Mulheres no turismo: experiências de hospitalidade, gastronomia e sustentabilidade

Projeto apoiado pelo Ministério do Turismo cria grupo de empreendedoras na Vila do Pesqueiro, comunidade da Ilha do Marajó (PA)

  
  

O aumento do capital social e econômico de uma tradicional comunidade pesqueira no litoral paraense, na Ilha do Marajó, é impulsionado pelo empreendedorismo feminino que desponta em atividades turísticas. Dezoito colaboradoras da Associação das Mulheres do Pesqueiro trabalham como artesãs, cozinheiras e anfitriãs do projeto “Viagem Encontrando Marajó” (VEM), um dos 50 aprovados na Chamada Pública de Projetos de Turismo de Base Comunitária, do Ministério do Turismo.

“O projeto visa proporcionar convivência e intercâmbio cultural com os moradores, impulsionando o turismo sustentável baseado na autogestão, no cooperativismo, na valorização da cultura regional e no protagonismo das comunidades locais”, explica Kátia Silva, coordenadora geral de Projetos de Estruturação do Turismo em Áreas Priorizadas do MTur. Jovens e senhoras trabalham na recepção dos visitantes e na hospedagem domiciliar, produzem as refeições e conduzem os passeios oferecidos pela comunidade.

De acordo com Judith Terreiro, coordenadora geral da iniciativa, essas mulheres “despertaram para uma oportunidade de geração de renda porque têm uma percepção diferenciada da questão turística. Na comunidade, isso foi muito importante porque elas exercitam o empreendedorismo”.

Segundo Judith, o turismo abre espaço para oportunidades alternativas à atividade pesqueira artesanal e ao extrativismo da andiroba e turu, principais geradores de emprego e renda na região. Contribui também para a valorização das tradições marajoaras e para a organização comunitária na gestão da atividade turística regional. As associadas cozinham pratos típicos da gastronomia local para servirem aos turistas e ainda exercem funções como as de “anfitriãs”, que “apresentam” a comunidade aos turistas e contam lendas e histórias antigas sobre a vila. O empenho das profissionais no projeto já entusiasma a nova geração: “Estamos disseminando essa motivação entre as jovens, que terminam o Ensino Médio e já vêem no turismo expectativas de trabalho que vão além da produção artesanal dos bordados e cestarias”, anima-se a coordenadora.

Além das 55 pessoas envolvidas no projeto, os 400 moradores da vila são indiretamente beneficiados pela movimentação financeira gerada pelo setor no local. Os melhores meses para a atividade turística, que se estrutura na região, são junho e julho, com as festas de São João, e novembro e dezembro, durante o período dos sírios e outras festas religiosas.

Os serviços oferecidos pela comunidade são incluídos em pacotes turísticos comercializados pela operadora parceira do projeto. Neste pacote, uma refeição custa, em média, R$ 20, enquanto os passeios pela reserva extrativista e manguezais, conduzidos por pescadores, saem a R$ 15 ou R$ 20. O trabalho diário dos anfitriões, que orientam grupos de turistas, custa aproximadamente R$ 50, e o valor da hospedagem com café da manhã fica em torno de R$ 25.

O projeto VEM foi concebido pelos moradores da Vila do Pesqueiro em parceria com a Associação das Mulheres do Pesqueiro. A proposta é fortalecer a oferta de produtos e serviços de base comunitária na vila, estruturando a atividade turística cooperada para uma demanda crescente de visitantes. Outras informações sobre o destino estão disponíveis em www.vem.org.br.

Fonte: MTur

  
  

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