Vila Seca, trabalha com produção orgânica de produtos hortigranjeiros. O tempo lhe ensinou a valorizar a região e o tradicionalismo. “Na minha memória tenho mais forte a cultura tradicionalista gaúcha do que a italiana, da qual sou descendente”, afirmou. Por isso o empenho dele e da comunidade em contribuir no desenvolvimento da região como roteiro turístico. Integrante do Comitê Gestor das ZIT e do futuro comitê local, Rech acompanha de perto cada etapa do trabalho.

“Foi feita a análise junto com os empreendedores. Agora, a população está unida em esforços para divulgar nossa região. Temos a Festa do Divino Espírito Santo e a recente Festa do Pinhão”, destaca Rech sobre o evento que, em sua segunda edição, caracteriza-se por resgatar a cultura através da culinária. O empreendedor projeta, como futura ação para beneficiar a Vila Seca, a exploração da Rota do Sol. “A rodovia passa aqui ao lado para quem vai no sentido Caxias-Litoral; portanto temos muito potencial para trabalhar”.

Além de Vila Seca, o roteiro inclui a Fazenda Souza, distrito que foi grande produtor de madeira no final do século XIX devido à densa vegetação de araucária. Atualmente, a economia é baseada no cultivo de hortifrutigranjeiros, entre maçã, pêssego, caqui e ameixa. O destaque fica por conta da religiosidade: no Instituto Leonardo Murialdo, conhecido como Seminário de Fazenda Souza, encontram-se os restos mortais do padre João Schiavo, que trabalhou na região, fundando o instituto e o Abrigo de Menores São José. Seu nome está em processo de beatificação no Vaticano, o que motiva peregrinações ao local.

Em Santa Lúcia do Piaí, a produção rural também se baseia nos produtos hortifrutigranjeiros, firmando-se como uma das maiores regiões produtoras do Estado. Outra característica em comum é a cultura religiosa. Entre as paisagens naturais, lendas e histórias conduzem a imaginação. No ano de 1635, o padre jesuíta Cristóvão de Mendoza, responsável por introduzir a bovinocultura no Estado, foi morto em uma emboscada na localidade hoje conhecida como Água Azul, quando tentava avisar as aldeias que os bandeirantes estavam fazendo escravos no Sul. O nome faz referência ao milagre que teria acontecido quando o coração do sacerdote foi lançado nas águas de um córrego, tornando-as azuis.

A bovinocultura marca o território de Vila Oliva. Com infraestrutura voltada para as atividades rurais, a Casa da Escola Anchieta, de Porto Alegre, revela-se um prédio de grande porte em meio à paisagem do campo. O artesanato em vime está entre as fortes atividades locais.

A exceção à cultura italiana na região é o distrito de Vila Cristina. Localizado no Vale do Caí, lá a colonização alemã marcou o modo de vida e, por consequência, o turismo. A diversificação das culturas italiana e portuguesa chegou mais tarde e ajudou a formar o povoado. Em algumas localidades, famílias inteiras ainda utilizam o alemão como única forma de comunicação entre si. A economia está baseada no cultivo de hortifrutigranjeiros e na vitivinicultura.

A assessora técnica da Secretaria de Turismo de Caxias do Sul Josemari Pavan salienta que “o extenso mapeamento, com trabalho de campo, realizado durante 2008, possibilitou a identificação de possibilidades que nem mesmo a população local conhecia; estamos agora na segunda fase, implantando, com técnicos do Sebrae/RS, cursos de capacitação para os empreendedores”. Em 2010, através da mobilização da comunidade, os novos roteiros turísticos integrados estarão com formato definido e poderão, segundo Josemari, ser oferecidos para agências de turismo.

Sobre o Projeto

O projeto Turismo Rural na Serra Gaúcha objetiva desenvolver o turismo rural das Regiões Uva e Vinho e Hortênsias, aumentando o número de visitantes, a renda das propriedades participantes do circuito e o volume de venda direta de produtos agroindustriais e artesanais. Suas atividades são voltadas à micro e pequena empresa do trade turístico (propriedades rurais, hospedagem, gastronomia, agências de turismo e artesanato) das duas regiões da Serra Gaúcha. Atualmente, o projeto atinge os municípios de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Nova Petrópolis e Picada Café e encerra-se em dezembro de 2011.

Serviço:
Sebrae/RS - (51) 3216-5165, 3216-5182 ou 9955-8192
Central de Atendimento ao Cliente do Sebrae – 0800-570-0800
Sebrae/RS Serra Gaúcha - (54) 3290-4700

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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