Viajar. Tudo de bom?

Da Redação do Akatu Uma reportagem publicada na edição de 1º de agosto deste ano da revista Veja mencionou uma pesquisa realizada no Mar Mediterrâneo por estudiosos da Universidade de Exeter, na Inglaterra. Os cie

  
  

Da Redação do Akatu

Uma reportagem publicada na edição de 1º de agosto deste ano da revista Veja mencionou uma pesquisa realizada no Mar Mediterrâneo por estudiosos da Universidade de Exeter, na Inglaterra. Os cientistas concluíram que cerca de 15 milhões de toneladas de resíduos, principalmente garrafas e outras embalagens plásticas, são jogadas todos os anos nas águas do Mediterrâneo pelos turistas que visitam suas praias. Cerca de 30% desses detritos permanecem visíveis, enfeando uma das mais belas paisagens do mundo. Os 70% restantes vão para o fundo do mar e provocam a morte de focas e tartarugas que confundem os objetos plásticos com alimentos.

Esse é um dos graves aspectos negativos do turismo, uma atividade que deveria promover o bem-estar do viajante e de toda a comunidade que o recebe. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o setor movimenta economicamente outras 42 atividades, e, quando realizado de forma sustentável, gera um ciclo de impactos positivos sobre a economia, as relações sociais, o meio ambiente e sobre o próprio turista. Em busca desses aspectos benéficos, a procura pelo turismo sustentável não pára de crescer no Brasil e no mundo. E por essa razão, cada vez mais viajantes estão levando na mala o consumo consciente.

Como qualquer ato de consumo consciente, um turismo sustentável ocorre à medida que o turista procura minimizar os impactos negativos e maximizar os positivos, considerando que qualquer ação do homem atinge a todos e volta, de uma forma ou outra, para o próprio autor da ação.

Os impactos positivos do turismo sustentável são muitos, e os mais conhecidos são a preservação da natureza, a troca cultural com a comunidade receptora, a contribuição para o desenvolvimento econômico da região e a geração de emprego e renda, entre outros. A exploração da atividade turística também tem efeitos sobre a questão social, pois gera necessidade de investimentos em educação formal para criar mão-de-obra qualificada para atender aos visitantes.

Lucila Egydio, bióloga e consultora em ecoturismo, cita um exemplo concreto dos impactos econômicos positivos que o turismo sustentável pode gerar. Um grande número de pessoas interessados em viagens ecológicas provocou, por exemplo, o aumento do número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que consistem em propriedades particulares com uma parte da área, contendo vegetação nativa, preservada. A implementação das RPPNs é voluntária. Basta que o dono do imóvel se comprometa a não interferir naquele espaço específico dentro de sua propriedade. Ocorre que muitos proprietários temiam se comprometer a preservar uma área do imóvel, receando perder área produtiva de soja ou cana-de-açúcar, por exemplo. “Com o crescimento do mercado do turismo ecológico, os agricultores viram uma forma de diversificar a renda, e ao mesmo tempo cuidar da natureza”, diz Lucila.

A bióloga explica que, para realizar uma viagem com o mínimo de impactos possível, é importante que o turista, antes da partida, esteja consciente de que somente a sua presença na região visitada já será responsável por um aumento de consumo de serviços, água e energia e de geração de resíduos. Por isso, ele deve viajar já sabendo o que pretende fazer para minimizar os efeitos da pressão de seu próprio consumo. “É melhor que o viajante se preocupe antes do que ter que enfrentar os problemas na hora”, adverte Lucila.

Por outro lado, um turismo insustentável pode causar, segundo Lucila, não só a degradação do ambiente, como também problemas socioeconômicos, como o aumento de prostituição, os preços inflacionados (que prejudicam a população residente no local) e a especulação imobiliária. Outro problema que pode ocorrer é a degradação das relações sociais entre viajantes e a comunidade receptora. Segundo Lucila, isso acontece quando a comunidade sente que os turistas interferem demais na rotina do lugar ou quando os habitantes locais não percebem os benefícios desta atividade em sua cidade. Normalmente essa degradação vem acompanhada de um aumento da criminalidade na região, obrigando a prefeitura a empregar mais recursos públicos em segurança, causando aumento de impostos ou piora de outros serviços. Assim, a próxima visita àquela localidade fica mais cara e menos agradável para todos.

O que fazer

Para auxiliar no planejamento da viagem, é importante buscar informações sobre o destino visitado para saber até que ponto a localidade comporta de fato a presença de turistas. Algumas agências, no momento de fechar o pacote, fornecem informações sobre a viagem como um todo e sobre as características das comunidades visitadas, para orientar os clientes. O consumidor consciente deve dar preferência a essas empresas na hora de escolher de quem comprar o pacote, de modo a estimular a agência a manter sua conduta e incentivar outras a adotarem as mesmas preocupações.

Alguns sites também fornecem boas dicas para auxiliar os turistas a fazerem escolhas conscientes e voltadas para a sustentabilidade, como por exemplo os sites: http://ecoviagem.uol.com.br e http://www.turismoreponsavel.tur.br

Quem estiver interessado em saber mais, pode usar a cartilha com as “condutas conscientes em ambientes naturais”, lançada pelo Ministério do Meio Ambiente, em 2003. Ela contém dicas voltadas para o turismo ecológico e o respeito ao meio ambiente, mas vários tópicos também estão ligados às particularidades sociais e econômicas de cada região.

Além disso, o Instituto de Hospitalidade (IH) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, está implantando o Programa de Certificação em Turismo Sustentável (PCTS). O programa vai atestar que hotéis e pousadas têm um desempenho mínimo e um sistema de gestão que atendem aos requisitos de sustentabilidade.. Por enquanto, dez estabelecimentos estão participando do primeiro processo de certificação. Esse será um instrumento importante para que o consumidor possa se informar sobre a responsabilidade ambiental do local onde vai se hospedar.

Clique aqui e veja algumas dicas para quem quer praticar o turismo sustentável, extraídas da cartilha do Ministério do Meio Ambiente.

(Envolverde/Instituto Akatu)

  
  

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