Sustentabilidade em Alta com a Reabertura do Orquidário de Santos

O Orquidário de Santos voltou às origens. Sem abandonar o perfil abraçado nos últimos tempos, quando foi elevado ao status de parque zoobotânico pela inclusão de várias espécies vegetais e de animais silvestres, o parque reabriu após 3 anos fechado

  
  
Depois de três anos de reforma, o equipamento reabriu os portões na terça-feira (05/06), sob as bênçãos chuvosas do Dia Mundial do Meio Ambiente

O Orquidário de Santos voltou às origens. Sem abandonar o perfil abraçado nos últimos tempos, quando foi elevado ao status de parque zoobotânico pela inclusão de várias espécies vegetais e de animais silvestres em seus domínios, ele acaba de resgatar o DNA do projeto de 1945, em que a proposta era a criação de um grande viveiro de orquídeas ao ar livre.

Depois de três anos de reforma, o equipamento reabriu os portões na terça-feira (05/06), sob as bênçãos chuvosas do Dia Mundial do Meio Ambiente. “Esta reserva verde ganhou novos espaços, viveiros, canteiros e trilhas, além de um completo e moderno Centro de Zoologia. O Orquidário se renova como um passeio ideal para quem busca contato com a natureza, ar puro, beleza e tranquilidade”, enfatiza o prefeito de Santos, João Paulo Papa.

Agora o segundo equipamento público mais visitado na cidade - perde apenas para o Aquário Municipal - totaliza 24,5 mil metros quadrados, 2,2 mil a mais que anteriormente. Dentre mais de 450 animais, alguns circulam livremente pelo parque sobrecarregado de vegetais, enquanto outros são expostos em recintos próprios. Um lago abriga peixes como carpas e hospeda aves aquáticas migratórias.

Anfiteatro e brinquedoteca remodelados, loja de souvenirs e lanchonete instaladas ao lado do busto de Júlio Conceição, - orquidófilo cuja coleção originou o acervo do equipamento – as novidades prometem agradar em cheio.

A imperatriz das flores reconquistou o privilégio das atenções. Como se trata de um parque, não de uma floricultura, expor exemplares floridos durante 365 dias representa mais que um desafio, já que a maioria dessas epífitas dá o ar de sua graça apenas uma vez por ano. Algumas espécies, mais extrovertidas, podem surgir em várias estações. Somente pequena minoria não se faz de rogada, brota continuamente. É o caso da orquídea bambu (Arundina bambusifolia). “ Essa é a mais exibidinha, floresce o ano inteiro. Não é nativa do Brasil mas se adapta bem ao nosso clima ”, explica Fábio Ferreira Santos, biólogo da Secretaria de Turismo de Santos.

Desde o pergolado da entrada que conduz à fonte da Ninfa de Náiade até os quatro limites cardeais do terreno, as 60 espécies vão se revezando para saltear seu exotismo ora aqui, ora ali, sempre sujeitas à época de floração. Cerca de 2 mil, do total de 5 mil exemplares, são cultivados sobre troncos e galhos. Mas chamá-los de parasitas é sinal de ignorância. Eles podem ser criados até sobre ramos mortos e xaxins. Quando usam o apoio das árvores é apenas em busca da luminosidade, alimentando-se do material em decomposição que cai e se deposita nas raízes.

As flores foram contempladas, ainda, com uma estufa denominada Mostruário de Orquídeas, iluminadamente protegida por telhas de acrílico fosco. Ela pode ser considerada a “sala do trono” dessas aristocráticas epífitas. Sobre amplo espelho d’água, passarelas conduzem a pequena cascata de pedras de rio, enquanto as paredes laterais, forradas por helicônias, desdobram-se em degraus para formar jardineiras à beira d’água. “Além do acervo próprio, o recinto foi projetado para receber mostras temporárias, como a tradicional exposição anual que costuma acontecer em novembro ”, explica o secretário de Turismo de Santos, Marcelo Fachada.

A orquidofilia do parque também inclui ripado com 3 mil mudas, onde se destacam a Cattleya Júlio Conceição - em homenagem ao primeiro orquidófilo brasileiro - e a Hadrolaelia purpurata, típica da região.

Mata Atlântica
Às orquídeas a reforma acrescentou, como prioridade, o resgate dos vegetais nativos do Brasil, notadamente os da Mata Atlântica. São cerca de 200 árvores adultas e mais de 300 arbustos.

Agressivas e invasivas, falsas seringueiras de origem asiática sombreavam, com sua copa densa, plantas de menor porte, sufocando samambaias, bromélias, bicos-de-papagaio, dracenas. Até um pau-brasil as intrusas asfixiaram ! O mal foi, literalmente, cortado pela raiz. A remoção da maioria delas revelou-se providencial para o desenvolvimento inclusive de árvores frutíferas e medicinais, além de raridades como pau-brasil e cedro.

