Bases para um turismo sustentável

Praias lotadas, guardanapos, copos plásticos e canudos por toda parte. Empreendimentos imobiliários que expulsam a população local para lugares distantes e inóspitos. Apresentações folclóricas que mais se parecem com shows da Broadway do que manifestações

  
  

Praias lotadas, guardanapos, copos plásticos e canudos por toda parte. Empreendimentos imobiliários que expulsam a população local para lugares distantes e inóspitos. Apresentações folclóricas que mais se parecem com shows da Broadway do que manifestações culturais típicas do Brasil. Esses são apenas alguns exemplos do que é um turismo agressivo e não-sustentável. O impacto negativo do turismo sobre a população, a cultura e o meio ambiente pode ser maior do que as divisas que o empreendimento pode abrir. Por isso, várias entidades já se preocupam com a prática do turismo sustentável. É por isso também que já existem certificados para os empreendimentos que respeitam a natureza, a população e os costumes locais. Um deles é o Programa de Certificação em Turismo Sustentável, desenvolvido pelo Instituto de Hospitalidade, que avalia hotéis em termos de autenticidade cultural, conservação do meio ambiente, inclusão social e qualidade dos serviços. O diretor dos programas de certificação do Instituto de Hospitalidade, Júlio César Felix, diz que essa é uma inovação no mundo.

"Quando nós falamos em turismo sustentável, nós estamos falando em 3 dimensões: a dimensão ambiental, a sócio-cultural e a dimensão econômica. Então, na junção dessas 3 dimensões é que dá as boas práticas de turismo sustentável. E é isso que nós certificamos."

Quando o hotel receber a avaliação positiva do Instituto de Hospitalidade, vai receber um certificado que vale por 3 anos. O empreendimento sustentável deve respeitar a legislação vigente, garantir os direitos das populações locais, conservar o ambiente natural e sua biodiversidade, considerar o patrimônio cultural e valores locais e estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos. Júlio César Félix garante que os mecanismos adotados para a certificação são internacionalmente aceitos. A previsão é avaliar 560 hotéis até o final de 2007.

O Ceará também é um estado preocupado com o impacto do turismo, já que Fortaleza foi o quarto destino brasileiro mais procurado por estrangeiros, em 2003. O secretário de Turismo do Ceará, Alan Aguiar, que também é Presidente da Comissão de Turismo Integrado do Nordeste, destaca que foi elaborado um plano de turismo sustentável da região da Costa do Sol do Ceará. Ele revela que a população teve participação ativa, com oficinas de trabalho junto às comunidades locais. Alan Aguiar diz que é fundamental a participação popular, porque um dos fatores de sucesso de um empreendimento é o comprometimento da população local.

"a população precisa estar plenamente consciente de que essa atividade é uma vocação de toda essa região, o setor de turismo se apresenta como uma vocação natural, como um importante elemento de inclusão social, na medida em que gera muito emprego e renda."

TRILHA

O turismo de aventura e o Ecoturismo são responsáveis pelo aumento das áreas de Mata Atlântica em vários municípios do estado de São Paulo. Afinal, o lucro das empresas que promovem esse tipo de turismo aumenta se o ambiente fica mais saudável. Essa é uma das conclusões da tese de doutorado de Eduardo Mazzaferro Ehlers. O turismo de aventura é uma atividade em franco crescimento no Brasil. Para se ter uma idéia, uma feira destinada a esse público, a Adventure Sports Fair, reuniu, em agosto, em São Paulo, setenta e duas mil pessoas e gerou volume de negócios na casa de 85 milhões de reais. O Instituto de Hospitalidade também está trabalhando na certificação do Turismo de Aventura no país. Estão sendo elaboradas normas que vão tratar sobre as competências mínimas para condutores das diversas modalidades de turismo de aventura, as especificações de produtos, a segurança e as informações mínimas que o cliente deve receber antes de praticá-las, por exemplo. Segundo o diretor dos programas de certificação do Instituto de Hospitalidade, Júlio César Felix, essas normas já devem estar prontas até metade do ano que vem.

"O turismo de aventura é uma das áreas do turismo que mais crescem no mundo hoje, e o grande problema é a qualidade e segurança desse tipo de atividade. E nós estamos desenvolvendo, em conjunto com toda a sociedade, esse acervo de normas, tanto para pessoas que trabalham no turismo, para as modalidades de turismo, para sistemas de segurança para os empreendimentos e também para equipamentos."

A certificação do turismo de aventura servirá para dar mais segurança a atividades ditas "radicais", como canyoning, rappel e bungee jump. Em julho, uma jovem de 20 anos morreu em Minas Gerais, após falha no equipamento em que estava amarrada ao praticar o bungee jump. O deputado João Paulo Gomes da Silva, do PSB de Minas Gerais, foi radical: propôs um projeto que transforma em contravenção penal a prática do bungee jump, esporte em que uma pessoa pula de pontes ou guindastes, amarrada a uma corda. Ele chama o esporte de roleta russa, por causa do risco acentuado. E dá algumas dicas de segurança para que o esporte fosse regulamentado, mas admite que é difícil implementá-las.

"Limitando por exemplo a altura, com colchão de ar no solo, com o número de correias e cordas multiplicado. A pessoa para pular teria que estar dentro de uma faixa etária de 18 a 45 anos, mais ou menos. Teria que ter um atestado de um cardiologista e de um psicólogo, porque a pessoa que pula pela primeira vez não sabe das suas próprias limitações de caráter de saúde, pode ter um infarto, pode ter um comprometimento também do ponto de vista ortopédico, problema na coluna, no joelho, no tornozelo. Sem falar no trauma psicológico que isso pode gerar."

O deputado sugere ainda que haja uma equipe de UTI móvel, para os primeiros socorros, em toda plataforma de salto, para reduzir os riscos ao praticante. João Paulo Gomes da Silva alerta que a regulamentação do esporte deve ser rigorosa, para evitar a ocorrência de acidentes.

De Brasília, Adriana Magalhães.

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Fonte: Rádio Camara FM
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