Entre alamedas servidas por bancos e recantos acolhedores, o esquema paisagístico conservou a profusão de espatifilos na forração dos canteiros. Esses lírios-da-paz são considerados filtros de ar natural, pois absorvem substâncias químicas presentes no ambiente, facilitando o desenvolvimento das plantas vizinhas. O resultado tornou mais saudáveis as caminhadas dos frequentadores do parque, à sombra de palmeiras, embaúbas, ipês, quaresmeiras e manacás-da-serra, medicando corpo e alma com a cromoterapia verde de avencas, guaimbês, filodendros, begônias.

E como o ar puro oxigena o cérebro e sensibilizo o espírito, uma das mais interessantes áreas criadas é o ‘Jardim Sensorial’, cujas legendas convidam à percepção: Experimente a textura dos troncos / Conheça a textura das folhas / Observe as cores / Sinta os aromas.

Já o espaço das ‘Plantas que Contam a História do Brasil’ é mais didático. Exibe pés de cacau, urucum, pau-brasil, mandioca, café e banana, enquanto o ‘Caminho das Plantas’ e o canteiro com flores para atrair borboletas adicionam à atmosfera deliciosos perfumes.

A vez da bicharada
A abundância da vegetação é sedutora para os pássaros que voam livremente pelo parque, além das dezenas de espécies do Viveiro de Visitação Interna (VVI), área cercada por rede para abrigar aves.
O Orquidário tem cerca de 450 animais silvestres de 70 espécies.

Muitos deles, como cotias, cágados, jabutis e saracuras circulam soltos por tudo quanto é canto. Outros, como tucanos, araras, lontras, rapinantes, felinos, veados-catingueiros e primatas são expostos em recintos próprios. Recintos que foram reorganizados ao lado de novos espaços implantados, como a ‘Trilha do Mel’, um caminho ladeado por seis colmeias de abelhas silvestres sem ferrão, portanto não agressivas. Com ilhas para descanso das aves migratórias que hospeda - garças, irerês, viuvinhas ou lavadeiras-de-cabeça-branca - um lago de 1.180 m2 abriga carpas, marrecos, tartarugas, socós. É interligado ao recinto de jacarés.

Mesmo com o equipamento virado de ponta cabeça, durante a reforma nasceram 15 cotias, 29 pavões, 12 cágados, sete frangos d’água e três veados catingueiros. “É a prova de que todos os cuidados foram mantidos, a ponto de os animais se sentirem protegidos para reproduzir ”, pondera a bióloga Ana Beatriz Comelli, responsável pela Unidade de Biologia.

O parque recebeu novas edificações. O Setor de Botânica, responsável pela coleção de orquídeas e da flora em geral, conta com laboratório para reprodução e local para tratamento de plantas doentes. O Setor de Educação Ambiental incorporou área para suas atividades, biblioteca infantil e para adultos, além de auditório para cursos e palestras. O Centro de Zoologia - uma exigência do Ibama – dispõe de dois ambulatórios, centro cirúrgico, maternidade, berçário, unidade de tratamento intensivo, laboratórios de análises clínicas e radiologia, farmácia, salas de atendimento, internação, necropsia e esterilização, quarentena, biotério e uma área de nutrição com cozinha industrial e espaço apropriado para a desinfecção das bandejas de alimentação dos animais.

Nada passou em branco. Toda a comunicação visual foi reformulada para facilitar a circulação e a identificação das espécies expostas, tanto animais quanto vegetais. “ Há novas placas com a indicação dos lugares, os nomes das plantas e dos animais, além de um piso tátil para os portadores de deficiência visual se orientarem ”, afirma Fachada. Ele também lembra que o local é acessível aos cadeirantes, assim como os três módulos de sanitários.

De autoria da equipe de arquitetos da Prodesan, o projeto foi executado por empreiteiras particulares e fiscalizado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Edificações. As obras de ampliação e revitalização do Orquidário – as maiores em seus 66 anos de existência - custaram cerca de R$ 11 milhões, com recursos dos governos federal, estadual e municipal.

A semente lançada
O berço da coleção, nascida no início do século passado, foi uma grande chácara no bairro do Boqueirão. Constava de mais de 600 espécies diferentes e cerca de mil mudas de epífitas que Júlio Conceição, o primeiro orquidófilo do Brasil, cultivava com carinho. Conhecido como Parque Indígena, o local era aberto à visitação pública.

Quando o colecionador morreu, a família doou o acervo para a Prefeitura Municipal de Santos (PMS), que inaugurou, no bairro do José Menino, novas instalações em 1945, para expor a rica herança. O Orquidário Municipal recebeu árvores com o intuito de servir de suporte para as flores. Com o tempo, diversas espécies de vários lugares do mundo foram sendo introduzidas, formando uma mata que se tornou referência turística da cidade.

Horário: de terça-feira a domingo, das 9 às 18 horas, com compra de ingressos somente até as 17 horas. Valor: R$ 5,00, com desconto de 50% para estudantes. Crianças até 12 anos e maiores de 60 não pagam.

Endereço: Praça Washington s/nº - Bairro do José Menino

  
  

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